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EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Dia das Crianças: investir cedo reduz custo da faculdade dos filhos

Planejamento financeiro antecipado corta em até 75% o valor dos aportes para custear os estudos

Jair Mendonça Jr
Por
Iniciar os investimentos cedo altera o cálculo financeiro para custear a faculdade
Iniciar os investimentos cedo altera o cálculo financeiro para custear a faculdade - Foto: Divulgação XP

O Dia das Crianças marca momentos em família, mas a data também abre espaço para conversas sobre a relação com o dinheiro. Para famílias que planejam construir uma reserva para o futuro dos filhos, iniciar os investimentos cedo altera o cálculo financeiro, especialmente para custear a faculdade.

Uma revisão de mais de 100 estudos conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge aponta que hábitos e atitudes relacionados ao dinheiro começam a se formar por volta dos sete anos.

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No Brasil, dados do PISA 2022 mostram que 2% dos estudantes avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência em educação financeira, enquanto a média entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) participantes foi de 11%.

Para Rodrigo Icó, líder da XP na Bahia, a educação financeira pode começar com situações do cotidiano, antes de abordar investimentos.

‘’O mais importante é que a criança comece a entender, de acordo com a sua idade, que o dinheiro está relacionado a escolhas, planejamento e objetivos. Quando os pais transformam esses conceitos em situações do dia a dia, fica mais natural desenvolver uma relação responsável com o dinheiro ao longo do tempo”, explica.

Da mesada ao planejamento da faculdade

A educação financeira acompanha etapas da infância

  • Entre 3 e 6 anos: apresentam-se conceitos como a diferença entre necessidade e desejo e a importância de esperar para adquirir itens. Um cofrinho transparente serve de ferramenta para mostrar que quantias guardadas acumulam para um objetivo.
  • Dos 7 aos 12 anos: a mesada funciona como exercício de responsabilidade financeira. Uma alternativa é dividir o dinheiro entre três objetivos: gastar, guardar e ajudar outras pessoas. Se uma criança planeja comprar um brinquedo de R$ 100 e guarda R$ 10 por mês, ela observa na prática a relação entre planejamento, tempo e meta.
  • Na adolescência: o aprendizado avança para decisões como o uso de conta bancária e os primeiros investimentos, sob supervisão do responsável legal, conforme as regras da instituição financeira.

“Não existe uma idade única ou uma fórmula pronta. O planejamento precisa considerar a realidade de cada família e, principalmente, o objetivo que se quer alcançar. Para uma criança, o grande diferencial é o horizonte de tempo, que pode ser muito maior do que o de um adulto”, afirma Icó.

Relação entre tempo de investimento e aporte mensal

Efeito do tempo no esforço mensal

  • O tempo atua como fator direto na construção de reservas de longo prazo.
  • Os rendimentos acumulados somam-se ao patrimônio ao longo dos anos, reduzindo a necessidade de aportes mensais elevados.

Simulação para formação de reserva (Rendimento real hipotético de 6% ao ano)

Curso presencial padrão (Reserva estimada de R$ 40,1 mil)

  • Prazo de 15 anos: aporte mensal de R$ 140.
  • Prazo de 5 anos: aporte mensal de R$ 577.

Graduação em Engenharia (Prazo de 15 anos)

Aporte mensal de aproximadamente R$ 202.

  • Graduação em medicina (prazo de 15 anos):
  • Aporte mensal de aproximadamente R$ 2.861.

Premissas e condições das simulações

  • Os cálculos servem apenas como referências de planejamento.
  • Consideram retorno real hipotético de 6% ao ano, aportes no fim de cada mês e valores brutos.
  • Os custos dos cursos baseiam-se em médias nacionais de mensalidades e não incluem bolsas, impostos, taxas ou reajustes diferentes da inflação.

“Quando uma família começa a se organizar com antecedência, ela ganha tempo para ajustar os aportes, rever os objetivos e lidar com diferentes momentos da vida financeira. O planejamento não precisa começar com grandes valores: a regularidade e o horizonte de longo prazo são pontos importantes nessa construção”, destaca Rodrigo Icó.

Opções de investimento para longo prazo

A escolha dos ativos depende do prazo, do perfil da família e do objetivo definido

  • Tesouro Educa+: título público desenvolvido para fins educacionais. Combina a variação do IPCA com uma taxa de juros contratada no momento da compra. A partir da data de conversão escolhida, transforma o valor acumulado em 60 pagamentos mensais durante cinco anos.
  • Tesouro IPCA+: título atrelado à inflação para resgate em data futura.
  • Previdência Privada e outros produtos: avaliados segundo prazo, custos, tributação, liquidez e riscos associados.

“O investimento é uma ferramenta para realizar um objetivo. Antes de escolher um produto, é importante que a família tenha clareza sobre o que quer construir para aquela criança e em quanto tempo. A partir daí, fica mais fácil avaliar quais estratégias fazem sentido para aquela realidade”, finaliza Rodrigo Icó.

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