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Noite fantástica de Pulga não esconde mediocridade dos pontas do Bahia

Sem regularidade de extremos, Tricolor seguirá sofrendo e dependente dos mesmos nomes

Rafael Tiago
Por
Erick Pulga foi o grande nome do Bahia contra o Internacional
Erick Pulga foi o grande nome do Bahia contra o Internacional - Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

O triunfo por 3 a 2 sobre o Internacional, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, teve o sabor adocicado do alívio imediato. Devolveu o Bahia ao quinto lugar do Brasileirão, com 40 pontos, reacendeu a chama da briga pelo G4 e deu novo fôlego à caça por uma vaga direta na Libertadores. Mas o futebol de alto rendimento é implacável: ele não se deixa enganar por entorpecentes emocionais.

Para além da vibração no apito final e da exibição solitária e inspirada de Erick Pulga, o jogo escancarou a anemia estatística e a pobreza conceitual que separam o projeto do Esquadrão de Aço da verdadeira elite nacional. A produtividade dos pontas no time de Rogério Ceni não é apenas baixa; é uma dívida tática que custa caro.

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Pulga honrou o apelido e fez valer o "O Fantástico Pulga" com dois gols que decidiram a partida. Mas a exceção não pode ser transformada em salvo-conduto para o padrão de mediocridade do setor.

A tabela do Campeonato Brasileiro não mente, e a comparação com quem realmente briga pela taça expõe a distância entre o desejo e a realidade. No Flamengo, a eficiência dos extremos é a engrenagem que sustenta o topo: Samuel Lino ostenta impressionantes 11 gols e 10 assistências na temporada, enquanto Carrascal soma 5 gols e 9 passes decisivos. No Palmeiras, o sarrafo é igualmente impiedoso: Jhon Arias contabiliza 14 gols e 7 assistências, escoltado por Maurício, que já entregou 12 gols e 3 assistências.

São números frios, objetivos e avassaladores. Mostram que, no futebol moderno, a ponta deixou de ser mero corredor de recomposição tática para se tornar o epicentro da vitória. Enquanto os líderes pavimentam caminhos com números estratosféricos de seus pontas, o Bahia tenta sobreviver de esmolas ofensivas. Se o time de Ceni sofre para construir placares elásticos, perde pontos estúpidos e se mostra incapaz de assassinar jogos quando domina o adversário, a resposta está na inoperância de quem atua aberto.

Cobrança sem floreios: quem quer ir além precisa entregar números

O ecossistema do Bahia acostumou-se a se aliviar no talento refinado de Everton Ribeiro, na entrega pontual de Alejo Véliz ou nas investidas solitárias de Luciano Juba. É uma dependência viciante e perigosa. Quem almeja frequentar a prateleira de cima do futebol da América do Sul precisa exigir que seus atacantes de beirada produzam dados de gente grande, não apenas lampejos esporádicos.

É hora de desatar esse nó. Ademir precisa parar de ser apenas uma promessa de velocidade e voltar a ser o "Fumaçinha" vertical e letal. Kike Olivera precisa urgentemente transformar em futebol prático a moral abstrata concedida por Rogério Ceni — que chegou ao absurdo de cravar que o atacante deveria ter ido à Copa do Mundo pelo Uruguai. Sanabria, por sua vez, não pode continuar vivendo do crédito do seu talento potencial; futebol de topo exige execução, não simpatia.

A cobrança atinge com o mesmo peso e rigor a academia de talentos. Ruan Pablo e Kauê Furquim acumulam convocações para as seleções brasileiras de base e desfrutam do status de joias dos Pivetes de Aço. Lindo no papel. No campo profissional, contudo, o peso da camisa exige que parem de ser promessas de sub-20 e passem a entregar gols, assistências e decisões maduras no último terço do gramado.

Sem utopia: o sarrafo mudou de patamar

O futebol contemporâneo varreu do mapa os pontas burocráticos, aqueles especialistas em "preencher espaço" e perseguir lateral até a linha de fundo sem incomodar a meta oposta. A atuação de Pulga contra o Inter desenhou o mapa da mina: agressividade e presença de área mudam o patamar de qualquer equipe.

Que a noite mágica de Erick Pulga não seja um anestésico para mascarar a letargia dos demais, mas sim o sarrafo mínimo exigido para o setor. O Bahia tem investimento, tem gestão e tem ambição. O que não tem mais é tempo para tolerar a timidez numérica dos seus atacantes de beirada. Quem quer o topo precisa produzir como quem vive nele.

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Justiça seja feita: a espinha dorsal funcionou

Antes de fechar a conta, vale destacar quem realmente manteve o alto nível contra o Inter. Alejo Véliz não fez gol, mas executou a função de pivô com absoluta excelência — o passe de calcanhar para a infiltração de Pulga foi simplesmente sensacional. Na intermediária, Acevedo segue sendo um gigante em campo: marca com intensidade, organiza o jogo com frieza e ainda brinda a equipe com assistência.

E, claro, Luciano Juba voltou à boa fase de vez. Exibe inteligência tática, leitura de jogo apurada e uma precisão cirúrgica a cada lance. Do jeito que a bola vem tratando o rapaz, vale o aviso: "Alô, Ancelotti! Olha o Jubinha aí pedindo passagem na Seleção!". Vai que cola...

Como a vitória sobre o Internacional impactou o Bahia no Brasileirão?

O Bahia ganhou por 3 a 2 do Internacional, subindo para o quinto lugar no Brasileirão e reacendendo a esperança de uma vaga na Libertadores. Apesar do alívio imediato, o desempenho em campo revela fragilidades táticas que precisam ser superadas para almejar um nível mais alto no futebol brasileiro.

Qual a importância de Erick Pulga na vitória sobre o Internacional?

Erick Pulga se destacou ao marcar dois gols decisivos, porém a análise aponta que essa performance não pode encobrir a necessidade de melhorias táticas no time. A dependência de lampejos individuais é arriscada e não é suficiente para um desempenho consistente na competição.

Por que os pontas do Bahia precisam melhorar sua performance?

Os atacantes de beirada estão enfrentando dificuldades em produzir números que correspondam aos padrões exigidos no futebol moderno. Com a competitividade crescente, é vital que esses jogadores evoluam e contribuam mais efetivamente para o time, assim como fazem os líderes da tabela.

Qual é a expectativa em relação aos jovens talentos do Bahia?

Embora a vitória tenha trazido ânimo, o Bahia não pode se acomodar, pois o futebol cobrou resultados tangíveis e não apenas promessas. O entendimento de que o talento não é suficiente é crucial para a evolução dos jovens talentos do time.

Como a atuação de Pulga reflete as exigências do futebol moderno?

O jogo destacou que o futebol atual exige mais que a mera presença em campo; os atacantes precisam ser decisivos. A performance de Pulga aponta a tendência de que a agressividade e eficiência são essenciais para alcançar novos patamares no campeonato.

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