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AGU manda YouTube remover vídeos com médicos criados por IA

Governo identificou 97 perfis que usavam avatares para espalhar desinformação

Isabela Cardoso
Por
A AGU Enfrenta vai instituir um núcleo de cooperação na área criminal
A AGU Enfrenta vai instituir um núcleo de cooperação na área criminal - Foto: Wesley Mcallister | Ascom AGU

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que retire do ar ou sinalize vídeos que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde na divulgação de informações falsas.

A plataforma recebeu prazo de 72h para adotar as medidas e também deverá agir para impedir a circulação de conteúdos semelhantes.

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A notificação foi enviada na sexta-feira, 4, após o governo identificar vídeos em que personagens criados digitalmente assumem uma suposta autoridade médica para divulgar promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica.

Governo identifica 97 perfis com vídeos feitos por IA

A medida foi tomada após uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que monitora conteúdos de desinformação na área. Entre janeiro e julho de 2026, o programa identificou 97 perfis com publicações desse tipo.

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Segundo o ministério, os conteúdos utilizavam avatares com aparência humana que se apresentavam como médicos ou especialistas. As publicações também recorriam a uma linguagem considerada alarmista e, em parte dos casos, tinham como público-alvo pessoas idosas.

Para a AGU, o uso desses personagens pode fazer com que informações sem respaldo científico pareçam confiáveis justamente pela aparência de autoridade profissional.

Vídeos também promoviam produtos pagos

De acordo com o Ministério da Saúde, os perfis não apenas disseminavam informações falsas, mas também utilizavam os personagens virtuais para promover produtos comercializados na internet.

A pasta aponta ainda riscos relacionados ao conteúdo, como automedicação, uso de terapias sem eficácia comprovada, interrupção de tratamentos e demora na procura por atendimento médico.

“A iniciativa busca combater o uso de personagens artificiais que simulam autoridade médica para dar credibilidade a informações e promessas terapêuticas potencialmente prejudiciais”, afirmou a AGU.

YouTube poderá ter de identificar conteúdo gerado por IA

A notificação determina que o YouTube remova os vídeos quando for cabível. Nos casos em que a retirada não for necessária, a plataforma deverá adotar medidas de rotulagem e contextualização, deixando explícito que o material foi produzido com inteligência artificial generativa.

A AGU também solicitou que a plataforma adote mecanismos para prevenir a disseminação de conteúdos semelhantes.

Procurado nesta terça-feira, 8, o YouTube informou que não irá se manifestar sobre o caso.

AGU encaminhou caso à Polícia Federal

Além do YouTube, a Advocacia-Geral da União encaminhou as informações à Polícia Federal (PF) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

A AGU já havia adotado medida semelhante contra o Telegram em outro caso. Na ocasião, o governo identificou 18 grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes de vacinação falsificados. A plataforma removeu os conteúdos após a notificação.

Segundo a Advocacia-Geral da União, as notificações extrajudiciais desse tipo estão relacionadas ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilegais publicados por usuários.

O entendimento foi firmado em junho de 2025, durante o julgamento de questões relacionadas ao Marco Civil da Internet.

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AGU Inteligência Artificial youtube

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