COMPLIANCE ZERO
Vorcaro pagava propina e viagens a servidores do Banco Central, diz investigação
Documentos tornados públicos por ministro do STF detalham a atuação dos servidores


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma relação próxima a altos funcionários do Banco Central. É o que aponta as investigações da Compliance Zero.
Os documentos tornados públicos na noite de quinta-feira, 10, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalham a atuação dos servidores, os favores prestados e as vantagens indevidas oferecidas.
Os relatórios da Polícia Federal dizem que Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), e Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (DESUP), faziam revisão prévia de documentos e aconselhavam Daniel Vorcaro.
O banqueiro afirma, em mensagens encontradas no celular dele, ter recebido de “amigos do Bacen” detalhes sigilosos sobre reuniões internas entre a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) e a diretoria do Banco Central relativas às apurações contra ele.
Segundo a PF, Belline recebia R$ 100 mil por mês e parcelas semestrais de R$ 500 mil por meio de um “projeto de inserção de jovens no mercado financeiro”, que, segundo a investigação, seria de fachada.
Além disso, Vorcaro teria organizado e custeado despesas de uma viagem a Paris para Belline e à Disney para Paulo Sérgio Neves de Souza.
Em depoimento à Polícia Federal na semana passada, Vorcaro confirmou a ordem de repasse de recursos para apoiar projeto social vinculado a Belline Santana, mas negou “vantagem”.
Questionado se houve “transferência de valores ou de imóveis” ou “vantagem de qualquer natureza” para Belline, Vorcaro negou. O banqueiro disse que Belline contou a ele sobre trabalho com associação “de pessoas negras em todo o mundo que têm posição de relevância em bancos centrais”.
O empresário Léo Serrano, da consultoria de serviços de luxo SL Consulting, disse, em depoimento à Polícia Federal, que Daniel Vorcaro gastou US$ 38 mil com o serviço de concierge para Paulo Sérgio Neves de Souza. O montante equivale a cerca de R$ 195,7 mil.
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Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação do caso Banco Master em que o nome do ministro Alexandre de Moraes aparece.
O relatório da Polícia Federal revela uma suposta troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
No dia 3 do mesmo mês, Moraes encaminhou a Edson Fachin, no âmbito do inquérito das fake news, um pedido para investigar a atuação de Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As acusações ainda não foram julgadas.
Em 4 de setembro, Fachin negou o pedido de Moraes e encaminhou o procedimento à Presidência do STF. O ministro também dá cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República se manifestem.
Quatro dias depois, em 8 de setembro, Mendonça afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
O ministro apontou suspeitas sobre a produção de relatórios da PF relacionados à sua atuação. A decisão provoca reação da Advocacia-Geral da União, e 11 diretores da PF colocam os cargos à disposição em apoio aos dois delegados.
Em 9 de setembro, o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos e apontou “atropelos processuais” na decisão de Mendonça.
Horas depois, Fachin suspende tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e mantém, na prática, os dois delegados na PF enquanto analisa o impasse.
O presidente do STF centraliza procedimentos envolvendo ministros da Corte e convoca uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.
Já na quinta-feira, 11, Fachin pediu a derrubada de sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e mandou o relator, ministro André Mendonça, entregar um HD com as informações à Presidência da Corte e aos demais magistrados. Mendonça atende Fachin e retira sigilo da investigação do caso Master.
Retirada do sigilo
O ministro André Mendonça atendeu ao pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e retirou o sigilo da investigação do caso Master. Mendonça é o relator do caso, por isso, ele tem o poder de retirar o sigilo do processo.
Fachin fez a solicitação na noite de quinta e pediu que o relator entregasse um HD com as informações à presidência da Corte e aos demais ministros.


