CACAU BAIANO
Chocolate premium e 'Bean to Bar' impulsionam nova era do cacau na Bahia
Bahia domina 60% da produção de cacau e mira exportação de chocolate fino

A procura por chocolates especiais e bean to bar no Brasil está despontando ainda mais a produção de cacau no estado da Bahia. Ao que se refere a safra 2025/2026, foram mais de 137 mil toneladas de amêndoas e estimativa de R$ 6,5 bilhões em valor bruto da produção em 2025. Esses dados, portanto, só tendem a crescer.
Projeções para 2026, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o cacau deve se consolidar como um dos motores do crescimento agrícola da Bahia, com aumento de 5,3% em comparação a 2025.
Não é difícil projetar esse crescimento, afinal, o cacau baiano vem crescendo em produtividade, adoção de novas tecnologias aliadas a práticas sustentáveis, controle fitossanitário, diversificação do uso e condições climáticas do país, que o fortalecem em meio a outras culturas consolidadas no estado, como a soja, o milho e o algodão.
Processos como fermentação, secagem, torra, rastreabilidade e análise sensorial impactam diretamente o valor final do produto, e o mercado consumidor está cada vez mais atento a essas mudanças. Nesse cenário, o conhecimento técnico deixou de ser diferencial e passou a determinar a competitividade de produtores e empresas.
Alta na oferta de qualificação
Com alta na demanda, cresce também a oferta de qualificação de mão de obra, voltada à cadeia do cacau e do chocolate no Brasil. É exemplo o Centro de Inovação do Cacau (CIC), localizado no Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul), em Ilhéus que já lançou a programação de cursos voltada para especialização de novos formatos de produção de chocolate.
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São cursos que vão desde Bean to Bar - chocolates produzidos com acompanhamento completo da seleção das amêndoas até a produção final - até análise sensorial do cacau.
Confira os cursos ofertados:
- Bean to Bar;
- Máquinas; Tecnologia e Processo; processos marcas e vivências;
- Sensorial avançado;
- Classificação de Amêndoas segundo a ISO 2451;
- Introdução à análise sensorial de cacau;
- Reconhecimento de defeitos;
- Reconhecendo qualidade.
A nova agenda cobre diferentes etapas da cadeia produtiva, da produção ao sensorial. Os cursos combinam teoria aplicada, práticas em laboratório e experiências técnicas.
Qualificação e suporte para produtores
Para atender a esse movimento, outras instituições vem investindo em suporte para quem está na linha de frente dessa produção, é o exemplo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), que oferece apoio ao produtor baiano
“Para se ter uma mão-de-obra qualificada, é preciso produzir um cacau de qualidade, e esse é um trabalho que a federação faz dando assistência técnica aos produtores, capacitação e qualificação na mão-de-obra de produzir um cacau de qualidade para diversificação da produção de chocolate de qualidade na Bahia”, disse Humberto Miranda, presidente da Faeb.
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De acordo com o presidente, os investimentos estão ligados, principalmente, à melhora na produção e no processamento desse produto, como:
- Preparo do solo
- Plantio do cacau
- Técnicas de preparo sustentáveis
Bahia desponta mercado premium
Por ser o estado responsável por cerca de 60% do cacau produzido no país, com forte concentração nas regiões sul e baixo sul, a Bahia também está cada vez mais atenta ao mercado de chocolates premium e aos novos comportamentos do mercado consumidor.
“Bahia realmente vem criando pequenos nichos de produção de chocolate de qualidade. Já temos marcas reconhecidas a nível nacional e até internacional, devido à melhoria da qualidade da venda de cacau e consequentemente da agroindustrialização desse produto que tem levado a Bahia também a se tornar uma referência na produção de chocolate de qualidade”, explica Miranda.
Ainda de acordo com o presidente, esse cenário de qualificação do cacau e do chocolate premium, como os especiais e bean to bar veio para ficar.
“O cliente está ficando cada vez mais exigente. Países da Europa ou dos Estados Unidos estão exigindo naturalmente as mais diversas certificações e rastreabilidade do produto. Ou seja, ele quer saber como esse produto foi produzido, qual as condições ambientais e quais as condições trabalhistas de produção. E esse cenário mira cada vez mais na produção de chocolate de qualidade”, finaliza ele.
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