JUSTIÇA
Pastor é condenado a pagar R$ 50 mil após associar autismo ao diabo
A fala dele aconteceu durante um evento comemorativo dos 90 anos da Assembleia de Deus em Tucuruí


O pastor Washington Almeida, da Assembleia de Deus do Pará, foi condenado pela Justiça do estado após associar o autismo à atuação do diabo em mães e famílias sem proteção espiritual.
Ele terá que pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais coletivos a um fundo público voltado a projetos relacionados ao transtorno. O caso ainda cabe recurso.
Washington admitiu que sua fala foi inadequada, mas afirmou que a Justiça errou, porque ele não teve a intenção de discriminar e causar dano a ninguém.
Entenda o caso
A fala do pastor aconteceu no dia 12 de julho de 2024, durante um evento comemorativo dos 90 anos da Assembleia de Deus em Tucuruí, no Pará.
Durante a pregação, Almeida abordou o tema do transtorno do espectro autista (TEA). “As crianças hoje, de cada cem, nós temos aí quase que trinta por cento de autistas em vários graus. O que está acontecendo?”, questionou.
Segundo ele: “O diabo está visitando o ventre das desprotegidas, daqueles que não têm a graça, a habilidade, a instrumentalidade para saber lidar no mundo espiritual. E ele só procura os vulneráveis, os desassistidos”.
A fala do pastor foi gravada e teve repercussão nas redes sociais.
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Ação movida pelo MP
O promotor Luiz Almeida Presotto, responsável pela ação movida pelo Ministério Público, afirmou que Washington demonstrou insensibilidade, despreparo, preconceito e ignorância ao falar do assunto.
Já a desembargadora Luzia Guimarães Nascimento, responsável pela condenação, afirmou que a liberdade religiosa garante o direito à crença, ao culto e à manifestação de convicções, mas não isenta seus praticantes de responsabilização jurídica quando suas declarações violam direitos fundamentais de terceiros.
O que diz a defesa do pastor Washington?
Representado pelo advogado Ezequiel Silveira, o pastor afirma, por meio de sua defesa, que está arrependido e que já pediu perdão publicamente.
“O pastor já se mostrou, por inúmeras vezes, arrependido pelo ocorrido e, mais uma vez, pede perdão a toda a comunidade atingida. Espera sinceramente que as famílias que se sentiram ofendidas possam perdoá-lo, reconhecendo também os esforços que realizou para reparar os danos causados”, escreveu a defesa, em nota.
A defesa ainda afirmou que entende que a indenização de R$ 50 mil é excessivamente severa diante das circunstâncias do caso e das medidas adotadas posteriormente.
Segundo os advogados, a continuidade do processo também tem provocado impactos significativos na vida pessoal e na saúde do pastor. Por isso, ele considera a possibilidade de não recorrer, buscando encerrar definitivamente esse episódio e seguir em frente.


