CONCURSOS
Vale a pena prestar concurso em outra cidade? Faça as contas
Saiba o que deve entrar na balança financeira e emocional do candidato


Concursos públicos abrem portas para quem deseja conquistar estabilidade financeira e profissional, mas também benefícios extras e jornadas definidas. Mas para que este sonho seja ainda mais tangível, candidatos costumam definir bem o que colocar na balança no momento do lançamento de um certame.
Entre as questões que entram nesta balança está a escolha de oportunidades em cidades ou até mesmo estados diferentes daquele em que o candidato reside.
Isso exige que o estudante planeje bem as vantagens e desvantagens da escolha, incluindo meios de deslocamento, aumento de gastos, nova moradia e até mesmo cansaço com a mudança de vida.
Confira abaixo se prestar concurso em outras regiões vale realmente à pena:
Concurso em outro estado: o que está em jogo?
Antes mesmo de uma aprovação, o candidato precisa considerar que até mesmo a realização das etapas do processo seletivo, terão despesas extras; isso inclui gastos com hospedagem, deslocamento e alimentação.
Especialistas aconselham que para candidatos que tenham investido em cursos preparatórios e que apresentem chances reais de aprovação, vale a pena prestar se jogar nas oportunidades em outros estados, mas caso seja apenas para treinamento, é melhor optar por localidades mais próximas.
“Sempre aconselho ao candidato de tentar algo mais próximo ou do seu estado ou pelo menos, da sua região. Por exemplo, candidatos do Norte podem tentar uma oportunidade no Nordeste e vice-versa. Pessoas do Sul tentam no Sudeste, Centro-Oeste. Caso tente em um estado ainda mais longe do que residente, é preciso sempre fazer esse cálculo com o máximo de antecedência possível, o problema é que nem sempre tem essa antecedência porque às vezes você tem o edital, mas não há uma data da prova para você programar passagem, programar hospedagem e alimentação”, explica Rodrigo Gomes, professor especialista do QConcursos.
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Gomes explica ainda que o candidato precisa ter certeza das escolhas que fará, como o objetivo profissional. Este será importante para o estudante selecionar aquilo que lhe trará mais benefícios e rentabilidade.
“O candidato não deve fazer tentativas completamente aleatórias e paralela ao seu objetivo profissional. Se ele está numa carreira policial, por exemplo, e se vai a um outro estado, a uma outra região, é preciso tentar um concurso dentro da sua área. Assim, ele constroi uma rentabilização do investimento em tempo, dinheiro, deslocamento, desgaste físico e mental. O custo no primeiro momento é financeiro e depois um custo de rentabilização e de pertinência entre as oportunidades”, continuou ele.
Como calcular os gastos extras
O especialista explica que para calcular os gastos extras o candidato pode usar ferramentas de busca na internet, redes sociais e inteligência artificial para direcionar e organizar as despesas com o deslocamento.
Há aplicativos que ajudam pessoas a organizarem melhor as viagens, mostrando roteiros, itinerários de ônibus e metrô, além de calcular gastos a partir de metas pessoais. São exemplos o Granna e Wanderlog.
“Também há contas e grupos de aprovados em outros concursos para ter projeção do que o candidato pode encontrar para que ele não tenha essas surpresas de gastos”, continua ele.
Preparações a se fazer antes da prova
Com o planejamento financeiro em mãos, o candidato precisa colocar o plano em ação: precisa acertar hospedagem em locais próximos da região de aplicação de prova, ou meios de transporte para chegar até o local com antecedência, lugares para comer e outras questões precisas antes do grande dia.
Especialistas apontam que até 90 dias antes da prova, o candidato precisa estar totalmente planejado com as questões de logísticas da primeira etapa do certame, que é a etapa em que as informações estão mais claras.
“Não tem como ele já se programar para todas as fases, ainda que alguns cronogramas digitais tragam as datas de todas as fases. O problema é que ele depende ali do andamento do certame”, afirmou Rodrigo Gomes.
A véspera do certame deve ser de tranquilidade. Esse é o momento para relaxar e ter uma boa noite de sono. Por isso, é preciso procurar por hotéis com hospedagens confortáveis, silenciosas, sem trânsito e próximas à região da prova.
Outra dica é reconhecer o lugar, caso o candidato não o conheça. Chegar ao local dias antes pode facilitar a adaptação, conhecer trajetos e descansar bem para não haver imprevistos.
“Na hora de escolher a hospedagem, o candidato pode optar por procuras em aplicativos, como o Airbnb. Mas é importante pesquisar a localidade para ver se é interessante, agradável e segura. É importante evitar locais com muitos pontos turísticos, com muita circulação de pessoas, com locais noturnos para evitar desgastes físicos e mentais”, aconselhou o professor
O que realmente vale a pena?
Especialistas afirmam que antes da escolha pelo edital, o candidato precisa entender quais as oportunidades que o certame oferece. Em caso de aprovação em outro estado ou cidade, o candidato precisa saber que terá que escolher uma nova moradia ou meios de transporte que sejam eficientes e que caibam no novo orçamento.
Em concursos federais é mais fácil conseguir uma transferência posterior, o que traz um leque de oportunidades para o candidato. Além disso, o cargo pode oferecer possibilidade de progressão de carreira, aumentando ainda mais as chances dos candidatos, como mudanças ou deslocamentos.
“Para isso, o candidato precisa focar no número de vagas. É óbvio que o candidato vai fazer um investimento financeiro, de tempo principalmente. Por isso é preciso que se pense em um número de vagas imediatas ou um cadastro de reserva significativo. Outro levantamento a se fazer é o número de pessoas que vão para as outras fases, como acontece nos concursos de carreira policial, onde se tem um contingente de candidatos quatro vezes maior na aptidão física, vale a pena o investimento. Não acho que compensa deslocamento muito grande de distância e investimento financeiro muito grande para brigar de repente por um cadastro de reserva que não se sabe quanto, um órgão que não tem a tradição de muitas chamadas, não seja para muitas vagas”, continua ele.


