EDUCAÇÃO
Escolas municipais de Salvador servem 180 mil refeições diariamente
Alimentação escolar atende cerca de 160 mil alunos com iniciativas de incentivo a hábitos saudáveis


Cerca de 180 mil refeições são servidas diariamente a aproximadamente 160 mil estudantes da rede municipal de ensino de Salvador, incluindo alunos de instituições conveniadas. A operação abrange mais de 400 unidades escolares e envolve cerca de 600 merendeiras e 80 nutricionistas, responsáveis pelo planejamento, preparo e acompanhamento da alimentação oferecida aos alunos.
Ao longo dos 200 dias letivos, o volume chega a quase 36 milhões de refeições, com cardápios elaborados conforme a faixa etária e o período de permanência dos estudantes na escola. A alimentação também integra as ações pedagógicas voltadas à promoção de hábitos saudáveis, como uma atividade de educação nutricional realizada na quinta-feira, 15, na Escola Municipal Eduardo Campos, em Águas Claras, na capital baiana.
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A iniciativa, acompanhada pela equipe de nutrição da Gerência Regional de Educação (GRE) Cajazeiras, utiliza jogos e explicações adaptadas à linguagem das crianças para abordar a importância dos alimentos e incentivar escolhas conscientes.
Para a vice-diretora da unidade, Raquel Nascimento Cerqueira, a presença de profissionais da área contribui para aprofundar os conhecimentos trabalhados em sala de aula.
“Quando eles veem uma ação com uma nutricionista, têm a oportunidade de tirar dúvidas mais específicas. A forma que ela está usando é bem didática, com jogos na linguagem deles”, destaca.
Segundo a educadora, as informações também podem ser compartilhadas pelos estudantes com seus familiares, ampliando o alcance das orientações sobre alimentação saudável.
Entre os alunos, a relação com a comida servida na escola aparece nos relatos de Sanderson Santos Minelli, de 12 anos, do terceiro ano. “Eu valorizo muito porque elas fazem uma comida muito boa”, afirma, ao se referir às profissionais responsáveis pelo preparo das refeições.
Melissa Lima Santos, de oito anos, aluna do segundo ano, também destaca o cuidado no serviço. “As pessoas gostam da comida da escola porque a tia faz com amor e carinho”, diz.
Cardápios consideram idade e jornada escolar

O planejamento das refeições é feito por nutricionistas, de acordo com as necessidades nutricionais dos estudantes e as modalidades de ensino atendidas, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
A nutricionista Ayala Portela, que acompanha as unidades da GRE Cajazeiras, explica que o cardápio considera o tempo de permanência dos alunos na escola e as particularidades de cada etapa de ensino.
“O cardápio é pensado para suprir essas necessidades durante o período em que o aluno (a) estiver na unidade escolar”, explica.
Na regional, o acompanhamento abrange 45 escolas e inclui a supervisão das cozinhas, com atenção ao armazenamento dos ingredientes, ao preparo e à qualidade das refeições.
A quantidade de refeições varia conforme a modalidade de ensino. Nas creches, por exemplo, são oferecidas cinco refeições por dia. Já nas escolas de tempo integral do Ensino Fundamental, a alimentação é distribuída ao longo da jornada, incluindo desjejum, almoço e lanche.
Frutas, sanduíches, cuscuz, batata-doce, aipim e ovos estão entre os alimentos previstos nos cardápios, que também incluem preparações como baião de dois, feijoadinha escolar, moqueca de ovos e frango com quiabo e abóbora.
Segundo Ayala, as preparações salgadas mais completas costumam ser oferecidas duas vezes por semana aos estudantes do ensino em tempo parcial, que recebem de uma a duas refeições diárias.
“A escola é um espaço de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável”, reforça a nutricionista.

Acompanhamento envolve 80 nutricionistas
A Coordenadoria de Alimentação Escolar (CAE) é responsável pelo planejamento dos cardápios, pela orientação das unidades, pelo monitoramento dos serviços e pela fiscalização da qualidade dos alimentos. O trabalho é realizado em conjunto com nutricionistas das empresas prestadoras de serviço, reunindo cerca de 80 profissionais.
De acordo com Juliana Garcia, coordenadora e responsável técnica pela Alimentação Escolar, a prioridade é oferecer refeições equilibradas, com alimentos in natura e minimamente processados. A alimentação adequada, segundo ela, contribui para o crescimento e o desenvolvimento dos estudantes, além de favorecer a concentração e a aprendizagem.
Nas cozinhas, aproximadamente 600 merendeiras atuam no preparo e na distribuição das refeições, seguindo orientações de higiene e segurança alimentar.
Entre os desafios da operação, Juliana destaca a necessidade de manter a regularidade do atendimento e a qualidade dos alimentos em todas as unidades, além de assegurar o cumprimento dos cardápios e dos contratos.
A fiscalização também conta com a participação do Conselho Municipal de Alimentação Escolar (Comae), responsável pelo controle social da execução do PNAE. O órgão acompanha a aplicação do programa e contribui para a transparência e a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes.


