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Projeto é inspirado numa experiência de sucesso no bairro Comuna 13, na cidade de Medellín, na Colômbia

SALVADOR 4.7.7 ANOS

Trânsito costurado: Salvador estuda 'escada rolante gigante' para conectar bairro

VLT, teleférico, escada rolante gigante: capital vira centro de experimentos de diferentes meios de transporte

Projeto é inspirado numa experiência de sucesso no bairro Comuna 13, na cidade de Medellín, na Colômbia - Foto JOAQUIN SARMIENTO / AFP

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Anderson Ramos

Por Anderson Ramos

26/03/2026 - 8:01 h | Atualizada em 26/03/2026 - 10:31

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Salvador tem experimentado mudanças significativas no transporte público nos últimos anos. Seja através do metrô, BRT (Bus Rapid Transit) ou ciclovias, a população soteropolitana não depende apenas dos tradicionais ônibus para se locomover. E se hoje os modais já são múltiplos, um futuro não tão distante assim aponta para muito mais.

Na quinta parte da série especial "Salvador 4.7.7 — A Capital do Futuro", o portal A TARDE traz como tema os desafios e as novidades previstas para a mobilidade na capital baiana. A reportagem conversou com representantes do poder público e com especialistas independentes que traçaram um panorama sobre o setor.

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Além de trazer projetos que já estão em execução e outros que ainda não saíram do papel, a exemplo de uma curiosa "escada rolante gigante", a reportagem traz também a perspectiva de estudiosos da área que apontam os caminhos para uma mobilidade mais justa e sustentável, para além das grandes obras que estão em andamento na cidade.

Revolução nos trilhos

Com mais de 60% das obras concluídas em seu primeiro trecho - que liga a Calçada até Ilha de São João,em Simões Filho - o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) será o próximo modal de grande porte a ser entregue para Salvador. O início da operação desta primeira parte, denominada Lote I, com 16,6 quilômetros de extensão, está prevista para ser entregue à população ainda no segundo semestre deste ano. Neste trecho ainda será construída uma extensão da Calçada até o bairro do Comércio de 3,58 quilômetros.

O projeto ainda é composto por outros dois trechos que também já estão em obras:

  • Lote II - Paripe–Águas Claras - com 9,2 quilômetros e 40% de execução;
  • Lote III - Águas Claras - Piatã - com 10,52 quilômetros e 3% de avanço.

Em breve, uma nova extensão deve começar a ser construída. O presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), Eracy Lafuente, informou em primeira mão para a reportagem que a licitação para escolha da empresa que ficará responsável pela expansão leste, que liga a Baixa do Fiscal ao Retiro, deve ser publicada até o início de abril. A previsão é de que ainda no primeiro semestre as obras tenham início.

“Serão cerca de R$ 700 milhões investidos. A gente está fazendo o VLT e mais a revitalização da drenagem na São Martin, que sempre fica alagado. Nós estamos fazendo duas galerias de três metros e meio, que dá uma sessão de sete metros e nesse lugar nós vamos fazer três pistas. Será também mais uma ligação com o metrô, que ao todo serão três: Retiro, Águas Claras e Bairro da Paz
Eracy Lafuente, presidente da Companhia de Transportes da Bahia (CTB)

O presidente da CTB também revelou ao portal A TARDE que vai encomendar um estudo de R$ 16 milhões com uma universidade da Espanha para avaliar a viabilidade da reativação da antiga Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco (EFBSF), ferrovia de 600 quilômetros que conectava Salvador a Juazeiro, no norte da Bahia.

“Esse é um investimento para a região de Salvador e é o futuro que a gente quer entregar. O futuro que a gente quer ver é a ligação de Salvador com a Região Metropolitana, passando por Simões Filhos, Dias D'Ávila e Camaçari, que futuramente vai ligar com a Transnordestina”, disse Eracy.

