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Festa Literária no Pelourinho marca os 107 anos de Jorge Amado

Publicado sábado, 10 de agosto de 2019 às 16:17 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Roberto Aguiar I Foto: Felipe Iruatã I Ag. A TARDE
Cristan Aposto faz mímica e poesia na frente da casa de Jorge Amado
Cristan Aposto faz mímica e poesia na frente da casa de Jorge Amado -
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Em meio a 3ª edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), o mais famoso escritor baiano festeja 107 anos no dia de hoje. Jorge Amado (1912-2001), que fez do Pelourinho o maior cenário de suas obras literárias, criou em 1986 - com a escritora Zélia Gattai (1916-2008), que também foi sua esposa - a Fundação Casa de Jorge Amado, entidade que hoje realiza a Flipelô em parceria com o Sesc.

“É emocionante está realizando a Flipelô. É como se estivéssemos cumprindo uma missão deixada por Jorge Amado. O desejo dele era que a Fundação não fosse apenas um centro de documentação ou um museu de objetos pessoais, mas sim um local de discussão, um polo irradiador e enaltecedor da literatura. Romper os muros da Casa Azul e realizar uma festa literária na dimensão que estão fazendo é seguir o desejo e o sonho dele”, disse emocionada Ângela Fraga, diretora da Fundação Casa de Jorge Amado.

Quanto ao sucesso da Flipelô, Ângela ressalta dois fatores: papel da comunidade e a curadoria mista. “A comunidade abraçou o projeto, são várias atividades sendo realizadas em diversos espaços. O fato de termos uma curadoria mista na organização do evento também é um diferencial, pois garante uma diversidade de atividade, já que são muitas cabeças pensando e muitas mão agindo”, afirma.

Invisibilidade

Tanto Jorge Amado como o poeta Castro Alves (homenageado da Flipelô) utilizaram a arte literária - a prosa e a poesia - para falar dos “invisíveis sociais”, tema debatido na tarde deste sábado, 10, no Teatro Sesc-Senac.

“Escrever sobre a questão negra é falar sobre minha vivência, minha história. E é uma responsabilidade por tudo que estamos construindo hoje para deixar para o futuro. Precisamos saber lhe dar com as diferenças, só assim construiremos uma sociedade mais justa”, disse a escritora negra Ana Maria Gonçalves, referência no debate sobre raça na literatura brasileira, autora do livro “Um defeito de cor”, lançado em 2006.

Festa Literária no Pelourinho marca os 107 anos de Jorge Amado
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Festa Literária no Pelourinho marca os 107 anos de Jorge Amado |

Enquanto o tema racial era debatido no Teatro Sesc-Senac, os escritores indígenas Juvenal Payayá (Bahia) e Márcia Kambeba (Pará) discutiam a voz dos povos originários na literatura.

“Essa diversidade temática, o debate de temas sensíveis que achei o diferencial da Flipelô. Mas entendo que não poderia ser diferente, né, o Pelourinho exige esse tipo de debate. Estou encantada”, declarou a professora Célia Rodrigues, que foi de Belo Horizonte (MG) para participar do evento.

O jovem César Melo, estudante de Letras, participou de todas as edições da Flipelô e festeja o crescimento do evento. “Tudo melhorou e cresceu. A programação, o número de escritores e participantes. A literatura baiana e o Pelourinho mereciam um evento como esse. Castro Alves recitou suas poesias, Jorge Amado morou e inseriu esse espaço geográfico em suas narrativas. A nossa história começou aqui”, pontuou o estudante.

Domingo

A Flipelô encerra neste domingo, 11, com uma programação para todos os públicos. Atividades infantis, peças teatrais, concerto de músicas clássicas, saraus poéticos, mesas de debates e lançamentos de livros.

A programação completa está disponível no site: www.flipelo.com.br.

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