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OPINIÃO

PT nacional tem muito o que aprender com a Bahia, mas opta por cegar-se

Picuinha da ala sul-sudestina do PT com lideranças baianas dá os frutos podres colhidos na eleição

Leo Almeida
Por
PT prefere boicotar lideranças baiana e deixa de aprender sobre legado na Bahia
PT prefere boicotar lideranças baiana e deixa de aprender sobre legado na Bahia - Foto: Adriel Francisco

A derrota do PT na eleição presidencial e o desempenho fraco na disputa por cadeiras no Congresso Nacional contrastam de forma quase didática com o que aconteceu na Bahia. Enquanto a sigla encolhia nacionalmente, o diretório baiano elegeu o governador Jerônimo Rodrigues com folga de 12 pontos percentuais sobre ACM Neto — uma das maiores lideranças do estado —, elegeu dois senadores do partido, Rui Costa e Jaques Wagner, e garantia a maior bancada na Assembleia Legislativa da Bahia e na Câmara dos Deputados.

A diferença de resultados não é acidental. O PT baiano construiu uma forma de fazer política que combina militância, municipalismo, governabilidade e pragmatismo quando necessário. O PT nacional, por outro lado, segue preso a um discurso que dialoga com uma bolha ideológica e mantém as mesmas lideranças no comando há anos.

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Não faltam vozes dentro do próprio partido apontando o problema. O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, já declarou publicamente que a direção do partido se comunica apenas com uma "esquerda caviar" e esquece a essência da legenda: os movimentos sindicais e o chão de fábrica.

O deputado federal André Janones (Rede-MG) fez coro. Em vídeos nas redes sociais, criticou a campanha de Lula por não "colocar o dedo na ferida" dos adversários e alertou para o risco de derrota. O alerta se confirmou.

A "esquerda cirandeira" — expressão usada por críticos internos para descrever um discurso que prioriza pautas identitárias e simbólicas em detrimento da comunicação com a base trabalhadora — virou uma armadilha eleitoral. Na Bahia, o PT não caiu nela.

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O que a Bahia fez diferente

O PT baiano conseguiu algo que o diretório nacional não conseguiu: falar com o eleitor que não está na bolha. A campanha de Jerônimo Rodrigues apostou na entrega de obras, na associação com Lula e na capilaridade dos prefeitos aliados. Não ignorou a base ideológica, mas não se limitou a ela.

A escolha de Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado foi parte dessa lógica. Dois ex-governadores com histórico de gestão e aprovação eleitoral, capazes de dialogar com o interior e com setores que não são necessariamente petistas. A chapa puro-sangue, que poderia isolar o partido, foi apresentada como "chapa puro-governador" — uma forma de dizer ao eleitor que ali estavam gestores, não apenas políticos.

O resultado veio: Jerônimo venceu com 12 pontos de vantagem, algo impensável para o PT em estados como São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais.

O boicote à Bahia

O que se observa, no entanto, é uma tentativa histórica da ala sul-sudestina do PT de boicotar as lideranças baianas. O caso mais recente envolve Rui Costa, quando era ministro da Casa Civil. Quantas vezes foram plantadas na imprensa notícias sobre um suposto comportamento "grosseiro" de Rui? Quantas vezes ele foi apontado como responsável por vazamentos que nunca tiveram relação com seu histórico de relação com a imprensa? Se lembram do caso do vazamento do jantar entre Lula, Janja e Xi Jinping?

A leitura que faço é que, aparentemente o PT nacional teme que a Bahia assuma o protagonismo do partido com a iminente aposentadoria de Lula. Em vez de aprender com o case baiano, a direção nacional prefere manter os "dinossauros" no comando e seguir dialogando com a bolha da chamada “esquerda cirandeira”.

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