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Suspensão de carnes do Brasil pela UE começa nesta quinta; veja o que muda

Embargo foi anunciado em maio deste ano

Victoria Isabel
Por
Carne moída
Carne moída - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil

A União Europeia (UE) começa a suspender nesta quinta-feira, 3, as importações de produtos de origem animal do Brasil. A medida atinge carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos, que ficam impedidos de entrar nos 27 países do bloco.

O embargo foi anunciado pela UE em maio, depois que o Brasil foi retirado da lista de países considerados aptos a cumprir as regras europeias para o uso de antimicrobianos na pecuária.

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As substâncias são utilizadas no tratamento de infecções em animais, mas a União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. O bloco também não permite a utilização em animais de medicamentos antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos.

A decisão, segundo as informações divulgadas, não ocorreu devido à identificação de irregularidades na carne brasileira, mas pela avaliação da UE de que os mecanismos de controle adotados pelo Brasil para o uso dessas substâncias são insuficientes.

Auditoria pode influenciar decisão

Nesta semana, representantes da União Europeia realizam uma auditoria no Brasil nas cadeias de produção de frango e mel. A inspeção deve ser concluída até sexta-feira, 4.

Mesmo após o fim da auditoria, entretanto, uma eventual decisão sobre a retomada das compras não será imediata. O resultado ainda precisa ser analisado pelas autoridades europeias, em um processo que pode levar cerca de dois meses.

O governo brasileiro vem negociando com a UE desde o anúncio do embargo. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proibiu o uso de alguns antimicrobianos, entre eles avoparcina, virginiamicina e bacitracina.

No mês seguinte, o governo propôs um período de transição para atender às exigências europeias, mas a proposta foi rejeitada pelo bloco.

Em junho, o Brasil anunciou um novo protocolo para controlar o uso de antimicrobianos na pecuária. Entre as medidas está o rastreamento do animal desde o nascimento até o abate, com o objetivo de comprovar que as substâncias proibidas não foram utilizadas.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a UE já aderiram ao protocolo.

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Por que a UE suspendeu as compras?

A União Europeia afirma que o Brasil não possui controles suficientes sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

O bloco proíbe substâncias utilizadas para estimular o crescimento dos animais e também antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos.

A suspensão ocorre em meio às negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul. Representantes do agronegócio brasileiro classificaram a medida como protecionista, enquanto agricultores europeus demonstram resistência ao acordo comercial por temerem a concorrência de produtos sul-americanos.

Argentina, Paraguai e Uruguai, os demais países do Mercosul, seguem autorizados a exportar seus produtos de origem animal para a União Europeia.

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Carnes exportações UE

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