EDUCAÇÃO
Escola de Salvador ganha R$ 100 mil para criar jardim sensorial
Projeto em Pernambués prevê espaço verde para aprendizagem e brincadeiras


A Escola Municipal CSU de Pernambués, em Salvador, foi uma das cinco vencedoras do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza 2026 e receberá R$ 100 mil para implantar um jardim sensorial. A proposta prevê transformar uma área de 150 metros quadrados, atualmente com pouca vegetação, em um espaço de aprendizagem, brincadeiras e contato com a natureza.
A iniciativa busca ampliar as possibilidades pedagógicas dos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental e contribuir para melhorar o ambiente escolar diante dos efeitos das altas temperaturas. A expectativa é beneficiar entre 100 e 150 alunos com atividades que envolvam exploração sensorial, experiências práticas e educação ambiental.
Leia Também:
O projeto foi selecionado entre 213 inscrições da segunda edição do prêmio, promovido pelo Instituto Motiva. A avaliação considerou critérios como inovação, impacto, protagonismo estudantil e conexão com o território.
A proposta foi apresentada pela professora Naisa Carolina dos Santos e prevê a criação de três ambientes: uma horta, um jardim sensorial e uma área aberta para atividades educativas. O planejamento inclui elementos naturais com diferentes texturas, aromas e cores, para estimular a curiosidade, a percepção e a interação das crianças.
“A conquista do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza representa um motivo de grande orgulho e alegria para toda a comunidade escolar de Pernambués. É o reconhecimento de um trabalho coletivo que acredita na educação como instrumento de transformação social e na natureza como espaço de aprendizagem, cuidado e bem-estar”, afirma Naisa.

A proposta é utilizar os espaços em atividades interdisciplinares, aproximando os conteúdos trabalhados em sala de aula de experiências práticas. Na horta, os estudantes poderão acompanhar o desenvolvimento das plantas e discutir temas como alimentação saudável e sustentabilidade.
Já o jardim sensorial será voltado à exploração dos sentidos, à percepção do ambiente e à inclusão. A área aberta poderá receber aulas, rodas de conversa, momentos de leitura, brincadeiras e experimentos.
Segundo a professora, a intenção é ampliar as oportunidades de aprendizagem por meio do contato direto com a natureza.
“Esses ambientes possibilitarão que as crianças aprendam por meio da exploração, da experimentação e do contato direto com a natureza, tornando o processo educativo mais prazeroso, participativo e significativo para toda a comunidade escolar”, diz.
A criação do espaço também está relacionada aos desafios ambientais enfrentados pelas escolas em áreas urbanas, onde a falta de vegetação e a exposição ao calor podem afetar o conforto dos estudantes.
Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, afirma que a proposta de Pernambués se destacou por relacionar a educação ambiental a necessidades concretas da unidade escolar.
“O Jardim Sensorial será pensado não apenas como uma área verde, mas como um ambiente de aprendizagem capaz de estimular a curiosidade, a investigação, a convivência e o desenvolvimento integral das crianças”, avalia.
A iniciativa ocorre em um contexto de desafios para a adaptação climática das escolas brasileiras. Levantamento do MapBiomas, realizado a partir de uma iniciativa do Instituto Alana e com assessoria técnica da Fiquem Sabendo, analisou 20.635 escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental nas capitais brasileiras e em Brasília.

Segundo o estudo, 37,4% das instituições analisadas não possuem áreas verdes dentro de seus terrenos. Cerca de 1,5 milhão de estudantes frequentam escolas sem praças ou parques em um raio de 500 metros. A pesquisa também identificou aproximadamente 370 mil crianças em unidades localizadas em áreas de risco de desastres, como alagamentos e deslizamentos.
Em Salvador, o levantamento aponta que 87% das escolas não possuem cobertura vegetal e metade está localizada em áreas de risco climático.
Os impactos das mudanças climáticas também atingem a frequência escolar. Dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicaram que, em 2025, pelo menos 745 mil crianças e adolescentes no Brasil tiveram as aulas interrompidas em algum momento por eventos climáticos, principalmente ondas de calor.
Nesse cenário, a transformação de espaços escolares pouco arborizados em ambientes verdes pode contribuir tanto para o conforto térmico quanto para o desenvolvimento de atividades pedagógicas relacionadas à biodiversidade, à sustentabilidade e ao cuidado com o território.
A conquista da unidade de Pernambués dá continuidade à participação baiana na premiação. Em 2025, a Escola Municipal Enock Amaral, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, venceu na área de atuação do Metrô Bahia com o projeto “Raízes e Rios: Reconectando Infâncias e Territórios”.
A escola também recebeu R$ 100 mil para desenvolver a proposta, cujas intervenções foram entregues em março de 2026. O trabalho incluiu a integração da natureza ao espaço escolar e atividades de cuidado ambiental com participação dos estudantes.
Na edição deste ano, além da escola de Salvador, foram selecionadas instituições de Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. A premiação faz parte do programa Escolas Baseadas na Natureza, que incentiva educadores e gestores a utilizar os próprios ambientes escolares como espaços de aprendizagem e adaptação aos desafios climáticos.


