CENÁRIO ECONÔMICO
Novo corte na Selic: saiba quais investimentos estão mais vantajosos
O corte da taxa Selic representa uma instrumentalização para a aceleração no fluxo econômico


Pela terceira vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros, a taxa Selic, que passará de 14,50% para 14,25% ao ano.
O corte da taxa Selic representa uma instrumentalização para a aceleração no fluxo econômico, da força de consumo e do menor risco de descontrole nos preços. Esse é o sistema usado pelo BC para conter a inflação, que caracteriza o aumento de preços na economia brasileira.
Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo.
De acordo com o BC, a Selic influencia diretamente as taxas de juros praticadas pelos bancos em empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras, impactando o comportamento da economia em geral. Com a redução, a aceleração nos investimentos fica ainda mais atrativa.
Investimentos mais restritivos
Apesar de representar um sinal verde para investidores, o cenário econômico não está tão vantajoso assim. De acordo com a economista Juliana Ianhsz, apesar do BC projetar uma queda entre 12,25% e 13,75% até o encerramento de 2026, o Brasil vive uma pressão inflacionária e investidores não podem se prender a boas notícias até o período.
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“A gente está falando realmente de um contexto onde a restrição monetária continua sendo muito forte. Os investidores não vão querer, muito provavelmente, entrar em grandes riscos especialmente porque eles vão entender que no balanço de riscos ganhar talvez alguma coisa perto de 8,9% real ainda deve estar valendo muito mais a pena do que entrar no risco de um investimento no setor produtivo que não te dá a garantia do retorno em um contexto de uma economia que continua com problemas fiscais sérios, e que aparentemente vão se agravar bastante desse ano para o próximo.” explicou a especialista
Qual o investimento mais vantajoso?
Para Juliana Inhasz, a renda fixa continua sendo a maior e melhor garantia de investimento a se fazer, diante do cenário norte-americano, que manteve estabilizadas as taxas de juros. De acordo com a economista, a junção dos cenários fiscais possibilita garantias de retorno diantes de riscos.
“Estamos falando de retornos que são consideráveis, especialmente se a gente considerar aí que a gente está com um contexto monetário mais restritivo que deve continuar aí tentando jogar a inflação para baixo. Se a gente conseguir a contribuição do ambiente externo no sentido com a estabilização do conflito no Oriente, pressão ao preço de petróleo acabar, e termos custos de transporte e fretes mais controlados, a gente vai continuar com uma taxa real de juros bem elevada”, explicou a especialista.
Renda fixa é um tipo de investimento que geralmente é mais seguro e previsível. Na prática, esse tipo de investimento se caracteriza como um empréstimo de dinheiro para uma instituição financeira, uma empresa ou diretamente para o país.
Em troca, quem toma o empréstimo se compromete a devolver o dinheiro com uma porcentagem de ganho, relacionada à:
- Variação da inflação
- Taxa básica de juros
- Taxa pré-determinada na aplicação
A especialista ainda aponta outros investimentos com riscos: "Alguns tipos de ativos arriscados, como a renda variável, podem começar a ficar vantajosos especialmente se esse conflito no Oriente Médio permitir uma estabilidade maior", continua ela.
“Alguns tipos de ativos arriscados e a gente está falando da renda variável podem começar a ficar vantajosos especialmente se esse conflito permitir aí uma estabilidade maior.
Corte é considerado ineficiente
Para as representações da indústria e dos trabalhadores, o corte nos juros é incapaz de reverter “o quadro de estagnação dos investimentos” e não atende “às necessidades urgentes do país e do povo brasileiro”.
Para o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban, a redução não contribui para a reversão da asfixia financeira das empresas e das famílias, que continuam paralisados devido ao custo do crédito.
“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria. Da mesma forma, a medida se mostra ineficaz em aliviar o orçamento das famílias, das empresas e do próprio governo, que seguirão estrangulados pelo serviço da dívida, adiando a retomada do consumo e do investimento e a superação do fantasma da inadimplência”, disse ele.


