EDUCAÇÃO
Filme promove reflexão sobre alfabetização inclusiva em Cachoeira
Encontro do ProLEEI discutiu o acolhimento e o respeito às diferentes formas de apredizagem


Professores e coordenadores da rede municipal de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, participaram, na manhã desta quinta-feira, 29, de um encontro sobre alfabetização inclusiva. A atividade marcou o encerramento das formações do Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI) e teve como ponto de partida a exibição do filme Como Estrelas na Terra, seguida de uma roda de conversa sobre os desafios da aprendizagem e a importância de reconhecer as particularidades de cada criança.
Realizada no Cine Teatro Cachoeirano, a sessão apresentou a história de Ishaan, um menino de 9 anos com dislexia que enfrenta dificuldades de aprendizagem e incompreensão nos ambientes escolar e familiar. A narrativa provocou reflexões entre os participantes sobre situações que podem ser confundidas com indisciplina ou desinteresse, mas que, na realidade, podem indicar necessidades específicas de aprendizagem.
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Durante a discussão, a diretora pedagógica Driele Alana Ferreira Pacheco compartilhou experiências pessoais despertadas pelo filme e destacou a influência que um professor pode exercer na trajetória de um estudante.
“O filme me convidou a refletir sobre a professora que sou, a profissional que desejo me tornar e sobretudo, aquela que não quero ser”, afirmou. Ela também relembrou a professora Nelmira, que, segundo seu relato, encontrou maneiras de transformar oportunidades em aprendizagem e incentivou seu interesse pela leitura.
Para Driele, reconhecer as singularidades dos estudantes é fundamental para evitar julgamentos e identificar diferentes maneiras de aprender.
“Essa lembrança reforça em mim a importância de um olhar sensível, atento e acolhedor às singularidades de cada criança, aquilo que interpretamos como indisciplina ou dificuldade, pode revelar uma maneira diferente de aprender, de se expressar e de descobrir o próprio potencial”, destacou.
A coordenadora, psicopedagoga e mãe atípica Lindinalva de Oliveira Santos também compartilhou sua experiência familiar. Ao relacionar a história do filme à trajetória da filha neurodivergente, ela relatou dificuldades enfrentadas pela criança em disciplinas como leitura, matemática e língua portuguesa, que, muitas vezes, podem ser interpretadas equivocadamente como falta de interesse ou preguiça.
“Eu cobrava, minha filha se sentia sufocada, passou a odiar a escola e a si mesma, porque não conseguia aprender”, contou.
Lindinalva relatou que buscou acompanhamento profissional especializado e passou a adotar uma abordagem baseada no diálogo, na escuta e na compreensão das necessidades da filha. Segundo ela, a parceria com a escola também contribuiu para mudanças no comportamento e na aprendizagem da estudante.
A coordenadora ressaltou ainda que a falta de compreensão sobre as diferenças pode provocar sofrimento emocional e dificultar a adaptação das crianças ao ambiente escolar.
“Ser mãe atípica não é nada fácil, as pessoas julgam o comportamento dos filhos, não entendem que eles têm dificuldades e são diferenciados, essa falta de compreensão causa dor e sofrimento para as mães e para seus filhos”, afirmou.
Ao final, Lindinalva destacou a importância da atuação dos profissionais da educação na construção de um ambiente acolhedor, em que as dificuldades não sejam motivos de rejeição e cada criança tenha suas necessidades respeitadas.
“O olhar sensível dos profissionais da educação com a minha filha tem sido um diferencial importante, para ela se adaptar às suas diferenças”, concluiu.


