TURISMO
Cidade mais fria do Nordeste esconde um dos melhores cafés do Brasil
A 1.268 metros de altitude, Piatã ganhou destaque pela qualidade dos grãos


Em meio à imagem do Nordeste marcada por praias, sol e altas temperaturas, Piatã, na Chapada Diamantina, chama atenção pelo clima frio e pela produção de cafés especiais. A cidade, a 1.268 metros de altitude, recebeu reconhecimento internacional pela qualidade do grão produzido na região.
Localizada entre a Serra da Tromba e a Serra da Santana, Piatã ocupa um platô a 1.268 metros acima do nível do mar. Segundo a prefeitura, a altitude faz do município o mais alto e frio da Bahia e de todo o Nordeste.
O clima é classificado como tropical de altitude, com temperaturas mais baixas principalmente durante a madrugada. O relevo montanhoso também favorece a retenção de umidade e contribui para a formação de neblina baixa, campos e noites frias.
A paisagem contrasta com o cenário que muitos visitantes associam ao interior nordestino. Mesmo em uma região conhecida pelo calor, Piatã reúne condições climáticas próprias de áreas serranas e pode ser acessada por estrada a partir de diferentes pontos do sertão baiano.
O que a Denominação de Origem mudou para o café da Chapada?
A produção de café da região ganhou um novo reconhecimento em 2024, quando a Chapada Diamantina recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a Indicação Geográfica na modalidade Denominação de Origem (DO) para o café.
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Foi o primeiro reconhecimento desse tipo concedido à Bahia e abrange 24 municípios da Chapada Diamantina, entre eles Piatã. A certificação considera características naturais e fatores humanos relacionados à produção local.
Entre as práticas reconhecidas está a técnica de cobertura dos terreiros de secagem, utilizada para proteger os grãos da chuva sem impedir a circulação do ar. O método contribui para uma bebida mais encorpada, com características sensoriais associadas a chocolate e nozes.
A Denominação de Origem estabelece uma relação entre a qualidade do produto e o território onde ele é produzido, seguindo uma lógica de valorização semelhante à aplicada a alimentos e bebidas tradicionais de diferentes regiões do mundo.
Quantos dos melhores cafés do Brasil saem de Piatã?
A qualidade dos grãos produzidos no município também aparece nos resultados do Cup of Excellence, concurso organizado pela Alliance For Coffee Excellence (ACE).
Na edição brasileira de 2022, o primeiro lugar ficou com a Fazenda Tijuco, em Piatã, do produtor Antônio Rigno de Oliveira Filho. O café recebeu 91,41 pontos em uma escala de 100.
O segundo lugar também foi para um produtor do município. O Sítio Bonilha, de Maridalton Silva Santana, alcançou 90,59 pontos.
Ao todo, seis dos dez cafés mais bem pontuados naquela edição eram produzidos na região da Chapada Diamantina. Entre os grãos cultivados estão variedades como Catuaí e Catucaí, que aparecem entre os cafés avaliados nas competições de qualidade.
Onde fica o ponto mais alto do Nordeste?
Apesar de Piatã ser conhecida pela altitude, o ponto mais alto do Nordeste fica na mesma região da Chapada Diamantina. Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o Pico do Barbado chega a 2.033 metros de altitude, sendo considerado o ponto culminante da região Nordeste.
O pico está dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Barbado, unidade de conservação com 63.652 hectares.
A área se estende por seis municípios:
- Abaíra
- Érico Cardoso
- Jussiape
- Piatã
- Rio de Contas
- Rio do Pires
A combinação de altitude, montanhas, temperaturas baixas e produção de cafés especiais transformou Piatã em um dos destinos que ajudam a revelar uma faceta menos conhecida da Bahia: a de uma região serrana onde o frio e as características do território influenciam diretamente a agricultura.


