Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

BRASIL

Metade dos jornalistas relata sintomas de depressão, aponta pesquisa

Estudo aponta ainda assédio moral, violência digital e baixo apoio social

Isabela Cardoso
Por
48% dos jornalistas relatam insônia e 50% enfrentam depressão
48% dos jornalistas relatam insônia e 50% enfrentam depressão - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Metade dos jornalistas brasileiros entrevistados em uma pesquisa relatou enfrentar sintomas de depressão, enquanto 48% disseram sofrer com insônia. O estudo também identificou índices de ansiedade, assédio moral, violência digital e baixo apoio social entre profissionais da imprensa.

Produzida pela Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho (Fundacentro), com apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a pesquisa ouviu 257 jornalistas por meio de um questionário online.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira, 14, durante reunião do Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional.

Depressão e insônia atingem jornalistas

Segundo o levantamento, 50% dos entrevistados relataram sintomas de depressão. Entre eles, 9% apresentaram sintomas classificados como severos e 16% como extremamente severos.

A insônia também aparece em nível elevado: 48% dos jornalistas disseram enfrentar o problema. O percentual supera a média nacional registrada pelo relatório Vigitel Brasil 2006-2024, do Ministério da Saúde, que varia de 28,7%, em Natal, a 38%, em Maceió.

Leia Também:

BRASIL

Alex Escobar revela que teria um ano de vida sem descoberta de tumor
Alex Escobar revela que teria um ano de vida sem descoberta de tumor imagem

EXPECTATIVA

STF define rito de sessão que analisará conversas de Moraes e Vorcaro
STF define rito de sessão que analisará conversas de Moraes e Vorcaro imagem

DECISÃO JUDICIAL

Jovem expulso de casa por ser gay ganha R$ 100 mil de indenização dos pais
Jovem expulso de casa por ser gay ganha R$ 100 mil de indenização dos pais imagem

Outros 36% dos profissionais relataram episódios típicos de um quadro de ansiedade.

A pesquisa também investigou o consumo de bebidas alcoólicas. Segundo as respostas, 21,5% dos participantes apresentaram padrões de frequência e quantidade compatíveis com uso de risco ou nocivo.

Do total, 18,7% foram classificados na categoria de uso de risco e 1,6% na de uso nocivo. Outros 1,2% apresentaram respostas indicativas de provável dependência.

Assédio moral atinge até 37%

O levantamento também apontou uma exposição frequente dos jornalistas a diferentes formas de assédio, principalmente o moral.

Pelo menos 26% dos entrevistados afirmaram já ter sido vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho. Quando outros critérios utilizados na pesquisa são considerados, o percentual pode chegar a 37%.

“A prevalência de assédio moral no trabalho, variando de 26% a 37%, e de cyberbullying (30%), representam um dos achados mais críticos deste estudo”, afirmam Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, responsáveis pela pesquisa.

Segundo as pesquisadoras, os índices mostram que uma parcela dos jornalistas brasileiros está exposta a formas de violência psicossocial tanto no ambiente de trabalho quanto no meio digital.

Baixo apoio social também aparece entre os fatores

Outro dado levantado pelo estudo é que 61% dos jornalistas entrevistados afirmaram receber baixo apoio social no trabalho. O indicador considera os níveis de interação dos profissionais com colegas e superiores.

As pesquisadoras também relacionam os efeitos sobre a saúde ao baixo controle que jornalistas têm sobre atividades realizadas sob pressão. Segundo elas, a combinação desses fatores pode provocar consequências negativas à saúde ou agravar problemas já existentes.

A avaliação da satisfação com o trabalho também ficou levemente abaixo da média na pesquisa.

Para Bruna Balarotti e Elaine Cristina Marqueze, as características do próprio jornalismo ajudam a explicar parte dos riscos identificados. O dinamismo da atividade e o estresse associado à rotina profissional expõem os trabalhadores a riscos psicossociais.

Fenaj alerta para impacto na informação

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, Samira de Castro Cunha, afirmou que os resultados apontam para um ambiente profissional marcado por múltiplos fatores de risco.

“Os dados evidenciam um cenário preocupante, marcado por altas taxas de estresse, ansiedade, depressão, insônia, assédio moral e violência digital. Além disso, revelam um ambiente de trabalho caracterizado por altas demandas, baixo controle sobre as atividades e insuficiente apoio social", disse.

Segundo Samira, os efeitos das condições de trabalho ultrapassam a saúde individual dos profissionais porque também podem atingir a qualidade da informação produzida.

"Esses elementos não apenas afetam a saúde dos profissionais, mas também impactam a qualidade da informação produzida [pelos jornalistas] e, consequentemente, o próprio direito da sociedade à informação”, concluiu.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

jornalismo Saúde trabalho

Relacionadas

Mais lidas