No sexto capítulo da série “8 de Março, 8 Mulheres, 8 Histórias”, o Portal A TARDE esteve novamente na empresa Cidade Sol. Desta vez, a jornada nos levou até a oficina, onde, entre ferramentas, circuitos e painéis elétricos, descobrimos Emilly Luiza dos Santos Dias, de 22 anos, uma jovem eletricista automotiva.
Ela contou que encontrou na elétrica muito mais do que uma profissão. Encontrou um espaço de aprendizado contínuo, de desafios diários e, sobretudo, de construção de identidade profissional em um ambiente ainda marcado pela predominância masculina.

Durante a entrevista, Emilly revelou como a curiosidade, a coragem e a persistência a levaram a um ambiente onde antes quase não havia presença feminina, mostrando que talento não tem gênero, mas exige dedicação. Ela é uma das duas mulheres no setor, que conta com cinco homens.
Das dúvidas da juventude ao brilho da elétrica
Como muitos jovens, Emilly também passou pelo momento de incerteza sobre qual caminho seguir. Então, ela diz ter se deparado com aquela clássica pergunta: “o que quero ser quando crescer?”.
Mas, a dúvida não a acompanhou por muito tempo. A resposta começou a surgir a partir de um exemplo próximo: o padrasto, que também trabalha com elétrica.
Foi observando esse universo e tendo contato com cursos na área que ela passou a se reconhecer naquele ambiente. Aos poucos, a curiosidade virou interesse e o interesse virou escolha.

“Eu sempre me perguntava o que queria ser quando crescesse. Não me via seguindo caminhos mais tradicionais. Quando tive contato com a elétrica, comecei a gostar dessa possibilidade de consertar as coisas”, conta Emilly.
Ela explica ainda que fez um curso no Senai Cimatec, foi quando percebeu que a área abria muitas portas e decidiu se dedicar. "Hoje, eu me apaixonei pela engenharia em si”, se declara.
Primeiros passos rumo ao futuro
O primeiro passo profissional veio por meio do programa de jovem aprendiz. Foram cerca de um ano e meio de aprendizado inicial, seguido de um período como auxiliar. Ela lembra que com dedicação e vontade de crescer, conseguiu se consolidar no espaço e na função que exerce hoje: eletricista automotiva.
Paralelamente ao trabalho na Cidade Sol, ela segue investindo na própria formação. Atualmente cursa eletromecânica e já tem novos planos no horizonte: ingressar na faculdade de engenharia mecânica.
Oficina, respeito e espaço conquistado
Trabalhar em um setor majoritariamente masculino poderia representar barreiras. Mas, não para Emilly, que afirma que o ambiente profissional que encontrou contribuiu para que seu caminho fosse construído com respeito e cooperação.
Ela acredita que quando existe profissionalismo, o trabalho fala mais alto do que qualquer estereótipo. “Eu acho que depende muito do ambiente. Quando tem profissionais que estão ali para fazer seu trabalho, tudo dá certo. Aqui sempre fui muito bem acolhida”, afirma a jovem.

Ela ressalta ainda, que, embora algumas situações aconteçam eventualmente, é importante que cada um desempenhe seu trabalho com empenho e comprometimento. “Claro que, às vezes, aparecem algumas situações, mas cabe a gente também pontuar que estamos aqui para fazer nosso trabalho, com responsabilidade e dedicação”.
Surpresa
Emilly lembra que, quando decidiu qual carreira seguir, muita gente demonstrou surpresa. Até ela mesma. A família, no início, também se admirou com a decisão. Hoje, porém, acompanha de perto cada etapa da jornada.
Há dois anos, Emilly mora sozinha, mas compartilha com a mãe, que vive no Rio de Janeiro, as marcas da conquista e da evolução profissional: as mãos manchadas de graxa e sinais de trabalho que, para ela, representam orgulho e aprendizado.
Entre a oficina e a vida
Apesar da rotina intensa da manutenção automotiva, Emilly faz questão de preservar momentos para si mesma. Ela lembra que trabalhar com ferramentas e circuitos não significa abrir mão da feminilidade.
Pelo contrário: ela defende que é possível equilibrar os dois universos. “Quando saio do trabalho, eu limpo as mãos, faço as unhas, arrumo o cabelo. Aqui dentro é uma coisa, lá fora é outra. Dá para conciliar tudo: ser da manutenção e continuar sendo feminina”, afirma ela.

Nos momentos livres, ela diz gosta de sair com amigas, assistir filmes ou simplesmente aproveitar o tempo em casa. Pequenos gestos que ajudam a manter o equilíbrio entre a jovem de 22 anos e a profissional dedicada que se forma dia após dia.
Um convite para outras mulheres
Ao olhar para trás, Emilly reconhece que muitas mulheres ainda hesitam em entrar em áreas técnicas por medo do julgamento ou da falta de oportunidades. Ela acredita que experimentar é o primeiro passo para descobrir vocações.

“Eu diria para experimentarem mais. Muitas meninas têm vontade, mas têm medo do julgamento. Cada pessoa tem seu jeito de ser profissional. Se você gosta, vá e faça. Você só tem a ganhar”, reafirma.
Sonhos que seguem em construção
Se o presente é feito de aprendizado, o futuro de Emilly é movido por metas claras. Continuar estudando, ampliar conhecimentos e crescer profissionalmente fazem parte do plano.
Mais do que conquistar espaço para si, ela deseja também abrir caminhos para outras pessoas.
“Quero terminar meus estudos e buscar cada vez mais conhecimento. E também ajudar outras pessoas no caminho, quem sabe até apoiar outras mulheres a construírem seus próprios negócios”, planeja a jovem profissional.

Assim, entre circuitos, ferramentas e sonhos, Emilly Luiza dos Santos Dias segue iluminando seu próprio caminho e mostrando que, dentro de uma oficina ou em qualquer outro espaço, competência e determinação sempre encontram lugar para brilhar.
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