BAHIA
Estudantes do Arenoso levam poesia e música ao Tribunal de Contas da Bahia
Ação do Tribunal reuniu alunos dos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio durante visita ao Plenário


O livro “Versos e Vozes do Clarice”, produzido por professores e estudantes do Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, acompanhou os alunos da unidade em uma visita ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), em Salvador, nesta quinta-feira, 17. A atividade reuniu 54 estudantes dos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio no Plenário do Tribunal, durante uma edição especial do Programa Casa Aberta. A iniciativa chegou à sua 30ª edição em 2026.
A visita também marcou um número expressivo para o programa neste ano: mais de mil estudantes já passaram pelo TCE/BA em 2026 para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela instituição na fiscalização dos recursos públicos. Vindos do bairro do Arenoso, os estudantes levaram para o encontro experiências desenvolvidas dentro da própria escola nas áreas de arte, cultura, história e literatura.
Entre os projetos está o livro “Versos e Vozes do Clarice”, que reúne poemas e poesias produzidos por dez professores e 11 estudantes do colégio. A programação no Tribunal contou ainda com poesia e música pelos corredores, enquanto os estudantes ocuparam as cadeiras do Plenário durante a atividade de cidadania promovida pelo Casa Aberta.

Foi justamente com poesia que começou o encontro. Responsável pela condução do Casa Aberta, a assessora da Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa (ECPL) Olgacy Devay recebeu os estudantes na sala de treinamento declamando “Desencanto”, de Manuel Bandeira. Mais tarde, a literatura voltaria a ocupar o centro da programação durante a conversa com o diretor da ECPL, conselheiro Inaldo Araújo.
Ao conhecer a produção literária da escola, o conselheiro se emocionou especialmente com os versos da estudante Ana Clara Almeida, de 18 anos, autora dos poemas “Se amanhã…” e “Simples Direito”. Durante o encontro, Inaldo leu o segundo poema da jovem e apresentou um texto de sua autoria, “Há Poesia”, inspirado nela e compartilhado com os estudantes. “A poesia não pertence somente aos grandes escritores, às academias ou aos livros cuidadosamente guardados. Ela pode nascer numa escola pública, brotar da caneta de um adolescente, morar na palavra de um professor e chegar até o plenário de um Tribunal de Contas”, afirmou.
Ao falar sobre sua própria trajetória e do papel transformador da escola pública, o conselheiro reforçou ainda o lema estampado em uma das paredes do Clarice Santiago: “Educação transforma a vida. Transforme-se”. Para Inaldo Araújo, educação, cidadania e atuação dos Tribunais de Contas se encontram na busca pela redução das desigualdades e pelo aprimoramento das políticas públicas.
Surpresa com a homenagem, Ana Clara contou que a experiência ganhou um significado que não esperava encontrar ao sair da escola naquela tarde. “Foi uma honra imensa. Meu coração está acelerado. É uma honra para mim e para os meus colegas poder conhecer esse espaço e saber como funciona o Tribunal de Contas. Recebi hoje uma homenagem que eu não esperava”, disse.
Do imposto à política pública
Ao longo da visita, os estudantes conheceram diferentes áreas de atuação do TCE/BA e descobriram como o dinheiro arrecadado da sociedade deve retornar forma de escolas, hospitais, estradas, segurança, assistência social e outros serviços públicos.
Durante a apresentação das ações da Ouvidoria, o auditor de controle externo Juvenal Alves Costa destacou que a fiscalização dos recursos públicos também depende da participação popular. “O Tribunal de Contas não pode agir sozinho. Precisa do cidadão, porque, já que quem paga os impostos somos nós, cidadãos, também temos o direito de fiscalizar esses recursos públicos”, explicou, ao apresentar a Ouvidoria como um dos canais disponíveis para manifestações, reclamações e denúncias relacionadas aos serviços públicos.
