TURISMO
Parque em cidade do interior supera a Disney e vira o 3º melhor no mundo
Parque teve 1,95 milhão de visitas, empatou em 3º no mundo


Um parque aquático do interior de São Paulo conseguiu um feito que chama a atenção no turismo mundial: recebeu mais visitantes em 2025 do que cada um dos dois parques aquáticos da Disney que aparecem no ranking global. Localizado em Olímpia, o Thermas dos Laranjais registrou 1,95 milhão de visitas e empatou na terceira posição entre os parques aquáticos mais visitados do planeta.
O resultado coloca o empreendimento brasileiro à frente de atrações tradicionais dos Estados Unidos, da Europa e do Oriente Médio. Os dados são da Themed Entertainment Association (TEA), associação internacional do setor de entretenimento temático, que divulgou o levantamento referente a 2025.
O desempenho também destaca o peso do Brasil no segmento. Além do Thermas dos Laranjais, outros dois empreendimentos nacionais aparecem entre os 15 primeiros colocados da lista apresentada: o Hot Park, em Rio Quente, Goiás, e o Hot Beach, também em Olímpia.
Ao todo, os 20 parques aquáticos mais visitados do mundo somaram 31,151 milhões de entradas em 2025, uma alta de 1,7% em relação ao ano anterior.
Parque brasileiro empata com atração alemã
O Thermas dos Laranjais dividiu a terceira posição mundial com o Therme Erding, da Alemanha. Os dois registraram 1,95 milhão de visitas, mas apresentaram ritmos diferentes de crescimento.
Enquanto o parque brasileiro aumentou o público em 5,4%, o empreendimento alemão teve avanço de 2,1%.
O ranking é liderado pelo Chimelong Water Park, em Guangzhou, na China, com 2,563 milhões de visitas. Mesmo na primeira posição, a atração registrou queda de 8,8% em comparação com 2024.
Em segundo lugar aparece o Aquaventure World, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com 2 milhões de visitas.
Já os parques aquáticos da Disney ficaram atrás do representante brasileiro. O Disney's Typhoon Lagoon, nos Estados Unidos, contabilizou 1,762 milhão de entradas, enquanto o Disney's Blizzard Beach registrou 1,35 milhão.
Confira os parques e os números de visitação apresentados no ranking mundial de 2025:
- 1º — Chimelong Water Park (China): 2,563 milhões de visitas;
- 2º — Aquaventure World (Emirados Árabes Unidos): 2 milhões;
- 3º — Thermas dos Laranjais (Brasil): 1,95 milhão;
- 3º — Therme Erding (Alemanha): 1,95 milhão;
- 5º — Aquaventure at Atlantis Paradise Island (Bahamas): 1,79 milhão;
- 6º — Disney's Typhoon Lagoon (Estados Unidos): 1,762 milhão;
- 7º — Therme Bucharest (Romênia): 1,7 milhão;
- 8º — Universal Volcano Bay (Estados Unidos): 1,6 milhão;
- 8º — Siam Park (Espanha): 1,6 milhão;
- 10º — Aquaventure Waterpark (China): 1,55 milhão;
- 11º — Hot Park Rio Quente (Brasil): 1,475 milhão;
- 12º — Aquatica Orlando (Estados Unidos): 1,4 milhão;
- 13º — Disney's Blizzard Beach (Estados Unidos): 1,35 milhão;
- 14º — Hot Beach (Brasil): 1,336 milhão;
- 15º — Rulantica (Alemanha): 1,28 milhão.
O levantamento foi feito a partir do ranking mundial de parques aquáticos de 2025, fornecido pela Themed Entertainment Association (TEA).

