TECNOLOGIA
Inteligência artificial se torna formadora de opinião e desafia reputação das marcas
Avaliação é de Fábio Santos, CEO da CDN Comunicação e presidente da Abracom


A inteligência artificial passou a influenciar a maneira como as pessoas conhecem, avaliam e formam opiniões sobre empresas e marcas. Com o avanço das ferramentas generativas, essas plataformas também se tornaram um novo público de interesse para a comunicação corporativa. A avaliação é de Fábio Santos, CEO da CDN Comunicação e presidente da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), em entrevista ao A TARDE.
“Hoje, as pessoas vão às inteligências artificiais perguntar coisas. E, portanto, as IAs passaram a ser influenciadoras e formadoras de opinião. Cada vez mais as pessoas confiam nas IAs para se informar, para ter uma visão sobre determinado fato, sobre determinada marca”, afirma.
Para o executivo, essa mudança representa um novo desafio para as empresas, que precisam compreender que a comunicação não deve estar voltada apenas à divulgação de produtos e à conquista de consumidores. A construção de reputação também precisa fazer parte da estratégia dos negócios.
“São duas coisas que se complementam – a comunicação para a venda e a comunicação para a construção de reputação. Essas duas coisas se alimentam”, explica.

Coerência na comunicação
Na avaliação de Santos, um dos caminhos para que as marcas sejam reconhecidas pelas ferramentas de inteligência artificial é manter uma comunicação coerente em todos os canais. Isso inclui sites, redes sociais e outros espaços em que as empresas apresentam seus produtos, serviços e posicionamentos.
“Em segundo lugar, a inteligência artificial obriga que a comunicação das empresas, das instituições de uma maneira geral, dos governos também, seja muito coerente”, diz.
O especialista também destaca a importância de produzir conteúdos que respondam às dúvidas do público. Segundo ele, as perguntas frequentes podem ajudar as ferramentas de IA a encontrar informações sobre determinada marca e utilizá-las na elaboração de respostas.
“As inteligências artificiais gostam muito de conteúdos que as ajudem a responder perguntas. Um conteúdo muito útil para as inteligências artificiais são aquelas perguntas mais frequentes”, afirma.
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Imprensa e credibilidade
Outro ponto destacado pelo presidente da Abracom é o papel da imprensa na construção da reputação das empresas e na circulação de informações utilizadas pelas ferramentas de inteligência artificial.
Segundo Santos, os veículos jornalísticos estão entre as fontes consultadas pelas plataformas, que buscam conteúdos aos quais atribuem credibilidade e legitimidade.
“Porque a inteligência artificial, para te dar uma resposta, vai buscar conteúdos para os quais atribui credibilidade e legitimidade”, explica.
Ele cita o histórico do A TARDE como um exemplo da relevância da credibilidade jornalística nesse cenário. Para o especialista, a presença das marcas na imprensa deve estar alinhada à estratégia de comunicação e aos valores que desejam transmitir.
“À marca, não interessa estar em qualquer lugar, em qualquer pauta. Interessa estar nos veículos e nas pautas que têm consistência com o caminho estratégico escolhido para construção da sua reputação”, conclui.


