SUPERLÓGICA NEXT 2026
Carregadores elétricos em condomínios: saiba as regras, limitações e quem paga a conta
Na Bahia, moradores têm direito garantido por lei à instalação em vagas privativas


O avanço dos carros elétricos no Brasil já começa a exigir mudanças na estrutura dos condomínios. Com o aumento da presença desses veículos, a instalação de carregadores nas garagens passa a levantar dúvidas sobre a capacidade da rede elétrica, a necessidade de obras e a forma de dividir os custos entre os moradores.
Para entender os principais desafios dessa adaptação, o portal A TARDE conversou com Omar Branquinho, diretor de Produtos para Moradia do Grupo Superlógica, durante o Superlógica Next 2026, evento voltado aos mercados condominial e imobiliário, realizado em São Paulo. Segundo o executivo, o primeiro ponto a ser analisado antes da instalação é a capacidade de carga do prédio.
“A principal dificuldade que eu enxergo é a questão de análise de carga, porque a carga de pico, ela sobe muito”, explica.
Na Bahia, moradores de condomínios residenciais e comerciais têm o direito garantido por lei de instalar carregadores individuais para veículos elétricos em suas vagas de garagem privativas. A medida foi estabelecida pela Lei nº 15.168/2026, promulgada em junho deste ano.
1. É preciso avaliar a capacidade elétrica
Apesar da previsão legal, a instalação não significa que cada vaga poderá receber automaticamente um carregador. É necessário avaliar quanto a estrutura elétrica do prédio suporta e qual será o impacto do novo equipamento na área comum.
De acordo com Branquinho, o impacto na chamada carga de pico é um dos principais pontos que precisam ser considerados no projeto.
“O grande ponto é que você tem que fazer uma análise de carga do quanto o condomínio, a área comum do condomínio suporta de carga para conseguir colocar carro elétrico”, reforça.

2. A instalação precisa ser aprovada?
Na maioria dos casos, a instalação passa pela aprovação dos condôminos, especialmente porque pode envolver intervenções nas áreas comuns do prédio.
“Geralmente tem uma aprovação em assembleia, porque invariavelmente vai envolver obra civil. É muito difícil você implementar um carregador elétrico sem fazer uma intervenção civil no condomínio, o que pode envolver passagem de cabos e adequações para levar a infraestrutura elétrica até os pontos de recarga", diz.
3. Por que os carregadores compartilhados estão ganhando espaço?
De acordo com Branquinho, uma das principais soluções adotadas atualmente é o carregador compartilhado. Em vez de instalar um equipamento para cada vaga, o condomínio disponibiliza pontos de recarga que podem ser utilizados por diferentes moradores.
“Geralmente, a solução mais comum que tá se estabelecendo é de carregadores compartilhados, justamente por essa questão de carga, para não ter um por vaga”, completa.
De acordo com Omar, além de reduzir a necessidade de equipamentos individualizados, o modelo também permite que o condomínio organize a utilização e faça a cobrança de acordo com o consumo de cada usuário.

4. Quem paga pela energia?
Segundo o diretor de produtos, a forma de pagamento depende do modelo adotado e do fornecedor contratado pelo condomínio.
'"Há empresas que trabalham com o sistema de comodato, colocando o equipamento no empreendimento e ficando responsáveis pela cobrança do consumo. Tem fornecedores que acabam entrando no modelo de comodato, que ele coloca o equipamento, mas ele faz a cobrança do consumo separado”, explica Branquinho.
Nesse modelo, a energia passa inicialmente pela estrutura do condomínio, mas o sistema consegue identificar o consumo utilizado para carregar cada veículo.
“A energia entra pelo condomínio, passa pelo carregador e aí, do carregador, o que sai do carregador, ele consegue fazer a cobrança. O pagamento também pode ser feito por aplicativo ou outra plataforma disponibilizada pelo fornecedor", explica.
5. O condomínio pode ganhar dinheiro com o carregador?
De acordo com o especilista, dependendo do modelo contratado, a estrutura de recarga também pode representar uma fonte de receita para o condomínio.
“Em alguns casos, ele reverte até essa cobrança, um pedaço dela, para o próprio condomínio, para pagar além da energia, outros gastos. Acaba virando até uma fonte de receita para o condomínio em alguns casos”, afirma.
No entanto, o formato não é único. “Vai depender muito do projeto, de quem implementou, de quem tá querendo implementar”, explica o executivo.
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6. Prédios antigos podem instalar?
Sim. A instalação não é necessariamente descartada em edifícios antigos, inclusive aqueles localizados em áreas históricas. O principal fator, segundo Branquinho, é a viabilidade do projeto e a quantidade de carregadores que será instalada.
“É possível, mas assim, de novo, vai depender do projeto e do volume de carregadores ou de carga que vai”, afirma.
O desafio pode ser maior no chamado retrofit, quando a estrutura de um prédio já existente precisa ser adaptada para receber a nova tecnologia.
“Para fazer o retrofit, aí é outro problema, porque o retrofit é essa questão de fazer o projeto civil, projeto de energia, porque provavelmente tem que aumentar a carga do condomínio em alguns casos, para suportar”, explica.
Por isso, a idade do prédio não é, por si só, um impedimento. “Acho que o grande X da questão é a carga que vai aumentar na área comum por conta dos carregadores”, resume.

7. Condomínios novos já estão sendo construídos com carregadores?
Nos empreendimentos novos, a previsão de pontos de recarga já começa a aparecer com mais frequência.
“Empreendimentos novos já têm previsão de ter vaga compartilhada de carro elétrico, sim. Alguns empreendimentos de alto padrão acabam tendo até isso com mais vagas, ou até individualizado, quando ele já nasce assim”, explica.
Para o executivo, a tendência é que os condomínios verticais incorporem cada vez mais esse tipo de estrutura.
“Em condomínios verticais, isso é tendência, você já tem essa implementação no mínimo da vagas compartilhadas”, afirma.
8. O carregador pode virar um diferencial na escolha do imóvel?
Com o aumento das vendas de carros elétricos, a infraestrutura de recarga também pode pesar na escolha de onde morar.
Segundo Branquinho, a tendência está relacionada justamente ao crescimento simultâneo dos veículos elétricos e da população que vive em condomínios verticais.
“O volume de carro elétrico vendido tá crescendo muito. Então, uma hora essa conta vai ter que ser refeita para pegar a demanda de carro elétrico, que é muito grande, e juntar com os condomínios verticais com retrofit. É um mercado bastante promissor”, conclui.
*Repórter viajou para São Paulo a convite da Superlógica para cobertura do Superlógica Next 2026.