Como o Thermas dos Laranjais chegou ao topo
A trajetória do Thermas dos Laranjais começou em 1987, quando o empreendimento foi fundado como um clube social em Olímpia, no interior paulista. Com a exploração turística das águas quentes subterrâneas da região, a cidade passou a atrair visitantes interessados em piscinas termais e atividades de lazer.
A estrutura cresceu ao longo dos anos e se transformou em um parque com mais de 60 atrações. Para acompanhar o fluxo de turistas, o empreendimento passou a investir em piscinas, toboáguas e equipamentos capazes de atender milhares de pessoas diariamente.
Os números mostram a evolução recente da visitação. Em 2024, o parque recebeu 1,85 milhão de visitantes. No ano seguinte, chegou a 1,95 milhão, um acréscimo de 100 mil entradas.
A expansão, porém, esbarra na limitação de espaço dentro da área atual. Uma das estratégias adotadas pelo empreendimento é investir em atrações de grande porte, como o Nações, complexo de toboáguas com 33 metros de altura que recebeu investimento de R$ 61 milhões.
De acordo com a TEA, o parque também tem um plano de expansão de 15 anos, com mais de R$ 300 milhões em investimentos previstos. A proposta de longo prazo envolve ampliar a operação e desenvolver alternativas para sustentar o crescimento do turismo em Olímpia.
Hot Beach registra maior crescimento entre os brasileiros
Embora tenha ficado atrás do Thermas dos Laranjais em número de visitantes, o Hot Beach apresentou o maior crescimento percentual entre os três parques brasileiros listados entre os 15 primeiros do ranking mundial de parques aquáticos.
O empreendimento passou de 1,122 milhão de visitas em 2024 para 1,336 milhão em 2025. A diferença de 214 mil entradas representa um aumento de 19,1%, que levou o parque à 14ª posição mundial.
Inaugurado em 2017, o Hot Beach integra o Grupo Ferrasa, empresa que começou no setor de construção civil e posteriormente ampliou a atuação para o turismo. Atualmente, o complexo reúne o parque aquático e quatro resorts em Olímpia.
A expansão da hospedagem acompanha o aumento da visitação. Em 2025, o grupo registrou receita de R$ 680 milhões e projeta alcançar R$ 750 milhões em 2026. Os valores correspondem aos negócios do grupo, e não apenas à bilheteria do parque.
O próximo passo é a construção de um quinto resort. A primeira fase tem previsão de começar a operar no início de 2027, com cerca de 330 apartamentos. Quando as três etapas forem concluídas, o empreendimento deverá ultrapassar 800 unidades.
A meta é superar 2 mil apartamentos em Olímpia. Segundo o relatório da TEA, o Hot Beach tem mais de R$ 530 milhões em investimentos planejados até 2031. Em entrevista à EXAME, o grupo também detalhou um plano de aproximadamente R$ 450 milhões para o período de 2027 a 2031, incluindo multipropriedade, parque e novos negócios.

Hot Park mantém presença entre os maiores do mundo
O terceiro representante brasileiro é o Hot Park, localizado em Rio Quente, Goiás. O empreendimento registrou 1,475 milhão de visitas em 2025, contra 1,427 milhão no ano anterior.
O crescimento de 3,4% manteve o parque na 11ª posição mundial. O negócio pertence à Aviva, grupo que também administra resorts e outras operações turísticas.
A história do Hot Park está ligada à descoberta de águas naturalmente quentes em uma propriedade rural goiana. Ao longo das décadas, a região se consolidou como destino turístico, com atrações aquáticas e uma estrutura de hospedagem voltada aos visitantes.

Brasil ocupa seis das dez primeiras posições na América Latina
A presença brasileira ganha ainda mais força quando o levantamento considera a América Latina e o Caribe. Dos dez parques aquáticos mais visitados da região em 2025, seis estão no Brasil.
Quatro ficam no interior de São Paulo, um em Goiás e outro no Ceará. Juntos, os seis empreendimentos brasileiros somaram 7,4 milhões de visitas, cerca de 62% do público registrado pelos dez parques do ranking regional.
Confira a lista regional:
- Thermas dos Laranjais (Olímpia, SP);
- Aquaventure at Atlantis Paradise Island (Bahamas);
- Hot Park (Rio Quente, GO);
- Hot Beach (Olímpia, SP);
- Parque Aquático Xocomil (Guatemala);
- Beach Park (Aquiraz, CE);
- Hacienda Nápoles (Colômbia);
- Thermas Water Park (São Pedro, SP);
- Piscilago (Colômbia);
- Magic City Water Park (Suzano, SP).
Outro destaque brasileiro é o Beach Park, em Aquiraz, no Ceará. O empreendimento aumentou a visitação em 16,5%, passando de 850 mil entradas em 2024 para 990 mil em 2025.
O resultado veio no mesmo ano em que o parque inaugurou o Surreal, uma montanha-russa aquática da categoria Master Blaster. Nesse tipo de atração, a água impulsiona as boias ao longo do percurso. O brinquedo entrou em operação em março de 2025.
Em São Pedro, também no interior paulista, o Thermas Water Park registrou 932 mil visitas, crescimento de 3,6%.
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Parques aquáticos crescem mais na América Latina
O contraste entre os resultados mundiais e regionais também chama a atenção. Enquanto os 20 maiores parques aquáticos do mundo registraram crescimento de 1,7% em 2025, os dez principais da América Latina e do Caribe avançaram 13,9%, segundo a TEA.
Na análise que acompanha o levantamento, a associação relaciona o desempenho regional à demanda por lazer, à recuperação do turismo e aos investimentos em atrações, áreas temáticas e hotéis.
O cenário abre espaço para empreendimentos que conseguem ampliar a oferta de experiências e prolongar a permanência dos visitantes. Nesse modelo, a construção de novos brinquedos é apenas uma parte da estratégia: hotéis e resorts ajudam a manter o turista no destino por mais tempo e ampliam as possibilidades de consumo.
Mas a expansão também exige investimentos elevados. Para parques como Thermas dos Laranjais, Hot Park e Hot Beach, o desafio é transformar o aumento da visitação em receita suficiente para sustentar novas atrações, hospedagem e serviços.