Metrô vai mudar a cara do Campo Grande

Ainda falando de transporte sobre trilhos, a expansão do metrô até o Campo Grande é outra obra que já está em andamento e que trará uma grande mudança. O projeto que a reportagem teve acesso, mostra que a CTB planeja levar um conjunto de intervenções que vão mudar a cara do bairro e do seu entorno, com a inserção de diversos equipamentos, tais como:

  • Passarela de pedestres no Vale do Canela;
Passarela fará a ligação direta entre o Vale do Canela, UFBA e o
bairro da Graça; extensão aproximada do equipamento será de 480m, com rampas contínuas e
acessíveis.
Passarela fará a ligação direta entre o Vale do Canela, UFBA e o bairro da Graça; extensão aproximada do equipamento será de 480m, com rampas contínuas e acessíveis. | Foto: Reprodução / CTB
  • Elevador que liga o Largo dos Aflitos e Av. Contorno;
Torre terá 39 metros e fará ligação  do Largo dos Aflitos à Av. Contorno e aos Arcos
da Gamboa.
Torre terá 39 metros e fará ligação do Largo dos Aflitos à Av. Contorno e aos Arcos da Gamboa. | Foto: Reprodução / CTB
  • Plano Inclinado, ligando os arcos da Gamboa à comunidade Gamboa de Baixo
Palano inclinado da Gamboa ficará localizado no trecho final entre Arcos da Gamboa e a orla.
Palano inclinado da Gamboa ficará localizado no trecho final entre Arcos da Gamboa e a orla. | Foto: Reprodução / CTB

A futura estação do Campo Grande, que faz parte do chamado Tramo IV do metrô de Salvador, terá 1,5 km de extensão, fazendo com que o sistema de metrô Salvador-Lauro de Freitas se aproxime dos 40 km, sendo o segundo maior do país, atrás apenas de São Paulo.

O traçado começa na Estação da Lapa, passando por baixo da Avenida Joana Angélica e do Politeama, em direção ao Campo Grande.

O valor global estimado para todo o investimento na construção desse equipamento é de mais de R$ 1,1 bilhão. Essa expansão ficará a cargo do Consórcio Expresso 2 de Julho, formado pelas empresas Álya Construtora, OECI (Odebrecht), Metrô Engenharia e MPE Engenharia, vencedor da licitação.

“Esses investimentos se traduzem em tempo em casa, conforto, satisfação, possibilidade de um vetor de desenvolvimento socioeconômico. A gente está fazendo não só mobilidade, estamos fazendo uma segunda onda de urbanização. Depois disso, nós vamos, junto com vários atores, convidá-los para eles olharem para isso e investirem. Isso necessita de planejamento não só do Estado, mas também do município e do mundo privado’, exaltou Eracy.

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Expansão do BRT e teleférico

O BRT de Salvador deve ser expandido e passar por uma importante transformação. A prefeitura planeja duas novas frentes para o modal:

  • Um trecho que liga a Estação Pirajá até a orla através das Avenidas Gal Costa e Pinto de Aguiar;
  • Ligação Pituba Aeroporto de Salvador através da orla da capital através do BRS (Bus Rapid Service) que consiste e reservas faixas preferenciais para ônibus.

O secretário de Mobilidade, Pablo Souza, detalha que o trecho entre Pirajá e a orla é um projeto feito em parceria com o Governo do Estado e serão construídas 13 novas estações.

“A gente está finalizando o projeto executivo das estações. Na matriz de responsabilidade que a prefeitura fez junto com o Estado, o Estado vai construir as estações e a prefeitura vai operar e vai entregar os ônibus para poder fazer essa operação”, explicou.

Outra aposta da Prefeitura de Salvador é o Teleférico do Subúrbio. O modal conectará bairros como Praia Grande, Pirajá, Campinas de Pirajá e a região do Mané Dendê ao metrô, em um trajeto de 4,3 quilômetros, com quatro estações.

Vista do sistema de teleférico do bairro Comuna 13 em Medellín, quqe serviu de modelo para a Prefeitura de Salvador.
Vista do sistema de teleférico do bairro Comuna 13 em Medellín, quqe serviu de modelo para a Prefeitura de Salvador. | Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Em fevereiro, interlocutores da gestão municipal se reuniram com representantes do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) para debater um estudo sobre modelos de negócios para a gestão do projeto. A previsão é de que as obras durem três anos.

A construção do teleférico terá um investimento previsto de US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões, na cotação atual).

Escada rolante gigante na favela

Uma novidade anunciada em primeira por Pablo ao portal A TARDE é o estudo de viabilidade para a construção de uma escada rolante gigante no bairro do Vale das Pedrinhas. O projeto é inspirado numa experiência de sucesso no bairro Comuna 13, na cidade de Medellín, na Colômbia, que envolve não apenas mobilidade, mas também inclusão social.

