FAXINA
Reformulação no Bahia: City antecipa faxina e abre espaço para a base
Após eliminações precoces, Grupo City acelera saídas e enxuga o time para dar espaço aos garotos


Toda grande transformação exige desapego. Desde que desembarcou em Salvador assumindo a SAF do Bahia, o Grupo City promoveu um verdadeiro choque de gestão e investimento. Foram ciclos sucessivos de mercado trazendo nomes cascudos, vários deles com contratos longos e salários pesados, para dar sustentação imediata a um projeto que precisava fincar pé na elite do futebol brasileiro. No entanto, o tempo passa, os ciclos se esgotam e a cobrança por resultados financeiros e esportivos cobra seu preço.
Em 2026, assistimos à primeira grande reformulação estrutural do Bahia sob a gestão do Grupo City.
O processo, contudo, foi 'forçadamente' acelerado pelas dores do campo. A eliminação precoce na pré-Libertadores para o O'Higgins, a queda vexatória na Copa do Brasil para o Remo, a ausência na Copa Sul-Americana e a não disputa da Copa do Nordeste deixaram o Esquadrão com um segundo semestre focado exclusivamente no Campeonato Brasileiro.
Com um calendário reduzido e a pressão por falta de resultados, o Grupo City se viu forçado a antecipar o planejamento. Movimentos que normalmente ocorreriam apenas no fim do ano ou na janela de janeiro foram trazidos para o presente para readequar o tamanho da folha e dar uma nova cara ao time.
As saídas iminentes e as já consolidadas — a exemplo de Iago Borduchi, Gabriel Xavier, Marcos Felipe, Gilberto, Kike Oliveira e Rezende — sinalizam que a diretoria tricolor entendeu o recado. O empréstimo de Cauly ao São Paulo. Não se trata apenas de "limpar a folha", mas de reconhecer que atletas que chegaram ao seu teto técnico ou que possuem uma imagem desgastada perante a torcida precisam girar. A venda ou liberação desses nomes cumpre um duplo papel estratégico: traz o retorno financeiro que a engrenagem do conglomerado exige e oxigena o ambiente do CT Evaristo de Macedo.
A lista, inclusive, promete crescer até o encerramento do Brasileirão. Peças como Kanu, Ademir, Everaldo e outros menos cotados, como Michel Araújo, já vivem a sensação incômoda de fim de ciclo. Transformados em reservas frequentes ou alvos constantes das críticas das arquibancadas, esses jogadores já não oferecem o saldo de desempenho que justificaria suas permanências.
O diagnóstico de Ceni e o espaço para os 'Pivetes de Aço'
O técnico Rogério Ceni foi cirúrgico no passado ao expor um paradoxo do seu trabalho: para dar espaço à base, o elenco principal precisava encolher. Com um grupo superpovoado, recheado de medalhões e disputando menos competições, a tendência natural da comissão técnica sempre foi priorizar os atletas de maior rodagem e "casca".
Agora, com a debandada antecipada, a equação finalmente fecha. À medida que o excesso do elenco vai sendo liberado, a porta da equipe principal se escancara para que os Pivetes de Aço parem de pedir passagem e passem a figurar com protagonismo real.
Já vimos amostras claríssimas desse potencial. Atacantes como Kauê Furquim e Ruan Pablo, além do meia David Martins, mostraram que não sentem o peso da camisa e entregam uma vivacidade, velocidade e drible que o time principal há muito tempo não via em suas pontas e articulações.
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A safra que vai encorpar 2027
E a fila de talentos na Cidade Tricolor é vasta. A oxigenação atual é o terreno ideal para preparar novos protagonistas para a próxima temporada. É o caso de Dell, o "Haaland do Sertão", atacante fora da curva que ostenta números avassaladores pela base, já cavou suas primeiras chances no time de cima e pede passagem absoluta como opção real de gol.
A essa lista somam-se promessas defensivas e de meio-campo como o zagueiro Fredi Lipert, o volante Sidney e o meia-atacante Roger Gabriel — garoto que voltou a voar baixo nas categorias de base e prova estar maturado para figurar no grupo profissional de forma definitiva.
O Bahia do Grupo City entra em sua fase mais madura. Deixa para trás a dependência de contratos longos com atletas de desempenho oscilante e assume a sua vocação formadora e competitiva. A grande reformulação tricolor não é um retrocesso; é a correção de rota necessária nascida das dores das eliminações para enxertar o talento da base ao espinhaço maduro do time. O torcedor pode se preparar: o Bahia de 2027 será, mais do que nunca, movido pela energia e pela identidade de seus próprios meninos.
Principais Contratações
2023 (Ano I da SAF)
- Goleiros: Marcos Felipe e Adriel;
- Defensores: Kanu, Vitor Hugo, Cicinho, Gilberto, Camilo Cándido, Marcos Victor e Jhoanner Chávez;
- Meio-campistas: Cauly, Acevedo, Yago Felipe, Thaciano e Diego Rosa;
- Atacantes: Everaldo, Biel, Ademir, Rafael Ratão e Luciano Juba (virou lateral).
2024 e 2025
- Defensores: Santiago Arias, Luiz Gustavo, Zé Guilherme e Cuesta;
- Meio-campistas: Everton Ribeiro, Jean Lucas, Erick e Caio Alexandre;
- Atacantes: Lucho Rodríguez, Willian José, Erick Pulga e Ademir.
2026
- Goleiros: Léo Vieira e Guido Herrera;
- Defensores: Román Gomez e Marco Moreno;
- Atacantes: Kike Olivera e Alejo Véliz.


