EXPOTECH 2026
Em meio a desafios, indústria baiana defende autonomia e jogo limpo
Representantes de setores da indústria apresentam as principais tendências do mercado


Pela oitava vez, a Expotech 2026 reúne por dois dias, dezenas de fornecedores, médias e pequenas empresas da Bahia e de Sergipe para apresentar as principais tendências de tecnologia e inovação do mercado para o setor industrial.
A feira, que começou nesta segunda-feira, 27, no SENAI Cimatec, conta com 92 estandes de fornecedores de matérias-primas, equipamentos e insumos. A expectativa dos organizadores é receber 2 mil visitantes durante o evento, um crescimento de 10% em comparação com a edição passada.
Para os principais representantes dos setores da indústria da Bahia, a feira é uma das maiores oportunidades para o empresário fortalecer a cadeia produtiva do estado, através da aproximação com novos produtos e tecnologias inovadoras para os setores econômicos da Bahia.
Concorrência: a alma do negócio
O diretor da feira, Juan Rosário Lorenzo, explica que o fortalecimento com novos produtos e insumos na indústria baiana, é a principal fonte que alimenta a concorrência, o que ele considera como “alma do negócio”.
“É a concorrência que faz com que os fornecedores cada vez mais apresentem soluções melhores, custos menores, melhores produtos, melhores soluções. Além de se ter muitas indústrias do Nordeste - na Bahia e Sergipe - é uma oportunidade única para que os fornecedores e as indústrias de saneantes, cosméticos e tintas da capital e do interior, conheçam novos fornecedores, novas soluções, novas tecnologias”, disse ele.
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O presidente do Sindcosmetics Bahia, Raul Menezes, conta que a realização de eventos como a Expotech acompanha o movimento contínuo de inovação na indústria, o que amplia ainda mais a corrida tecnológica e competitiva do setor.
“O mundo moderno está mudando em velocidade muito grande para tecnologia. Estamos tendo de acompanhar essas mudanças. O mundo hoje, cada indústrial, cada pessoa, cada indivíduo escolhe seu destino, sobre suas escolhas. Porque o conhecimento, o saber, a informação, a comunicação está ao alcance de todos, e estamos antecipando isso na Expotech”, disse ele.
Autonomia à Bahia
Isso também é uma preocupação dos principais setores industriais da Bahia. A representante do setor de tintas na Bahia, Arlene Vilpert, explica que, atualmente, o maior consumo de tintas provém de outros estados do Brasil, o que enfraquece a cadeia baiana. Para ela, é preciso acabar com a dependência do estado às cadeias produtivas externas.
“No setor de tintas, os fornecedores estão localizados em maior parte em São Paulo ou no Sul, e muitas vezes, o segmento é carente da presença desses fornecedores aqui na nossa indústria, já que a Bahia não é tão pujante nesse segmento. Quando nós temos oportunidade de termos novos produtos, gerar produtos de alto valor agregado, nós estamos dando mais empregabilidade e destaque para essas empresas", explicou ela.

"Nós precisamos mudar o cenário de que mais de 85% das tintas utilizadas aqui vêm de outros estados e nós temos capacidade técnica de consumir produtos baianos. Então nós precisamos estar sempre antenados nessa evolução, porque a Bahia tem condições de mudar com a empregabilidade, com a indústria mais forte e nosso objetivo é que isso aconteça com mais velocidade”, continuou Arlene
Desafios e oportunidades para a indústria baiana
Nos últimos anos, as altas de preço do petróleo e falta de insumos para a indústria de químicos tem preocupado empresários baianos. Um dos maiores consumidores de derivados do combustível fóssil tem enfrentado dificuldades para fortalecer a cadeia produtiva no estado.
Representantes dos setores de saneantes, cosméticos e tintas estimam um aumento no preço de insumos que podem chegar a até 100%.
“Para que a indústria se desenvolva é preciso ter boa tecnologia, bons fornecedores, preços competitivos, principalmente nesta hora em que nós tivemos um aumento de custo na maioria dos nossos produtos na ordem de 50% a até 100% devido à guerra. Cerca de 70% das nossas matérias primas são derivadas do petróleo, então além do aumento do produto, ainda tem problema da logística que também teve um aumento e a falta da matéria prima”, continuou Juan Lorenzo.
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Para o presidente da Federação de Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, a indústria brasileira tem passado por uma série de encarecimento e competitividade desproporcional que enfraquecem o destaque e a produtividade das pequenas e médias empresas.
“Temos vários desafios que encarecem a indústria brasileira, como a questão dos juros, da dos impostos, da infraestrutura, da logística, mas especialmente em função de movimentos geopolíticos, a indústria também é afetada por movimento de outros países”, disse o presidente.

Ele exemplificou o impacto para a indústria química e petroquímica com a implementação de regras de importação desiguais e a entrada de produtos importados ao Brasil.
“A indústria química e petroquímica, como a indústria de pneus, são bastante afetadas por importações que muitas vezes chegam aqui a preços inferiores às matérias primas que nossas indústrias produzem, Isso faz com que haja uma competição desigual. Na área de cosméticos, a taxa das blusinhas permitiu que os produto importados não passem pelos mesmos rigores que os nossos produtos tem. Muitas vezes você está competindo com indústrias que não tem o mesmo controle e quando chegam aqui no Brasil atendem pessoas que às vezes o modelo brasileiro não pode atender”, continuou ele.