“Nove a cada 10 turistas que vão a Medellín vão conhecer a Comuna 13. Entre os lances de escada rolante, você tem mercadinho, farmácia, centro comunitário, barbearia… tudo isso da comunidade local, que se prepara para receber esses turistas e ter essas oportunidades de renda”, diz Pablo.

A Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) já está se debruçando no projeto executivo e existe a expectativa de que o projeto seja licitado já no ano que vem.

É um projeto interessante e se a gente conseguir encaixar ele bem, acho que tem potencial inclusive de a gente estudar em outras áreas da cidade
Pablo Souza , titular da Semob

Veja imagens do equipamento modelo em Medellin:

Imagem ilustrativa da imagem Trânsito costurado: Salvador estuda 'escada rolante gigante' para conectar bairro
| Foto: JUAN BARRETO /AFP

“Carrocracia”

Não é apenas de grandes obras que uma mobilidade sustentável deve se ancorar. Na avaliação de especialistas ouvidos pela reportagem, é preciso ainda muito mais para que o transporte público de Salvador seja considerado uma referência para outras capitais.

“Dizer que Salvador é um modelo de mobilidade eu discordo muito. Com base em quê? Com quais indicadores de qualidade do transporte é possível afirmar isso? Tempo de viagem, roubo a ônibus, acessibilidade aos pontos de parada, abrigo para ônibus, o custo da tarifa. Tem uma série de indicadores que são ruins para o transporte público de passageiros e que não servem de modelo para nenhuma cidade”, comentou o doutor em urbanismo e professor da Ufba, José Lázaro de Carvalho Santos.

Já para o doutor em Urbanismo, mestre em Banco de Dados, professor no IFBA e membro do Observatório da Mobilidade Urbana de Salvador, Pablo Florentino, é preciso que o poder público tenha coragem para acabar de uma vez com a política de mobilidade que prioriza os veículos individuais, a qual ele chama de “carrocracia”.

“A gestão municipal e a gestão estadual priorizam a criação de novos viadutos e de pistas de alta velocidade. Isso vai contra qualquer diretiva de mobilidade sustentável, porque isso só fomenta mais viagens pelo veículo individual motorizado que é o carro. Será que se todo esse recurso fosse mobilizado na melhoria do transporte público coletivo, a gente não teria uma cidade mais acessível, que agregasse mais, que reduzisse o tempo médio de viagem das pessoas? Essa concepção de cidade é que eu chamo de cidade carrocrata, isso é uma carrocracia. Essa concepção de cidade é o que a gente vê na prática”, pontuou.

Ele citou como um bom exemplo a ser seguido uma cidade do Nordeste, que segundo ele, tem chamado atenção do Brasil inteiro por ter adotado soluções ousadas para a mobilidade.

“Fortaleza teve coragem, reduziu todas as velocidades na cidade, investiu fortemente numa infraestrutura cicloviária, é um local que você tem que observar. Hoje, Fortaleza é um exemplo de mobilidade sustentável, porque teve coragem de chegar e mudar esse senso comum de priorizar o transporte individual’, pontuou.

Ciclovias tomaram conta das ruas de Fortaleza (CE).
Ciclovias tomaram conta das ruas de Fortaleza (CE). | Foto: Marcos Moura / Prefeitura de Fortaleza

A revolução nos trilhos e as novas formas de vencer o relevo desafiador de Salvador mostram que a capital busca um ritmo mais ágil, integrado e, sobretudo, humano. Entre as novas estações de metrô e os projetos inspirados em modelos internacionais, como o teleférico e as escadas rolantes, o grande desafio permanece: equilibrar a expansão da infraestrutura com a urgência de uma cidade menos "carrocrata". Se o objetivo final de uma Smart City é devolver o tempo ao cidadão, a mobilidade é a engrenagem que permite a Salvador fluir em direção ao amanhã.

Mas a tecnologia que define a capital aos 477 anos não viaja apenas sobre trilhos ou asfalto: ela também circula em escala microscópica, dentro de laboratórios de ponta que estão salvando vidas ao redor do globo.

Nesta sexta-feira, 27, na sexta reportagem da série especial "Salvador 4.7.7 — A Capital do Futuro", o portal A TARDE revela o DNA Baiano da Cura. Você vai conhecer instituições e pesquisadores em solo soteropolitano, que estão construindo medicamentos mais acessíveis para grandes desafios da saúde global, um movimento que reposiciona a cidade não apenas como polo assistencial, mas como referência na produção de conhecimento e inovação médica.

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