GRAVIDEZ
Aborto espontâneo: por que acontece e quando investigar?
Casos de Isabella Arantes e Mariana Rios geram debate nas redes


Duas perdas gestacionais recentes envolvendo pessoas conhecidas nas redes sociais voltaram a chamar atenção para um assunto que ainda é cercado de dúvidas e tabus: o aborto espontâneo. Embora seja relativamente comum, a perda de uma gestação pode ter diferentes causas e é mais frequente nos primeiros meses da gravidez.
O surfista Gabriel Medina e a esposa, a influenciadora Isabella Arantes, de 29 anos, anunciaram a gravidez publicamente em 31 de julho de 2026, durante os votos do casamento. Cinco dias depois, em 4 de agosto, o casal informou que a gestação, então no terceiro mês, não havia evoluído após um exame morfológico.

Dois dias depois, em 6 de agosto, a atriz Mariana Rios, de 41 anos, também revelou ter sofrido uma nova perda gestacional. Ela havia descoberto uma gravidez natural em julho, poucos meses após o nascimento do primeiro filho, Palo, mas a gestação não evoluiu.

A sequência dos casos gerou uma onda de solidariedade nas redes sociais. Milhares de mulheres aproveitaram as publicações para compartilhar experiências semelhantes e relatar perdas gestacionais.
Diante da repercussão do tema, A TARDE conversou com a ginecologista e obstetra Genevieve Coelho para explicar por que os abortos espontâneos podem acontecer, quais fatores podem aumentar os riscos e quando é necessário buscar investigação médica.
Por que o aborto espontâneo é mais comum no início da gravidez?
As perdas gestacionais são mais frequentes no primeiro trimestre porque esse é um período de importantes mudanças na formação do embrião. Nas primeiras semanas, ocorre a formação e a diferenciação dos órgãos, em um processo chamado organogênese.
Segundo a especialista, cerca de 80% dos abortos espontâneos acontecem antes da 12ª semana de gestação. A maioria dos casos está relacionada a alterações genéticas ou cromossômicas no embrião.
Qualquer fator externo ou interno pode dificultar o desenvolvimento embrionário no primeiro trimestre. As causas mais comuns são as genéticas, que podem ter origem no óvulo ou no espermatozoide, passando assim para o embrião Genevieve Coelho - Obstetra
Quais são as outras causas?
Embora as alterações genéticas e cromossômicas estejam entre as principais causas, outros fatores também podem estar relacionados às perdas gestacionais.
Entre eles estão:
- Infecções: algumas infecções durante a gestação podem atingir a placenta ou provocar inflamações capazes de comprometer a gravidez. Entre os exemplos estão sífilis, toxoplasmose, citomegalovírus, listeriose e infecções urinárias graves não tratadas.
- Alterações imunológicas: algumas condições podem interferir na implantação do embrião ou na circulação da placenta. Um exemplo é a Síndrome Antifosfolípide (SAF), que pode provocar a formação de pequenos coágulos nos vasos da placenta.
- Alterações hormonais: o equilíbrio hormonal é importante para a manutenção da gestação e para o desenvolvimento adequado do endométrio, tecido que reveste o interior do útero.
- Alterações anatômicas: mudanças no formato ou na estrutura do útero podem dificultar a implantação ou a evolução da gestação.
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A idade aumenta o risco de perda gestacional?
A idade da gestante também é um dos fatores associados ao aumento do risco de alterações cromossômicas e, consequentemente, de perda gestacional.
Isso ocorre principalmente pelo envelhecimento natural dos óvulos.
Ao contrário dos homens, que produzem novos espermatozoides ao longo da vida, as mulheres já nascem com uma quantidade determinada de óvulos, que diminui ao longo dos anos até a menopausa.
Quando é necessário investigar?
Uma única perda gestacional não significa necessariamente que exista um problema de saúde que impeça uma nova gravidez. No entanto, perdas recorrentes exigem avaliação médica para identificar possíveis causas.
Segundo Genevieve, quando ocorrem duas ou mais perdas gestacionais, é importante procurar atendimento médico para uma investigação mais ampla.
“Toda vez que ocorre mais de duas perdas gestacionais numa mulher deve-se buscar o médico para investigação ampla de todos os determinantes, pois muitas vezes pode ter uma causa multifatorial”, afirmou a obstetra.

A investigação pode avaliar fatores genéticos, hormonais, imunológicos, anatômicos e infecciosos, de acordo com o histórico de cada paciente.
Quais cuidados podem reduzir os riscos?
Nem todas as causas de aborto espontâneo podem ser evitadas, especialmente quando estão relacionadas a alterações cromossômicas no embrião.
Ainda assim, o acompanhamento médico é importante para identificar e tratar condições que possam afetar a gestação.
A principal recomendação é iniciar o pré-natal o quanto antes, preferencialmente ainda no primeiro trimestre.
O acompanhamento permite avaliar a saúde da gestante, acompanhar o desenvolvimento da gravidez e identificar possíveis fatores de risco que possam ser tratados ou monitorados.


