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CAR-T brasileira: estudo indica caminho para baratear terapia no SUS

Tecnologia sem vetor viral desenvolvida no Brasil busca reduzir custos na saúde pública

Isabela Cardoso
Por
Pesquisa do INCA, Fiocruz e UnB cria versão humanizada da terapia CAR-T
Pesquisa do INCA, Fiocruz e UnB cria versão humanizada da terapia CAR-T - Foto: Foto: Ilustrativa | Magnific

Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Fiocruz e a Universidade de Brasília (UnB), desenvolveram dois novos produtos de terapia CAR-T anti-CD19 humanizados com sistema não-viral.

A tecnologia busca reduzir os custos de produção e viabilizar a oferta do tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS).

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O avanço foi publicado no periódico Frontiers in Immunology e detalha a validação pré-clínica de versões modificadas da terapia, voltadas para o combate a neoplasias hematológicas, como a leucemia linfoblástica aguda de células B (LLA-B).

Como funciona a terapia CAR-T e a alteração molecular

Considerada o quinto pilar do tratamento do câncer, a terapia CAR-T utiliza células de defesa (células T) do próprio paciente. Elas são coletadas, reprogramadas geneticamente no laboratório para reconhecer o tumor e devolvidas ao organismo, onde se multiplicam e continuam agindo ao longo do tempo.

Antes da introdução dessa técnica, pacientes com linfoma difuso de grandes células B refratário apresentavam taxa de resposta global de 26%, com 7% de remissão completa e sobrevida mediana de seis meses.

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Estudo publicado no periódico Blood Advances mostrou que, após o CAR-T, a sobrevida global em três anos passou de 10% para 59% na comparação com um grupo histórico equivalente, enquanto a sobrevida livre de progressão subiu de 6% para 48%.

A versão original do tratamento utiliza uma proteína de reconhecimento derivada de anticorpo de camundongo. Na versão criada pelos cientistas brasileiros, foi feita uma modificação molecular para tornar essa estrutura semelhante a uma proteína humana.

O objetivo é evitar que o sistema imunológico do paciente identifique a célula modificada como agente estranho e a elimine antes do tempo.

O alvo utilizado foi o CD19, uma proteína presente na superfície dos linfócitos B e de outras células da mesma linhagem, tornando-se um ponto de ligação para o combate às células tumorais.

Testes de laboratório e resultados em modelos animais

Nos ensaios de laboratório, as duas versões humanizadas criadas no Brasil, batizadas de H1 e H2, eliminaram as células cancerosas com eficiência idêntica à do tratamento original.

A resposta foi mantida mesmo quando a proteína CD19 estava presente em menor quantidade na superfície do tumor. Os experimentos demonstraram também a formação de células de memória, necessárias para garantir a duração do efeito no organismo.

A etapa decisiva envolveu testes com camundongos. A versão H1 controlou o câncer de forma duradoura e manteve a sobrevida dos animais por um período equivalente ao da terapia padrão. A versão H2 apresentou ligação mais fraca ao CD19 e perda progressiva de força, com sinais de esgotamento das células T.

Diante desses resultados, os pesquisadores apontaram a versão H1 como a opção selecionada para avançar rumo aos ensaios clínicos em humanos.

Obstáculos orçamentários no Brasil e produção local

A expansão da terapia CAR-T no Brasil enfrenta gargalos financeiros no setor privado e público. No mercado particular, o custo total do tratamento varia entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões por paciente, valor impactado por despesas hospitalares e pelo preço elevado dos insumos, que incluem vetores virais e proteínas importadas.

A estratégia desenvolvida pelo INCA, Fiocruz e UnB utiliza um sistema não-viral de geração celular. A substituição do vetor viral e a produção nacional abrem caminho para um processo escalável e de menor custo.

A iniciativa recebeu apoio financeiro de agências de fomento como o Decit-CNPq, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e o Programa Inova Fiocruz.

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