TURISMO
Cidade histórica guarda mais de 80 cachoeiras e uma festa centenária
Região combina arquitetura colonial, cultura popular e natureza


Há lugares onde a história aparece no caminho antes mesmo de chegar a um museu. Em uma antiga cidade do interior de Goiás, pedras usadas nas ruas, igrejas erguidas durante o ciclo do ouro e casarões preservados dividem espaço com trilhas, serras e águas de cachoeira.
Pirenópolis mantém parte da paisagem construída a partir do século XVIII e, ao mesmo tempo, conserva manifestações culturais que continuam presentes no calendário local. A cidade também é cercada por áreas de cerrado e pelos cenários das serras dos Pireneus.
Entre os atrativos estão as Cavalhadas, a Festa do Divino Espírito Santo, construções históricas, propriedades rurais e mais de 80 cachoeiras catalogadas. O roteiro permite alternar caminhadas pelo centro histórico com passeios por áreas naturais.
Como surgiu o centro histórico de Pirenópolis?
A origem da cidade remonta a 1727, quando garimpeiros comandados por Manoel Rodrigues Tomás fundaram, às margens do Rio das Almas, o arraial de Minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte.
A exploração do ouro utilizava mão de obra de pessoas escravizadas e indígenas da região. A primeira rua foi aberta para conectar uma pousada ao garimpo, enquanto o núcleo urbano cresceu inicialmente no entorno da Igreja Matriz.
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Com a construção de novos templos, o povoado se expandiu. Parte dessa configuração sobreviveu porque o crescimento econômico posterior não ocorreu em ritmo suficiente para substituir as construções erguidas durante o período do ouro.
O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Pirenópolis foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1990. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, cuja construção começou entre 1728 e 1732, havia sido tombada individualmente em 1941.
Em 2002, um incêndio destruiu grande parte do interior da igreja. O episódio deu início a um longo processo de restauração que contou com a participação da comunidade.
O que são as Cavalhadas de Pirenópolis?
A tradição está ligada à Festa do Divino Espírito Santo, realizada na cidade desde 1819 durante o período de Pentecostes. A programação se estende por quase 30 dias e reúne folias, novenas, alvoradas e rituais realizados na área urbana e na zona rural.
Em 2010, a celebração foi reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil.
As Cavalhadas ocupam o centro da programação. Desde 1826, cavaleiros caracterizados como mouros e cristãos encenam batalhas medievais a cavalo durante três dias.
A festa também tem a participação dos Mascarados, personagens que usam máscaras de bois, caveiras e monstros. Eles percorrem as ruas a pé ou montados e interagem com o público durante a celebração.
Quais cachoeiras conhecer em Pirenópolis?
Além do patrimônio histórico, a região reúne mais de 80 cachoeiras catalogadas. Trilhas e estradas de terra levam a diferentes áreas de banho, com percursos que variam entre níveis leve e moderado.
Entre as opções estão:
- Cachoeira do Abade: tem uma queda de 28 metros, poços para banho, mirantes e circuito de trilha de 2,5 km. O local também possui restaurante e salva-vidas.
- Cachoeira Santa Maria: fica na Reserva Ecológica Vargem Grande, a 11 km do centro. A área de banho tem água cristalina e pode ser alcançada por uma trilha de 500 metros.
- Cachoeira Bonsucesso: reúne diferentes quedas ao longo do mesmo percurso e é procurada por famílias.
- Cachoeira Meia Lua e Usina Velha: formam uma sequência de quedas entre formações rochosas, com áreas de banho.
- Cachoeira dos Dragões: fica em uma propriedade particular e mantém uma área natural com visitação controlada.
O que conhecer no centro histórico?
As ruas de pedra quartzítica concentram parte dos principais pontos históricos de Pirenópolis e podem ser percorridas a pé.
Nos fins de semana, a Rua do Lazer é fechada para veículos e reúne bares e restaurantes com apresentações de música ao vivo. Próxima dali, a Ponte sobre o Rio das Almas foi construída entre 1899 e 1903, com estrutura de madeira apoiada sobre uma base de pedra.

O percurso também passa pelo Theatro Sebastião Pompeu de Pina, construído em 1889, e pela Igreja do Monte do Carmo, de 1750. O templo abriga o Museu de Arte Sacra.
Fora do núcleo central, a Fazenda Babilônia preserva um casarão de adobe e muros de pedra construídos por pessoas escravizadas no século XIX. A propriedade foi tombada pelo IPHAN em 1965 e também oferece o Café Sertanejo, com preparos associados à culinária regional.
O que comer em Pirenópolis?
A gastronomia local reúne receitas tradicionais de Goiás e ingredientes do cerrado. Entre os pratos encontrados na cidade estão o empadão goiano e a galinhada com pequi.
O empadão é recheado com ingredientes como frango, linguiça, guariroba e queijo. A galinhada combina arroz, frango caipira e pequi.
Pamonhas de sal e de doce também fazem parte do roteiro gastronômico e podem ser encontradas em barracas e restaurantes. Há ainda doces artesanais preparados com leite, baru e frutas do cerrado.
Na produção de cervejas artesanais, a Cervejaria Santa Dica e a Cervejaria Casarão produzem rótulos locais.
Qual é a melhor época para visitar as cachoeiras?
O período seco, entre maio e setembro, favorece trilhas e passeios por cachoeiras que possuem acessos mais difíceis.
Durante a estação chuvosa, as quedas d'água ficam mais volumosas e a vegetação ganha mais verde. Em contrapartida, algumas estradas de terra podem ficar comprometidas pelas condições do período.
Como chegar a Pirenópolis?
A cidade fica a 150 km de Brasília e a 120 km de Goiânia e possui acesso por rodovias asfaltadas.
Partindo de Brasília, uma das rotas utilizadas passa pela BR-070 até a ligação com a BR-414, seguindo por Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás. De Goiânia, o caminho segue pela BR-153 até Anápolis e continua pela GO-338.
Para quem pretende visitar as cachoeiras, o aluguel de carro facilita os deslocamentos entre o centro e as áreas rurais. A localização também permite combinar a passagem pela cidade com outros destinos do interior de Goiás.
O que Pirenópolis oferece em um mesmo roteiro?
A cidade reúne diferentes períodos e manifestações em uma mesma viagem. No centro, igrejas, casarões e ruas de pedra preservam parte da história iniciada com a exploração do ouro no século XVIII.
Ao longo do ano, tradições como a Festa do Divino Espírito Santo e as Cavalhadas mantêm manifestações culturais associadas à identidade local. Nos arredores, trilhas, serras e cachoeiras acrescentam uma dimensão natural ao roteiro.
Essa combinação permite percorrer construções históricas durante o dia, conhecer manifestações populares e, em outro momento, seguir pelas estradas que levam às áreas de cerrado e às quedas d'água da região.


