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O celibato é uma tendência ou as mulheres só cansaram dos homens?
A tendência de evitar sexo tem crescido cada vez mais entre as mulheres


Engana-se quem pensa que o sexo é puramente prazer. Para muitas mulheres, a atividade sexual vai além de apenas orgasmos e entra em outro patamar, seja ele sentimental, energético ou de autonomia e escuta de si.
O celibato, que antes era algo associado apenas a certas religiões, tem ganhado força ao longo dos últimos anos na classe feminina. O ato de privação e abstinência sexual saiu de uma “obrigação” para uma escolha de preservação.
E não sou só eu quem estou afirmando isso. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana (EUA), membros da Geração Z, os nascidos entre 1997 e 2012, estão fazendo cada vez menos sexo.
Dos 2.373 jovens de 18 a 29 anos entrevistados pelos pesquisadores, 29% não fizeram sexo nos últimos três meses. Os números ainda apontam que 19% deles nunca tiveram um parceiro sexual, demonstrando um início “tardio” da vida íntima (tema que já debatemos na primeira edição da coluna).
O assunto também é presente entre as mulheres solteiras da geração millennium - composta por pessoas nascidas entre 1981 e 1996 - que estão optando por ficar mais reclusas e alongar a temporada sem sexo, passando meses sem ter um parceiro ou parceira.
E a partir disto surge uma questão: o que motiva um celibato voluntário?
Não existe um motivo padrão para quem escolhe não fazer sexo com frequência. Pode ser a falta de tempo devido a rotina corrida, vontade de não se envolver em relações vazias que se baseiam apenas no prazer, ausência de um parceiro fixo, ou até mesmo a falta de libido temporária.
No entanto, o que chamou minha atenção ao escutar amigas e conhecidas heterossexuais, que decidiram descentralizar o sexo em suas vidas, foi um ponto em comum: o cansaço de se relacionar com os homens atuais.

Um cansaço que ultrapassa a parte física e se torna um desgaste emocional. Até porque todo o processo de entrar em aplicativos de relacionamento ou conhecer alguém através das redes sociais tem se tornado chato e massivo.
Mesmo que as mulheres queiram de fato só transar, a posição de buscar um parceiro adequado para isso se torna maçante ao longo do tempo e o que era para ser algo divertido e leve perde a graça com facilidade, mesmo que a libido ainda se mantenha alta.
Passeando por um grupo do site Reddit, onde pessoas colocam perguntas sobre diversos assuntos, vi o relato de uma mulher que descreve exatamente os seus motivos de não fazer sexo há mais de dois anos.
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“Sério, tem sido muito bom pra mim. Tô há dois anos assim, só focada em me desenvolver como pessoa, criar coisas, estudar, etc., sem nenhuma distração. Também me fez perceber o quanto sexo pode ser exaustivo e estressante, pelo menos pra mim”, escreveu ela, que preferiu não revelar sua identidade.
“Algumas pessoas não levam tão a sério, mas isso me fez perceber que eu realmente valorizo a ideia de só ter sexo com poucas pessoas. Não por causa de ‘contagem de corpos’, mas sim porque, apesar da sociedade patriarcal sempre querer sexo e sexualidade de mim, eu não preciso dar”, completou.
Mulheres estão mais exigentes?
Para além do cansaço das relações heteronormativas, as mulheres tem se tornado mais exigentes na hora de fazer sexo. Embora ainda priorizem o prazer, elas buscam se relacionar com homens que não oferecem apenas orgasmos, mas sim maturidade emocional e hábitos compatíveis com os seus, fugindo um pouco das relações casuais tradicionais.
Uma das representantes desse novo movimento é a atriz Luana Piovani, de 50 anos. Em entrevista recente, ela declarou que mantém critérios claros para um relacionamento, seja ele sexual ou não.

“Não vou me submeter a caber em ‘espacinho’ de ninguém. Ou é à minha altura, ou não está ao meu lado", declarou ela, que está solteira há cerca de dois anos, desde julho de 2024, quando terminou seu relacionamento com o fotógrafo Lucas Bittencourt.
Para ela, o amor-próprio se tornou a maior urgência. “Não que ele já não existisse e não tenha sido muito importante sempre, porém, agora as pessoas notaram que sem ele não é possível viver”.
Sexo deixou de ser prioridade
Com a quantidade de áreas da vida para se preocupar, o sexo deixou de ser prioridade para algumas pessoas. Uma pesquisa recente da EduBirdie revelou que 67% dos entrevistados preferem uma noite de sono tranquila a fazer sexo.

64% deles também priorizam manter um emprego seguro e 59% estão focados em alcançar o sucesso pessoal, deixando a atividade sexual em segundo ou terceiro plano.
Isso prova como a escolha do celibato voluntário acontece de maneira natural e até mesmo como um possível fenômeno social, que faz com que o desejo sexual mude de acordo com as circunstâncias, as demandas e as prioridades.
Mas independentemente dos motivos que possam levar uma mulher ao celibato, é importante ressaltar que sexo é uma representação de liberdade, desejo e autoestima. O melhor momento é você quem decide e o ato de ficar sozinha deve ser visto como uma escolha consciente, não solidão.


