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Guerra contra as bets vira bala de prata de Lula no final da eleição

Presidente compra briga e impulsiona debate sobre o tema

Cássio Moreira
Por
Lula compra briga contra as bets
Lula compra briga contra as bets - Foto: Pablo Porciuncula | AFP

A AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 23, mostra que 75% dos brasileiros são contra as chamadas ‘bets’, como são conhecidas as casas de apostas esportivas que funcionam de maneira online. Mais do que isso, o levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) achou a ‘bala de prata’ que precisava na reta final das eleições.

O cenário não é fácil para Lula. De favorito a uma vitória no primeiro turno, o petista passou a amargar números não tão confortáveis nos últimos recortes de intenção de voto. Sua aprovação também oscila, fruto da radicalização da polarização política que toma conta do Brasil nas últimas décadas.

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Nada parecia funcionar: Lula falava sobre soberania, não surtia efeito para os eleitores. Falava sobre terras raras, todos torciam a boca. Caiu no colo do presidente um tema que já estava sob seu radar, mas ainda não havia sido aprofundado.

Claro, o interesse repentino aos 45 do segundo tempo na ofensiva de Lula é puro jogo de eleição em um momento de oscilação e tentativa de conquista dos votos indecisos na queda de braços contra Flávio Bolsonaro (PL).

Para ser justo, porém, o governo Lula tem batido na tecla dos riscos da ludopatia, nome dado ao vício em apostas. O presidente e a equipe econômica do Planalto, encabeçada por Fernando Haddad (PT), foram para cima com medidas que visavam ‘barrar’ o avanço descontrolado das bets.

Assim, o jogo de apostas esportivas foi regulamentado pelo governo petista. Outra aposta do Planalto foi o bloqueio de benefícios sociais dos CPFs de apostadores. Ou você joga, ou você recebe Bolsa Família. As duas coisas juntas, por uma ação de Lula, não caminham mais.

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Nas últimas semanas, Lula comprou a briga e trouxe a bandeira da aniquilação das bets no Brasil. Os clubes de futebol, claro, berraram feito meninos, juraram que o esporte vai acabar sem o patrocínio de tais empresas.

Os torcedores, pelo visto, não concordam com seus clubes. A AtlasIntel mostrou isso, pelo menos, ao escancarar que 75% dos brasileiros defendem a proibição das bets.

A linha de frente de Lula também dobrou a aposta. Favorito a uma das duas cadeiras em jogo no Senado pela Bahia, Rui Costa (PT) fez um discurso parecido no começo desta semana, indo para cima das casas de apostas.

Guerra contra as bets vai eleger Lula?

É difícil que Lula seja reeleito unicamente por causa da briga contra as bets. Essa, no entanto, pode ser a ‘bala de prata’ que o presidente da República precisava para alavancar sua morna campanha na reta final da disputa eleitoral.

Se reeleito, Lula terá, por uma questão moral, que bancar seu discurso na prática, e manter, ou até aumentar, a ofensiva pela proibição das bets. Não seria ético fazer um carnaval em torno de uma discussão tão séria para ganhar votos, mas abandonar o tema para não sofrer em um eventual segundo mandato.

Lula terá que levar essa briga contra o bets até o fim, ainda que sofra um desgaste natural, fruto do peso que o tema exige.

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