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JUSTA CAUSA

Médico é investigado por emitir 8 mil atestados sem consulta

Suposta fraude teria provocado mais de 18 mil faltas em uma mesma empresa

Sara Santos
Por
O caso é investigado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp)
O caso é investigado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) - Foto: Marcelo Leal/Unsplash

Um médico é investigado por suspeita de emitir mais de 8 mil atestados médicos sem realizar consultas para funcionários de uma mesma empresa em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo a denúncia, foram identificados 8.655 documentos assinados pelo profissional somente neste ano.

A companhia, que possui cerca de 12 mil funcionários, afirma que os atestados provocaram mais de 18 mil faltas ao trabalho. O caso é investigado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e também é alvo de um inquérito policial por suspeita de falsidade de atestado médico.

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A denúncia começou após a empresa identificar um aumento fora do padrão na quantidade de documentos apresentados pelos trabalhadores. Em alguns casos, o intervalo entre a emissão de um atestado e outro era menor que um minuto.

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Como funcionava a emissão dos atestados?

De acordo com uma reportagem do Jornal da Record, era possível conseguir um atestado médico pela internet sem passar por uma consulta.

Durante a investigação, um produtor entrou em contato com um site que oferece atendimentos por telemedicina, relatou dores nas costas e pagou R$ 37,50. Em seguida, recebeu um documento recomendando o afastamento do trabalho por um dia.

Apesar de apresentar CRM válido e QR code para verificação, o atestado foi emitido sem que uma consulta fosse realizada.

A equipe de reportagem também foi a dois endereços associados aos atendimentos do médico investigado, identificado como Genário Elias, mas não encontrou clínicas em funcionamento.

Procurado, o profissional informou que não vai se manifestar enquanto o caso estiver sob apuração.

O que diz o CFM sobre atestados médicos?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta que a emissão de atestados deve ocorrer após uma avaliação clínica do paciente, seja presencialmente ou por meio de telemedicina realizada de forma adequada.

A emissão ou comercialização de documentos sem a realização da consulta médica pode resultar em processos éticos contra os profissionais envolvidos.

Quem usa atestado falso pode ser demitido?

O trabalhador que apresenta um atestado falso ou utiliza um documento de maneira irregular pode ser demissão por justa causa, além de responder criminalmente, segundo as circunstâncias do caso, com pena de um a cinco anos de reclusão.

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CFM documento falso justa causa São Paulo

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