PÁGINAS PROIBIDAS
Por que o sexo com o ex pode parecer melhor do que durante a relação?
A recaída costuma ter mais adrenalina do que o sexo do dia a dia


Algumas separações deixam um gostinho de quero mais para certos casais. Embora a incompatibilidade emocional tenha atingido a vida dos personagens dentro do relacionamento, o desejo sexual se mantém ativo.
Até porque, atire a primeira pedra quem nunca teve, ou pensou em ter, uma recaída com um ex-parceiro (seja namorado, marido, ficante) apenas pela garantia comprovada do sexo bom.
A sensação de conforto relacionada a um território já conhecido é muito mais cômoda e prazerosa do que buscar o novo. Nem toda recaída é sobre amor, sendo, muitas vezes, motivada por puro ego e química.
“Existe, primeiro, uma combinação interessante entre familiaridade e novidade. É alguém conhecido, que muitas vezes já conhece o seu corpo, seus sinais, o que você gosta e como vocês funcionam sexualmente juntos”, explica a ginecologista e sexóloga Ana Paula Farago.
A sensação de que o parceiro se tornou alguém “novo” pode se confundir com o espaço conhecido do sexo, que era algo rotineiro do casal. “Ao mesmo tempo, depois do término, aquela pessoa deixa de fazer parte da sua rotina. Então você tem algo familiar acontecendo em um contexto que voltou a ser novo. [...] E essa alteridade também pode alimentar o erotismo”, completou a Dra.
Recaída é um fetiche sexual?

A recaída é uma prática comum entre os brasileiros. Uma pesquisa realizada pela plataforma Sexlog apontou que 56% dos entrevistados já tiveram uma experiência sexual com um ex-parceiro, e 45,9% deles reataram mais de uma vez.
Os encontros íntimos costumam ser mais frequentes entre pessoas de 35 a 44 anos (34,7%), seguidas pela faixa de 25 a 34 anos (29,8%). Dentre as principais motivações estão o tesão e a intimidade já conhecida, que justificam 73,9% das recaídas dos brasileiros.
Os números acendem uma reflexão sobre a incidência da recaída como um fetiche sexual, já que o que mais escuto das pessoas ao meu redor é que a sensação de adrenalina pós-sexo com ex é a melhor, devido ao desjo de experimentar algo que seria “proibido” e geraria um sermão das amigas ou algo do tipo.
E isso é refletido inclusive na teledramaturgia. Na série ‘Sex And The City’, a personagem principal Carrie Bradshaw fica algumas vezes com o ex-namorado, o Mr. Big, escondido das amigas, e se mantém assim por um tempo devido a sensação de proibição.
Na música também não é diferente. A relação descrita na canção Fala Baixinho (Shiii), do Grupo Revelação, mostra a exata adrenalina de fazer sexo bom de maneira escondida.
“Se alguém nos pega é sacanagem/ Quebrar o clima dessa viagem/ O nosso filme não pode queimar você/ Mas quando bate a tentação/ A gente fica sem noção/ E perde a linha sem querer saber/ Aí é outra dimensão, quatro paredes e nós dois/ E nada fica pra depois”, diz a canção.
No entanto, a Dra. Ana Paula Farago alerta que é preciso ter cuidado com essas associações diretas. “Não dá para fazer essa relação de maneira tão direta. O que sabemos é que novidade, antecipação, recompensa e incerteza participam dos sistemas cerebrais relacionados à motivação e ao desejo, e o encontro com um ex pode reunir vários desses elementos”, explicou.
Às vezes precisamos de alguma distância para voltar a enxergar como desejável alguém que se tornou familiar demais” Dra. Ana Paula Farago
Carência pode enganar o cérebro

Embora não tenha nada de errado em fazer sexo com o ex-parceiro, é importante observar alguns sinais da pós-recaída. Não adianta seguir o lema de “2 horas de prazer e 3 dias com ansiedade” só para matar a carência.
O principal ponto é reconhecer como a bagagem emocional retorna para você após a relação com o ex-parceiro, observando os sentimentos que ficam depois que o outro vai embora.
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“Duas pessoas podem se desejar, reconhecer que existe uma química sexual entre elas e escolher viver aquele encontro sem necessariamente querer reconstruir o relacionamento. A armadilha começa quando o sexo passa a funcionar como uma maneira de manter vivo um vínculo que uma das pessoas ainda não consegue abandonar”, afirma Ana Paula.
A sexóloga ainda lista os principais sintomas de alerta pós recaída: “Quando eu digo para mim mesma que é “só sexo”, mas fico esperando uma mensagem no dia seguinte, interpreto cada gesto como possibilidade de reconciliação ou aceito continuar naquela dinâmica porque essa é a única forma que encontrei de ainda ter acesso àquela pessoa”.
“Então, para mim, uma pergunta muito importante é: “Como eu fico depois?” Porque às vezes são duas horas de um sexo maravilhoso seguidas de três dias de ansiedade, expectativa, checagem de celular e sofrimento. Nesse caso, talvez o custo emocional daquele encontro esteja sendo muito maior do que o prazer que ele proporciona”, completa.
A principal lição é saber colocar cada intenção em sua caixinha e deixar claro para você e para o outro.
Se existe uma expectativa escondida de reconciliação, enquanto o outro entende aquilo apenas como sexo, existe uma grande chance de sofrimento” Dra. Ana Paula Farago


