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Com dívida de R$ 827 milhões, nova dona da Ri Happy corre para abastecer lojas no Natal

BluSun precisa de recursos para abastecer lojas no Natal

Iarla Queiroz
Por
Ri Happy tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas
Ri Happy tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas - Foto: Divulgação

A nova controladora da Ri Happy, a empresa de investimentos BluSun, tem um desafio urgente pela frente: garantir recursos para abastecer as lojas antes do Natal. A rede de brinquedos tenta renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas, em meio à necessidade de manter as compras de mercadorias para o período mais importante do ano para o varejo.

A estratégia é buscar fôlego financeiro para preservar o abastecimento e evitar que as dificuldades com os credores prejudiquem as vendas de fim de ano. Um possível aporte da BluSun pode ajudar a financiar a compra de estoques, mas a renegociação das dívidas não garante, por si só, o dinheiro necessário para novas aquisições.

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Recuperação extrajudicial busca renegociar R$ 827 milhões

O Grupo Ri Happy pediu à Justiça de São Paulo a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em débitos. Protocolado em 10 de outubro, o pedido envolve seis empresas: Ri Happy, PBKids, Partout, New Toys, Brincar e Divertudo.

De acordo com a petição, credores que representam R$ 308,8 milhões, o equivalente a 42,38% das dívidas incluídas no plano, já aderiram à proposta. O grupo solicitou prazo de 90 dias para conseguir as adesões restantes e pediu a suspensão, por 180 dias, das cobranças judiciais referentes aos débitos abrangidos. A medida ainda depende de ratificação pela Justiça.

Apesar do nome, a recuperação extrajudicial também passa pelo Judiciário. Nesse modelo, a empresa negocia diretamente com os credores e apresenta o acordo à Justiça para homologação.

“O pedido de recuperação extrajudicial, ao contrário do que o nome pode sugerir, também tramita no Judiciário. Mas o caminho dele é diferente e tende a ser mais breve”, explica Tiago Cisneiros, sócio do escritório Loyo, Moutinho, Luzes e Cisneiros a Forbes.

A legislação permite iniciar o processo com o apoio de credores que representem pelo menos um terço de cada espécie de crédito abrangida. Depois do pedido, a empresa tem 90 dias para obter adesões que correspondam a mais da metade desses créditos. Se alcançar o quórum exigido e o plano for homologado, o acordo poderá se estender aos credores abrangidos que não aderiram voluntariamente.

A advogada Daniela Lubianca, sócia da Tahech Advogados, destaca que o recebimento inicial do pedido não significa que o plano já foi aprovado. Ainda são necessárias a análise dos requisitos legais, a comunicação aos credores e a possibilidade de apresentação de impugnações, além de novas adesões, caso sejam necessárias.

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Juros e queda nas vendas pressionaram o caixa

Na petição, a Ri Happy atribui parte das dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia, que reduziu as vendas nas lojas físicas, enquanto despesas como aluguel e folha de pagamento continuaram pesando sobre o caixa.

O grupo também aponta a migração de consumidores para o comércio eletrônico, os juros elevados, o enfraquecimento do consumo e a concorrência de produtos vendidos por plataformas estrangeiras.

Segundo a empresa, uma renegociação de aproximadamente R$ 292 milhões em dívidas bancárias foi realizada em 2023 com base em uma projeção de geração de caixa que não se confirmou. Com isso, o serviço dessa dívida passou a custar cerca de R$ 70 milhões por ano, valor considerado incompatível com o plano de negócios da companhia.

O documento informa ainda que, em 2025, o preço médio das vendas foi de R$ 64,60 nas lojas físicas e de R$ 108,60 no canal on-line.

“A perda de receita tornou-se consolidada, gerando forte impacto no fluxo de caixa da empresa”, afirma Bruno Boris, fundador do Bruno Boris Advogados, a Forbes. O advogado também cita o custo do endividamento e a concorrência de produtos asiáticos mais baratos. A carga tributária é outro fator apontado pela companhia como pressão sobre as margens.

Abastecimento é preocupação antes do Natal

A situação financeira da rede exige atenção especial por causa do calendário do varejo. A compra de brinquedos costuma ocorrer meses antes das vendas de fim de ano, o que torna o acesso a recursos importante para garantir mercadorias nas prateleiras durante a Black Friday e o Natal.

Para Pedro Abrão, fundador do Pedro Abrão Advocacia & Consultoria Empresarial, as dificuldades financeiras começaram antes da aquisição da Ri Happy pela BluSun Capital Partners. A mudança de controle, por si só, não elimina os débitos das empresas.

“O fato de uma rede continuar vendendo não demonstra, sozinho, que o calendário das dívidas seja compatível com o caixa disponível”, afirma a Forbes.

A petição informa que um credor financeiro já ajuizou uma execução contra o grupo, situação que ajuda a explicar a urgência da tentativa de renegociação.

Abrão alerta que fornecedores podem reduzir os prazos de pagamento ou exigir valores antecipados quando a situação financeira de uma empresa se torna pública. Essa mudança nas condições comerciais pode aumentar a necessidade de caixa justamente no período em que a rede precisa reforçar os estoques.

Loja da Ri Happy
Loja da Ri Happy - Foto: Divulgação

Seis empresas estão incluídas no plano

O pedido reúne empresas com atividades distintas, que vão da operação de lojas próprias e franquias à importação de produtos, gestão de marcas e oferta de serviços de recreação infantil.

Segundo a petição, há garantias cruzadas entre as companhias em mais da metade das dívidas abrangidas pelo plano. Isso significa que obrigações assumidas por uma das empresas podem ter implicações para as demais.

“Uma dívida assumida por uma sociedade expõe as demais”, explica Abrão. A existência dessas garantias é um dos motivos apresentados pelo grupo para solicitar que as empresas e os débitos sejam tratados conjuntamente na recuperação extrajudicial.

O documento informa que o grupo reúne 204 lojas próprias, 88 franquias e mais de 2.600 empregados diretos, além de registrar receita líquida média anual de R$ 1,2 bilhão. A intenção declarada é preservar as lojas, as marcas e os canais de venda.

Renegociação não garante dinheiro para novas compras

A homologação do plano pode reorganizar os compromissos financeiros incluídos no acordo, mas não resolve automaticamente a necessidade de financiar a operação da rede.

Para Daniela Lubianca, a reestruturação precisa combinar a renegociação das dívidas com medidas capazes de recuperar as margens, preservar o capital de giro e manter o abastecimento das lojas.

Abrão reforça que a aprovação judicial do acordo não significa que a empresa terá crédito disponível para comprar novas mercadorias.

“A homologação estabiliza os compromissos abrangidos, mas não injeta recursos nem garante crédito para novas compras”, declarou.

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