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Pode dar comida para mico? Entenda o que acontece com o animal
Descubra quais os riscos aos animais e à natureza

Em praças, parques ou até mesmo nas ruas, a presença dos pequenos macacos, conhecidos como micos ou saguis, é frequente em algumas regiões da capital baiana. O hábito de alimentar esses animais de maneira imprópria, porém, pode prejudicar o comportamento natural da espécie.
Ao A TARDE, o biólogo Francisco Kelmo explica que os humanos não podem alimentar os animais de maneira deliberada porque os “saguis podem perder o instinto predatório e de forrageio, tornando-se dependentes do alimento fornecido por humanos”.
“Quando essa oferta cessa, os animais desenvolvem comportamento agressivo e invasivo, por exemplo invadindo residências em busca de comida”, destacou o biólogo.
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Quais riscos sofrem os animais?
Ao oferecer alimentos inadequados, como os ultraprocessados, o metabolismo dos animais podem ser afetados e causar doenças como obesidade, diabetes e colesterol alto, além de problemas digestivos.
Também existe o risco da transmissão de doenças humanas para os animais, como a herpes simplex. Mesmo sendo inofensiva para os humanos, pode ser fatal para primatas.
Além dos animais, a natureza também pode ser afetada pela alimentação deliberada. Segundo o biólogo, o alimento fácil favorece o aumento da densidade populacional e da taxa de reprodução, gerando superpopulações difíceis de controlar.
“Alimentar esses animais pode aumentar a população da espécie exótica, que vai se reproduzir mais e ameaçar espécies nativas. Ou seja, o gesto aparentemente inofensivo alimenta um desequilíbrio ecológico que ameaça a biodiversidade local”, alertou.
Humanos correm riscos ao oferecer alimentos aos animais?
Além de riscos aos animais, o hábito de oferecer alimentos aos animais podem causar riscos aos humanos, sendo o mais grave a transmissão de raiva.
Os animais são reservatórios naturais do vírus da raiva, presente na saliva e transmissível por mordedura. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2024 foram registrados 48 casos de raiva humana no Brasil, sendo seis causados por primatas não-humanos.
Além da raiva, o contato próximo expõe a outras zoonoses como toxoplasmose, leishmaniose, leptospirose, febre amarela, herpes, hepatite, varíola dos macacos e várias parasitoses.
“A semelhança genética entre primatas humanos e não humanos permite via dupla de contaminação onde humanos contaminam saguis e vice-versa. Por serem primatas é muito mais fácil haver vírus que infectam ambas as espécies”, explicou o biólogo ao A TARDE.

Também existe o risco físico, onde os animais condicionados à alimentação humana podem morder ou arranhar ao tentar subtrair alimento, e mesmo ao tentar fotografar, o animal acuado pode atacar.
Como ajudar os micos?
Em caso de um desses animais seja encontrado em situação vulnerável, o especialista afirma que deve-se “observar à distância e acionar as autoridades competentes".
“A convivência com esses animais deve ser meramente contemplativa, sem aproximação, contato ou fornecimento de alimentos”, afirmou.
Entre as recomendações incentivadas pelo biólogo estão:
- Manter distância do animal e não oferecer alimento ou água;
- Observar se outros saguis aparecem nas proximidades. Muitas vezes um filhote "sozinho" está sendo monitorado pelos pais, que permanecem escondidos aguardando oportunidade segura de retornar.
- Impedir a aproximação de cães e gatos, que podem ferir ou estressar o animal.
- Acionar os órgãos ambientais em caso de ferimentos, doença ou risco evidente, como Guarda Municipal, Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou Ibama.
- Nunca levar o animal para casa, pois além de ser crime ambiental, o animal criado em ambiente doméstico perde comportamentos essenciais de alimentação, defesa e convivência, dificultando o retorno à vida livre.



