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Era Neymar chega ao fim marcada por melancolia e ‘grife Ancelotti’

Confira artigo sobre fim de ciclo do jogador brasileiro na seleção

Cássio Moreira
Por
| Atualizada em
Neymar chora após derrota para a Noruega na Copa do Mundo
Neymar chora após derrota para a Noruega na Copa do Mundo - Foto: Hakan Akgun | AFP

Foram 130 jogos, 80 gols. Em mundiais, 14 jogos e nove gols. Chegou ao fim a chamada ‘Era Neymar’ na Seleção Brasileira, com a derrota por 2 a 1 para a Noruega, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no último domingo, 5.

A impressão que fica é que Neymar, para quem ama ou para quem odeia, ficou devendo algo a mais nas copas do mundo.

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Sua última participação, encerrada com um triste gol de pênalti nos acréscimos, quando o torcedor brasileiro já havia aceitado a eliminação para os algozes nórdicos, é o resumo perfeito do que foi sua passagem com a camisa mais pesada do futebol: conturbada e melancólica, com um roteiro cheio de altos e baixos.

Desta vez, Neymar ainda contou com a ‘grife Carlo Ancelotti’, do técnico italiano tanto pedido pelos brasileiros. O ‘mister’ relutou em ter o camisa 10 em seu elenco, mas acabou cedendo, com limites.

Aclamado, mas ignorado por Ancelotti

A relação distante com Carlo Ancelotti também é uma marca do fim do seu ciclo como principal ator do futebol brasileiro. Neymar penou para ser notado pelo italiano, que se recusou a lhe devolver o status de protagonista que já durava mais de uma década.

As lesões, claro, colaboraram para a perda de espaço, é preciso ser justo, mas em determinado momento, sua existência parecia mais um problema do que uma solução para o time.

Às vésperas da Copa do Mundo, Neymar era incerteza no grupo de 26 jogadores. Com razão, já que não havia apresentado nada fora da curva em seu primeiro semestre pelo apático Santos. Contou, no entanto, com o lobby dos seus fãs, o que envolve também nomes de peso dentro da imprensa esportiva, que passaram meses com um discurso de que ele tinha que ir para a última dança para assumir o protagonismo que não mais lhe caberia.

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A decisão final de Ancelotti só foi conhecida no dia 18 de maio, com Neymar entre os 26 escolhidos. Enquanto crianças de todo o Brasil choravam emocionadas e aliviadas, os adultos, que entendiam das coisas, questionavam a presença do atleta de 34 anos.

Com a bola rolando, Ancelotti deixou claro que Neymar seria apenas um coadjuvante de luxo no grupo, vendo o posto de referência do time para Vinícius Júnior. O jogador chegou a entrar contra a Escócia, para a alegria dos meninos, mas pouco fez em campo, um sinal claro do seu fim de ciclo pela seleção.

Neymar não entrou em campo contra o Japão, nem poderia entrar. O jogador não estava fisicamente apto a encarar tamanho desafio, como a dramática partida se mostrou, apesar do desfecho positivo para o time de Carlo Ancelotti.

A última dança de Neymar

Atendendo aos apelos dos fãs, Ancelotti colocou Neymar em campo contra a Noruega, já no segundo tempo, quando o apático time ainda empatava em 0 a 0.

O atleta entrou sob gritos dos torcedores brasileiros. Pareciam enxergar nele o Neymar de 16 anos atrás, que encantava todos no Santos. Ou quem sabe aquele Neymar que reinava em Barcelona com Lionel Messi e Luis Suárez.

A verdade é que nenhum deles entrou em campo. Era uma sombra do Neymar que encantou o futebol tempos atrás, sem a mesma agilidade, sem a mesma velocidade, sem assustar os adversários, como era de costume em outros tempos.

Lento, melancólico, triste. Assim foram os últimos minutos da ‘era Neymar’ na Seleção Brasileira. Erling Haaland, que se consolida como um dos grandes jogadores da história do futebol norueguês, encerrou o sonho do hexa com dois gols.

O Brasil, que havia deixado o samba fora de campo para apresentar um futebol bossa-nova, no sentido negativo da expressão, com o perdão a Tom Jobim, achou um pênalti nos últimos segundos de partida.

Neymar, claro, não deixaria passar a oportunidade, precisava transformar sua apagada Copa do Mundo em uma despedida simbólica. Antes de bater, como de praxe, Neymar deixou seus ‘pensamentos intrusivos’ tomarem conta da sua personalidade, batendo boca com o goleiro norueguês.

Quem viu Neymar discutir e não se atentou ao placar, certamente pensou que o Brasil estava ganhando com folga. A provocação não encaixava com o cenário do jogo, nem com o resultado estampado no placar.

Neymar fez o gol, mas nada mudou. Assim, se encerrou a era Neymar na seleção canarinho. Como toda a sua passagem, cheia de altos e baixos, conquistas e fracassos, Neymar deixou um gosto de ‘poderia ser diferente’.

Neymar encerra seu ciclo e ajuda, ao mesmo tempo, a exorcizar o fantasma criado em torno dele. Sem a última dança, ficaria a sensação de que sua passagem pela seleção nunca teve fim.

Nesse jogo tóxico, todo mundo ficou devendo. Apesar dos números, Neymar sequer jogou uma semifinal de Copa do Mundo. A maior competição de futebol também ficou devendo ao craque brasileiro um grande capítulo.

Está encerrada a ‘Era Neymar’ na Seleção Brasileira.

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