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RISCO À SAÚDE

Uso sem freio de testosterona traz risco de trombose, alerta médico

Hepatologista Dr. Raymundo Paraná adverte para banalização de hormônios sexuais

Rodrigo Tardio
Por
Dr. Raymundo Paraná, hepatologista
Dr. Raymundo Paraná, hepatologista - Foto: Divulgação

O avanço da prescrição desregrada de testosterona no Brasil acendeu um alerta vermelho na comunidade médica. De acordo com o hepatologista Raymundo Paraná, o país vive uma situação atípica e grave de uso indiscriminado do hormônio, associada a riscos severos de saúde, como o desenvolvimento de trombose.

O especialista afirma que a frequência e a facilidade com que o composto é administrado em território nacional representam um cenário que não se observa em outras partes do mundo. Em nações desenvolvidas, a conduta é tratada de forma estrita.

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"Nesses países a substância não é utilizada amplamente, tampouco sob a forma de implantes hormonais (chips da beleza) ou como terapia de reposição para indivíduos sem diagnóstico real de hipogonadismo", explica o hepatologista.

Diagnósticos frágeis

A única indicação médica legítima para a prescrição de testosterona em homens é o hipogonadismo comprovado e rigorosamente documentado. No entanto, a prática clínica revela uma realidade oposta.

"A maioria dos pacientes que chegam aos consultórios com complicações de saúde decorrentes do hormônio jamais apresentou critério técnico para o tratamento. Em geral, a medicação é introduzida após a alegação de níveis limítrofes ou supostamente baixos, sem a devida comprovação diagnóstica", alerta Raymundo Paraná.

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No público feminino, o cenário de alerta é ainda mais restritivo, pois não há indicação para medir ou repor testosterona rotineiramente em mulheres.

"O uso em mulheres só se justifica em quadros específicos e raros de transtorno do desejo sexual hipoativo no pós-menopausa, condição que exige diagnóstico complexo e prolongado", diz o especialista.

Rejeição

A prática corriqueira observada no Brasil carece de respaldo científico global. O uso estético, performático ou de reposição sem critérios rígidos é categoricamente contraindicado pelas principais sociedades médicas de endocrinologia e ginecologia do mundo — incluindo entidades do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão.

A discrepância nas condutas coloca o modelo brasileiro sob forte crítica internacional, onde o manejo vulgarizado do hormônio é visto como uma prática esdrúxula e dissociada da medicina baseada em evidências.

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Hipogonadismo prescrição médica Riscos à Saúde Saúde Masculina testosterona Uso indiscriminado

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