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AVANÇO NA AGROPECUÁRIA

Fazendas apostam em 'nova raça' de gado e miram ganhos milionários

Agrônomos querem unir o maior valor agregado e adaptação às condições climáticas

Carla Melo
Por
| Atualizada em

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O melhoramento genético busca atender a nova tendência no campo
O melhoramento genético busca atender a nova tendência no campo - Foto: José Simões/ Ag A TARDE

Cada vez mais atentas às mudanças tecnológicas, climáticas e até comportamentais do mercado agro, o homem do campo começa a pensar no fortalecimento da cadeia produtiva animal, focando em uma nova frente: o melhoramento genético de raças de gado.

Fazendas no Mato Grosso do Sul agora focam na busca por eficiência e rentabilidade através do cruzamento de duas grandes raças de bois:

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  • Nelore, reconhecida pela rusticidade e adaptação ao clima tropical
  • Angus, valorizadas pelo maior marmoreio, precocidade na engorda, ausência de chifres e melhor desempenho econômico na venda

O investimento do Grupo Learn na nova estratégia na cadeia da carne se iniciou há quatro anos, através da inseminação artificial e o cruzamento industrial entre as raças. A estratégia é unir o maior valor agregado sem abrir mão da adaptação às condições climáticas brasileiras.

A ideia, de acordo com o grupo, é produzir um bezerro mais pesado, mais precoce e mais valorizado, de forma que a sua produção seja mais ágil e que o seu valor de venda seja maior.

Altos investimentos e ganhos eficientes

O investimento é feito por meio de genética com Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), um protocolo hormonal em bovinos que sincroniza a ovulação, permitindo inseminar no dia e hora marcados, sem observar o cio, aumentando a taxa de prenhez.

"Trabalhamos com seleção de matrizes, protocolo bem feito e genética provada. As taxas de prenhez ficam entre 45% e 60% na primeira inseminação, dentro do padrão de mercado", explica Rafael Rocha, diretor do grupo.

Além disso, o novo cruzamento também é acompanhado com equipe técnica com veterinário e estrutura de currais, manejos e reforços de cercas. Os investimentos giram em torno de R$ 150 a R$ 300 por matriz ao ano.

De acordo com o grupo, o resultado do investimento está altamente ligado ao aumento do porte do animal. O bezerro do cruzado Aberdeen Angus entrega 210 kg a 240 kg, em fase de desmama, enquanto o Nelore tradicional está na faixa de 180 kg e 210 kg, na mesma idade. Um ganho de 15% a 20% no peso.

"O lote fica mais padronizado e isso faz muita diferença na venda. No leilão, a gente vê ágio de 8% a 20% por cabeça, além de muito mais procura e disputa", explica o CEO.

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Ainda segundo Rocha, o melhoramento genético busca atender a nova tendência de reduzir a dependência do modelo extensivo baseado em escala e avançar para sistemas que priorizam produtividade por hectare e valor por animal.

"A decisão de partir para o melhoramento genético veio quando começamos a olhar mais para o resultado do que para só a tradição. O Nelore sempre foi e continua sendo a base do nosso sistema pela rusticidade, mas percebemos que dava para evoluir principalmente em peso à desmama e o valor de venda", disse ele

Novo modelo produtivo

A operação está distribuída em três fazendas próprias em Porto Murtinho e uma área arrendada em Campo Grande, reunindo cerca de 3 mil cabeças de gado e faturamento anual de R$ 14,4 milhões.

As fazendas passam por um processo de reestruturação para a implantação do sistema de confinamento, que consiste em encurtar o ciclo produtivo, aumentar o giro do rebanho e ter maior previsibilidade sobre os resultados, fatores essenciais em um cenário de custos pressionados e margens cada vez mais ajustadas.

De acordo com o grupo, a estratégia surge através de um mercado cada vez mais exigente, com demandas por carne de qualidade superior em escala.

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Tags:

agropecuária economia melhoramento genético

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