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O auditor de controle externo Denilson Machado apresentou aos jovens o trabalho desenvolvido pelas Coordenadorias de Controle Externo (CCEs). Como informou, cabe à auditoria verificar se os recursos públicos estão sendo utilizados adequadamente e se as ações financiadas por eles chegam efetivamente à população. “Esses recursos são públicos, não pertencem a uma pessoa ou a um governo, pertencem a todos nós. Por isso, todas as pessoas que executam e gastam esse dinheiro têm que prestar contas”, ressaltou.
Da teoria, os estudantes seguiram para o lugar onde parte desse processo pode ser vista acontecendo. No Plenário Conselheiro Lafayette Pondé, eles acompanharam um trecho da sessão plenária do TCE/BA e observaram de perto a apreciação dos processos pelos conselheiros. Após a sessão, a diretora-adjunta da ECPL, Iaisa Sampaio, ajudou a traduzir o que os jovens tinham acabado de presenciar. Ela explicou as etapas de tramitação dos processos, o papel dos relatores, da auditoria, da Assessoria Técnico-Jurídica (ATEJ) e do Ministério Público de Contas (MPC/BA), além de apresentar as diferenças entre controle interno, controle externo e controle social.
“Controle social somos nós. Os cidadãos precisam participar, precisam mostrar o que está acontecendo e o que não está bom, por meio dos canais corretos”, destacou Iaisa.
Vozes pelo tribunal
Ao deixarem o Plenário, os estudantes encontraram mais uma surpresa. Pela primeira vez na programação do Casa Aberta, o Coral Vozes dos Tribunais TCE/TCM realizou uma apresentação especialmente para os visitantes. No térreo do edifício, canções como “É Preciso Saber Viver”, “Era Uma Vez” e “O Sol” deram outro ritmo à tarde e fizeram da música mais uma ponte entre o Tribunal e a escola.
A programação também incluiu apresentação dos programas voltados para a preservação ambiental, o TCEco e a Sala Verde, e terminou de maneira lúdica, com uma partida do jogo educativo “Conta Comigo!”. Por meio de cartas e perguntas, os estudantes puderam testar o que aprenderam sobre Tribunais de Contas, fiscalização dos recursos públicos e controle externo, além de responder a questões relacionadas à cultura baiana, literatura, culinária regional e personalidades brasileiras.
Para o diretor do Colégio Estadual Clarice Santiago, Marcos César Santos, experiências fora dos limites físicos da escola também fazem parte do processo educativo. “A educação não é só o que está na sala de aula. É também este momento em que vocês estão aqui, conhecendo a estrutura do Estado, dialogando com as pessoas e aprendendo. Essa aprendizagem vocês vão levar ao longo da vida”, reconheceu o professor, que também elogiou a programação especial organizada para receber o colégio que, segundo ele, acredita na arte e na cultura como base da educação.
Atravessando muros
Organizadora do livro “Versos e Vozes do Clarice”, a professora de Língua Portuguesa e Artes Rita Barbosa também destacou a possibilidade de ampliar horizontes proporcionada pela visita. Para ela, assim como a experiência no TCE/BA ultrapassou os limites da sala de aula, a leitura e a escrita permitem aos estudantes ocuparem novos espaços na sociedade. “A escrita e a leitura são o carro chefe para a educação. Assim eles (os estudantes) conseguem atravessar muros e serem indivíduos diferenciados”.
Foi essa perspectiva que marcou o estudante José Victor Costa, de 17 anos, do 3º ano. “Estar aqui presencialmente é uma experiência incrível. É muito bom ver como a escola nos traz para esses lugares de perspectiva”, afirmou. Para Felipe Paixão, de 17 anos, aluno do 1º ano, acompanhar a sessão plenária tornou mais concreto um universo que até então era desconhecido. “Para mim, está tudo sendo novo. Conhecer o Tribunal de Contas e assistir a eles decidindo cada coisa foi uma das partes mais importantes. Vi que cada parte tinha uma importância enorme”, contou.
Os estudantes ainda estiveram acompanhados pela vice-diretora Ana Maria Martins Souto; pelos professores Ingrid Lago, Martha Luciene, Denilsa Olívia e Maurício Rocha; pelos funcionários Beatriz Miranda e Ivan Santos; e por Rose Cruz, mãe da estudante Ana Clara Almeida.


