BRASIL
Ex-funcionários da Casas Bahia queimam uniformes em protesto após demitido
Manifestantes cobram direitos trabalhistas e denunciam falta de pagamentos


Ex-funcionários do Grupo Casas Bahia e representantes do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro realizaram um protesto, na tarde da última terça-feira, 8, em frente a uma unidade da empresa em Bonsucesso, na zona norte do Rio de Janeiro.
Durante o ato, os manifestantes queimaram uniformes da rede e cobraram o pagamento de direitos trabalhistas que, segundo o sindicato, ainda não foram quitados após as demissões realizadas pela empresa.
De acordo com a entidade, cerca de 1.900 trabalhadores foram desligados em todo o país durante agosto e continuam sem receber os valores devidos. O sindicato afirma ainda que alguns ex-funcionários estão recorrendo a “vaquinhas” para conseguir arcar com as despesas.
Novos atos devem ser realizados em outras unidades da Casas Bahia. O presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, Márcio Ayer, publicou registros da manifestação nas redes sociais.
Demissões ocorreram antes da recuperação judicial
O protesto ocorre após uma série de demissões promovidas pelo Grupo Casas Bahia. Entre os dias 13 e 17 de agosto, aproximadamente 3 mil funcionários foram desligados, enquanto quase 300 lojas foram fechadas.
Poucos dias depois, a empresa protocolou um pedido de recuperação judicial, com dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões.
A Justiça determinou a suspensão das demissões e considerou as dispensas ilegais. Posteriormente, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a decisão e determinou a reintegração provisória dos trabalhadores.
A determinação também prevê a retomada de benefícios, entre eles os planos de saúde. Mesmo com a decisão, o Grupo Casas Bahia continua recorrendo contra a liminar.
Segundo Márcio Ayer, os protestos devem continuar em outras lojas da empresa até que os trabalhadores recebam os valores considerados devidos.
“Não vamos parar, continuaremos com atos em outras lojas, brigando e denunciando até que o último trabalhador receba seus direitos.”
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Sindicato denuncia demissões irregulares
Além dos pagamentos pendentes, o sindicato também questiona a forma como parte dos desligamentos foi realizada.
Segundo Ayer, entre os trabalhadores demitidos estão pessoas que teriam estabilidade no emprego, como grávidas e jovens aprendizes. Também existem relatos de funcionários que receberam a demissão enquanto estavam de férias.
O presidente da entidade ainda afirma que trabalhadores com longos períodos de vínculo com a empresa foram dispensados por WhatsApp.
“Há casos de funcionários com 15, 20 e até 30 anos na empresa, demitidos pelo WhatsApp, sem receber seus direitos.”
A suspensão das demissões foi determinada pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal.
Conforme a decisão, os desligamentos ocorreram sem a participação do sindicato da categoria, procedimento considerado necessário pela legislação.
Na semana passada, o TST rejeitou um recurso apresentado pelo Grupo Casas Bahia e manteve a suspensão das demissões. A empresa, porém, continua tentando derrubar a liminar judicialmente.
Trabalhadora teria sido cobrada por parcela
O sindicato também recebeu uma denúncia envolvendo uma trabalhadora que foi demitida pela empresa.
Segundo a entidade, ela teria sido cobrada pelo pagamento de uma parcela referente a uma compra que era descontada diretamente de seu salário.
O sindicato questiona a cobrança diante da situação dos direitos trabalhistas da funcionária e afirma que, enquanto a empresa não teria realizado os pagamentos devidos após a demissão, a trabalhadora estaria sendo cobrada pela prestação da compra.
De acordo com a entidade, os atos de protesto devem continuar em outras unidades da rede até que os trabalhadores recebam os valores a que têm direito.


