Líder na produção de minerais críticos, de energias limpas e renováveis, de tecnologia de ponta e de turismo, a Bahia agora desponta em mais um desafio que prontamente está o tornando polo de investimento e referência mundial em diversos setores produtivos.
Tudo isso alcançado devido à chegada da China no Brasil que foi o país que mais recebeu capitais chineses em 2025, com participação de 10,9% do valor investido, de acordo com levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O país é seguido pelo Estados Unidos (6,8%), Guiana (5,7%), Indonésia (5,4%) e Cazaquistão (4,4%).
A Bahia, é claro, entrou na lista dos estados que mais receberam investimentos chineses nos últimos entre 2007 e 2025.
Em 18 anos, o estado recebeu24 projetos, tornando-se o estado mais atrativo do Nordeste. Na lista de estados que mais receberam investimentos chineses no Brasil, a Bahia ficou em 4º lugar, perdendo apenas para São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Confira a lista completa:
- São Paulo- 1151
- Minas Gerais - 55
- Goiás - 26
- Bahia - 24
- Pará - 21
- Rio de Janeiro - 21
- Rio Grande do Sul - 20
- Mato Grosso do Sul - 19
- Paraná - 18
- Mato Grosso - 16
- Santa Catarina - 12
- Amazonas - 11
- Ceará - 11
- Amapá - 10
- Tocantins - 8
- Piauí - 8
- Pernambuco - 7
- Paraíba - 6
- Maranhão - 6
- Rio Grande do Norte - 5
- Espírito Santo - 3
- Alagoas - 2
- Distrito Federal - 2
Em 2025, dos 9 estados do Nordeste, 7 receberam investimentos chineses ligados aos setores de eletricidade, mineração e na indústria manufatureira.
Confira a relação de investimentos em 2025
- Paraíba - 2
- Maranhão - 2
- Ceará - 2
- Bahia - 2
- Rio Grande do Norte - 1
- Pernambuco - 1
- Alagoas - 1
Setores mais investidos pela China na Bahia
Entre os setores que receberam maior investimento no Brasil foi o setor automotivo, em especial de veículos eletrificados, e é um passo promissor para a integração de cadeias produtivas entre Brasil e China.
O ano de 2025 foi marcado pela inauguração das fábricas da BYD na Bahia e da GWM no estado de São Paulo, bem como por novos aportes da Geely, que incluíram a aquisição de 26,4% da Renault do Brasil, também com foco em projetos ligados à mobilidade elétrica.
A Bahia em quatro rodas acelerou neste ano, com a chegada da BYD que contornou uma lacuna de desemprego no setor desde o fechamento da fábrica da Ford, em Camaçari, em 2021.
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De acordo com dados recentes da Federação de Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), a economia baiana deve crescer 1,4% em 2026, e deve ser impulsionada principalmente pela consolidação do polo automotivo em Camaçari e pela expansão de serviços em Salvador.
O crescimento do estoque de emprego em Camaçari, de acordo com a Federação de Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), reflete a consolidação de novos investimentos estruturantes e a reativação da cadeia produtiva automotiva regional. A expectativa é de que esses resultados sejam acompanhados em um curto prazo de novas demandas para a indústria baiana.
“A curto prazo, espera-se a manutenção do ritmo de contratações à medida que as unidades fabris atingem sua capacidade operacional plena. O desafio futuro residirá na qualificação da mão de obra local para atender às demandas de novas tecnologias veiculares, o que pode atrair fornecedores de autopeças de maior valor agregado, consolidando Camaçari como um hub automotivo resiliente e tecnologicamente avançado no Nordeste”, aponta relatório do comitê.
A conexão entre investimentos ligados a fabricação de veículos eletrificados e minerais críticos, essenciais para a fabricação de peças em automotores, evidencia um potencial ainda maior de integração dessas cadeias produtivas em território nacional, e despontando oportunidades na internalização de segmentos estratégicos ligados à transição energética, com possíveis ganhos em termos de inovação, diversificação produtiva e fortalecimento de sua posição nas cadeias globais associadas a tecnologias de baixo carbono.
Além do setor automotivo, outros setores que mais atraíram investimentos chineses no Brasil foram:
- Eletricidade
- Indústria manufatureira
- Mineração
- Petróleo
- Transporte terrestre
Mineração em constante ascensão
Para que o setor automotivo pudesse, também, ser impulsionado, os investimentos chineses também voltaram-se ao setor de mineração, que foi o segundo setor com maiores participações da China.
No primeiro trimestre de 2026, a Bahia foi responsável pelo 3º maior faturamento em minerais, com participação de 6%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). O estado fica atrás apenas de Minas Gerais e Pará, que tiveram participações de 38% e 35%, respectivamente.
O Brasil registrou faturamento do setor mineral de R$ 298,8 bilhões, 10,3% de aumento em relação a 2024.
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A Bahia também foi um dos estados que receberam maiores investimentos para os anos 2026-2030, com US$ 11.687 milhões, com 15,2% de participação total do setor.
Em 2025, a chinesa CMOC, uma das principais empresas de mineração no mundo, realizou a maior aquisição no setor minerário entre as empresas chinesas, com a compra de minas de ouro da canadense Equinox Gold, localizada na Bahia e mais dois estados. A transação que chegou a cerca de US$ 1 bilhão.
Brasil lidera investimentos chineses
Os investimentos chineses no Brasil chegaram a US$ 6,1 bilhões em 2025, um aumento de 45% em relação a 2024 e o maior valor registrado desde 2017.
O desempenho dos aportes chineses no Brasil foi muito superior ao dos investimentos estrangeiros como um todo no país, que avançaram 4,8% em 2025, atingindo US$ 77,7 bilhões, bem como ao dos investimentos da China no mundo, que cresceram 1,3%, somando US$ 145,7 bilhões.
Sob a perspectiva do número de projetos, e não do valor dos investimentos em dólares, houve recorde de 52 empreendimentos chineses no Brasil em 2025, um aumento de 33% em relação a 2024.
O setor de eletricidade foi o que mais atraiu investimentos chineses no Brasil, com participação de 29,5% e aportes que somaram US$ 1,79 bilhão, um aumento de 25% em relação a 2024 e o maior valor desde 2020.
A área de mineração recebeu investimentos de US$ 1,76 bilhão – mais que o triplo do valor registrado em 2024 e o maior valor desde 2011. O montante equivale a 29% do valor investido pela China no país em 2025, alçando o setor ao segundo lugar, com diferença de apenas 0,5 ponto percentual em relação ao segmento de eletricidade. O percentual de participação da mineração foi o maior registrado pelo setor desde o início da série histórica, em 2007.
O setor automotivo ficou em terceiro lugar e respondeu por 15,8% do valor investido pelas empresas chinesas no Brasil em 2025, com aportes que somaram US$ 965 milhões — cifra 66% maior do que a registrada em 2024.
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