TECNOLOGIA
AGU manda YouTube remover vídeos com médicos criados por IA
Governo identificou 97 perfis que usavam avatares para espalhar desinformação


A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que retire do ar ou sinalize vídeos que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde na divulgação de informações falsas.
A plataforma recebeu prazo de 72h para adotar as medidas e também deverá agir para impedir a circulação de conteúdos semelhantes.
A notificação foi enviada na sexta-feira, 4, após o governo identificar vídeos em que personagens criados digitalmente assumem uma suposta autoridade médica para divulgar promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica.
Governo identifica 97 perfis com vídeos feitos por IA
A medida foi tomada após uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que monitora conteúdos de desinformação na área. Entre janeiro e julho de 2026, o programa identificou 97 perfis com publicações desse tipo.
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Segundo o ministério, os conteúdos utilizavam avatares com aparência humana que se apresentavam como médicos ou especialistas. As publicações também recorriam a uma linguagem considerada alarmista e, em parte dos casos, tinham como público-alvo pessoas idosas.
Para a AGU, o uso desses personagens pode fazer com que informações sem respaldo científico pareçam confiáveis justamente pela aparência de autoridade profissional.
Vídeos também promoviam produtos pagos
De acordo com o Ministério da Saúde, os perfis não apenas disseminavam informações falsas, mas também utilizavam os personagens virtuais para promover produtos comercializados na internet.
A pasta aponta ainda riscos relacionados ao conteúdo, como automedicação, uso de terapias sem eficácia comprovada, interrupção de tratamentos e demora na procura por atendimento médico.
“A iniciativa busca combater o uso de personagens artificiais que simulam autoridade médica para dar credibilidade a informações e promessas terapêuticas potencialmente prejudiciais”, afirmou a AGU.
YouTube poderá ter de identificar conteúdo gerado por IA
A notificação determina que o YouTube remova os vídeos quando for cabível. Nos casos em que a retirada não for necessária, a plataforma deverá adotar medidas de rotulagem e contextualização, deixando explícito que o material foi produzido com inteligência artificial generativa.
A AGU também solicitou que a plataforma adote mecanismos para prevenir a disseminação de conteúdos semelhantes.
Procurado nesta terça-feira, 8, o YouTube informou que não irá se manifestar sobre o caso.
AGU encaminhou caso à Polícia Federal
Além do YouTube, a Advocacia-Geral da União encaminhou as informações à Polícia Federal (PF) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM).
A AGU já havia adotado medida semelhante contra o Telegram em outro caso. Na ocasião, o governo identificou 18 grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes de vacinação falsificados. A plataforma removeu os conteúdos após a notificação.
Segundo a Advocacia-Geral da União, as notificações extrajudiciais desse tipo estão relacionadas ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas diante de conteúdos ilegais publicados por usuários.
O entendimento foi firmado em junho de 2025, durante o julgamento de questões relacionadas ao Marco Civil da Internet.


