Busca interna do iBahia
HOME > BRASIL

BRASIL

Vivo é acusada de “gato” de energia solar e pode pagar R$ 15 milhões

Neoenergia acusa usina da Vivo de operar acima da potência autorizada

Iarla Queiroz
Por
Imagem ilustrativa da imagem Vivo é acusada de “gato” de energia solar e pode pagar R$ 15 milhões
Foto: Divulgação

A Vivo pode ter que desembolsar R$ 15,5 milhões após ser acusada pela Neoenergia de realizar um “gato” de energia solar em uma usina localizada no Distrito Federal. A concessionária afirma que a unidade passou a operar com uma capacidade de geração superior àquela autorizada inicialmente.

A usina fica na Fazenda Santo Antônio, no Paranoá, e é utilizada pela Telefônica Brasil, dona da Vivo, para abastecer sua estrutura no Distrito Federal. A operação do local é realizada pela Athon Energia.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Segundo a Neoenergia, uma vistoria realizada em maio de 2025 identificou alterações nos equipamentos da unidade que não teriam sido comunicadas previamente à distribuidora. A Vivo, por outro lado, reconhece a substituição dos equipamentos, mas contesta que tenha ocorrido aumento irregular da potência.

O que a Neoenergia encontrou na usina

Segundo informações do Metrópoles, projeto aprovado pela distribuidora previa a instalação de painéis solares com potência total de 6.451 kWp e inversores com 5.000 kW.

Durante a inspeção, porém, a Neoenergia identificou um acréscimo de 604,8 kWp na potência dos painéis e de 162,5 kW nos inversores em relação ao projeto originalmente aprovado.

A concessionária afirma que a Athon, responsável pela gestão da usina, admitiu que os inversores originais foram substituídos após falhas operacionais e queima de equipamentos.

De acordo com o relato apresentado pela Neoenergia, os novos aparelhos foram sendo instalados à medida que eram enviados pelo fabricante, sem atualização prévia junto à distribuidora.

Após analisar os dados de geração e ouvir as empresas responsáveis pela unidade, a Neoenergia consultou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Segundo a concessionária, a agência reguladora entendeu que houve uma alteração irregular das características da usina, sujeita às penalidades previstas nas normas do setor.

Leia Também:

ENDIVIDAMENTO

Empréstimo para energia solar é contestado em Santa Bárbara
Empréstimo para energia solar é contestado em Santa Bárbara imagem

EC BAHIA

De energia solar a tratamento de esgoto: Sustentabilidade do novo CT
De energia solar a tratamento de esgoto: Sustentabilidade do novo CT imagem

DENÚNCIA

Prefeito de Cipó é investigado por contrato de R$9 mi em energia solar
Prefeito de Cipó é investigado por contrato de R$9 mi em energia solar imagem

Usina teria ultrapassado potência autorizada

Os dados analisados pela Neoenergia apontaram que, durante um período de 12 meses, a fazenda teria funcionado acima da potência autorizada em 75% do tempo.

Para a distribuidora, as mudanças realizadas na operação modificaram de maneira significativa os limites que haviam sido aprovados originalmente para a geração e a injeção de energia na rede.

É justamente essa diferença entre a capacidade autorizada e a operação identificada pela concessionária que está no centro da cobrança milionária feita à Vivo.

Entenda o chamado “gato” de energia solar

O chamado “gato” solar acontece quando o consumidor aumenta a estrutura utilizada para gerar energia sem comunicar ou obter a autorização necessária da distribuidora.

Com uma capacidade maior de produção, também aumenta a quantidade de energia excedente que pode ser enviada para a rede elétrica.

Pelas regras do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), essa energia excedente pode gerar créditos em quilowatts-hora, que posteriormente são utilizados para abatimento na conta de luz.

Dessa forma, a prática pode ampliar os benefícios econômicos obtidos por quem possui um sistema de geração fotovoltaica.

O problema, segundo as autoridades do setor, não fica restrito ao impacto financeiro. A expansão da geração solar sem registro também pode dificultar o planejamento e o controle do sistema elétrico.

Problema também afeta o planejamento da energia no país

A energia produzida por painéis solares distribuídos é injetada diretamente nas redes das concessionárias e não fica sob supervisão direta do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Com o crescimento da geração fotovoltaica, o órgão depende de informações oficiais das distribuidoras para estimar quanto de energia será produzida e equilibrar oferta e demanda.

Um levantamento recente encaminhado pelo ONS à Aneel aponta que o Brasil possui 42 GW de potência solar instalada. A estimativa é de que outros 14 GW sejam produzidos por painéis e inversores que não estão registrados.

Relatórios enviados pelas distribuidoras à agência reguladora também apontaram que seis em cada dez inspeções encontram algum tipo de irregularidade.

Neoenergia oferece parcelamento à Vivo

Além da cobrança de R$ 15,5 milhões, a Neoenergia informou à Vivo que pretende enquadrar a unidade em uma categoria de consumidor com menor nível de subsídios relacionados à geração fotovoltaica.

A concessionária também ofereceu a possibilidade de parcelar o valor em até 24 vezes, com ou sem entrada, mediante juros de 1,5% ao mês.

A Vivo, entretanto, recorreu à Aneel e solicitou uma medida cautelar para impedir que a Neoenergia aplique as penalidades enquanto o caso é analisado.

Vivo contesta aumento de potência

A Telefônica Brasil admite que houve substituição de equipamentos sem autorização prévia da distribuidora, mas nega que a mudança tenha provocado aumento da potência instalada ou que tenha permitido o recebimento indevido de benefícios.

Na manifestação encaminhada à Aneel, a empresa afirmou que, durante a instalação da usina, houve uma mudança de fabricante por questões comerciais e de adequação técnica.

Posteriormente, já durante a operação, os inversores teriam precisado ser substituídos em razão de um recall, após a identificação de riscos de segurança em parte dos equipamentos.

A empresa também sustenta que os novos aparelhos apresentavam uma informação incorreta nas etiquetas. Segundo a Vivo, elas indicavam potência máxima em corrente alternada de 137,5 kVA, enquanto a potência nominal seria de 125 kVA.

Para a operadora, essa diferença teria levado a Neoenergia a interpretar de forma equivocada os dados sobre a potência instalada da usina.

Aneel ainda não decidiu sobre o pedido

O processo envolvendo o caso foi distribuído na segunda-feira, 10, ao diretor da Aneel Willamy Moreira Frota, responsável por relatar o pedido de medida cautelar apresentado pela Vivo.

Até o momento, não houve decisão sobre a solicitação da empresa.

Procurada, a Telefônica Brasil afirmou que atua de acordo com a legislação e as regras aplicáveis ao setor elétrico, incluindo as normas da Aneel e os contratos firmados com as distribuidoras.

A companhia também informou que não comenta questões relacionadas a processos que ainda estão em andamento.

A Athon Energia, por sua vez, declarou que as alegações apresentadas pela Neoenergia não procedem e informou que já tomou as medidas legais consideradas cabíveis.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Tags

energia solar vivo

Relacionadas

Mais lidas