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Bebê não pode comer cuscuz? Saiba o que muda antes dos 2 anos

Alimentos comuns na mesa dos baianos podem surpreender na alimentação infantil

Bianca Carneiro
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Tradição na mesa: veja quais alimentos baianos podem ser oferecidos aos bebês
Tradição na mesa: veja quais alimentos baianos podem ser oferecidos aos bebês - Foto: Imagem gerada por IA

Farinha de mandioca, milho, fubá e cuscuz fazem parte da identidade alimentar do Nordeste há gerações, inclusive na rotina das crianças. Hoje, as famílias também consideram a quantidade de açúcar, a variedade de grãos e a lista de ingredientes na hora de escolher. Em entrevista, a nutricionista Ana Carolina Donan, gerente de Comunicação Científica da Papapá, explica como conciliar tradição e cuidado na introdução alimentar.

Alimentos tradicionais da Bahia servem para a introdução alimentar?

Sim. Segundo Ana Carolina, milho, mandioca, inhame e aipim podem fazer parte de uma introdução alimentar saudável, pois são fontes de energia e apresentam à criança os sabores da própria cultura. Os cereais infantis industrializados também fornecem energia e trazem praticidade, mas vale olhar a composição: alguns têm mais variedade de grãos e cereais integrais, outros levam açúcar adicionado.

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“Não é preciso escolher entre tradição e nutrição: a comida regional pode ser uma grande aliada da alimentação infantil”, afirma.

Cuscuz para bebê: como adaptar o café da manhã nordestino?

O cuscuz pode continuar no prato. Para menores de 2 anos, a principal mudança é retirar o açúcar e adequar a textura à idade. Ele pode ser acompanhado de banana, ovo ou outros alimentos da rotina da família. Antes de 1 ano, o leite materno ou a fórmula infantil deve ser a principal fonte láctea.

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Açúcar para bebês: o que o estudo da Neurology muda na prática?

O estudo publicado na revista Neurology encontrou associação entre menor exposição ao açúcar no início da vida e menor risco de demência décadas depois, mas não provou que o açúcar na infância cause a doença. Para a nutricionista, o resultado não cria uma regra nova nem deve gerar alarmismo. Ele reforça a recomendação de evitar açúcar adicionado até os 2 anos e manter a moderação depois disso.

Em festas e encontros de família, comuns na cultura baiana, oferecer doce costuma ser uma demonstração de carinho. Por isso, ela sugere explicar aos familiares o motivo da escolha e pedir apoio. Evitar o açúcar ajuda a criança a aceitar o sabor natural dos alimentos e previne obesidade e outras doenças ao longo da vida.

Como ler o rótulo de um cereal infantil?

Comece pela lista de ingredientes: os itens em maior quantidade aparecem primeiro. O açúcar pode surgir com nomes como:

  • sacarose;
  • glicose;
  • dextrose;
  • frutose;
  • açúcar invertido;
  • xaropes;
  • maltodextrina.

“Sem adição de açúcar” e “zero açúcar” são iguais? Não. O primeiro indica que não houve adição de açúcares, mas o alimento ainda pode ter os naturalmente presentes nos ingredientes. Já os produtos “zero açúcar” seguem critérios mais restritivos e, às vezes, usam adoçantes como sucralose, aspartame e glicosídeos de esteviol, que, segundo Ana Carolina, não são adequados para crianças saudáveis.

A variedade de grãos faz diferença?

Arroz, milho, aveia, cevada e quinoa têm perfis diferentes de fibras, proteínas, vitaminas e minerais, além de sabores e texturas distintos, o que amplia o repertório alimentar da criança. Os grãos combinam com ingredientes regionais, como banana-da-terra, batata-doce, caju e umbu, respeitando a idade e a textura adequada, e aproximam a criança da comida da família.

A criança pode rejeitar o cereal menos doce?

O paladar está em formação na introdução alimentar. A nutricionista cita um estudo de Sanchez-Siles e colaboradores com crianças de 6 a 24 meses acostumadas a cereal adoçado: os pais relataram 96% de aceitação do cereal com baixo teor de açúcar. “O risco não é zero, mas também não significa rejeição definitiva”, diz.

Para facilitar a transição, ela recomenda:

  • incluir fruta amassada, naturalmente mais doce;
  • oferecer o novo alimento sem pressão;
  • não desistir na primeira tentativa.

Para Ana Carolina, é um mito que o bebê precise de açúcar para aceitar a comida. “Bebê não precisa aprender a gostar de açúcar; precisa ter oportunidade de conhecer outros sabores.”

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