EDUCAÇÃO
Projeto de bebetecas antirracistas é ampliado para 20 escolas em Salvador
Outras 10 escolas foram selecionadas a partir do cadastro reserva do projeto


O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), anunciou nesta quinta-feira, 3, a ampliação do projeto de bebetecas antirracistas para 20 escolasda rede municipal de ensino. A iniciativa, inicialmente planejada para contemplar 10 unidades, também incluirá outras 10 escolas que estavam no cadastro reserva do processo seletivo.
O anúncio foi feito durante uma cerimônia no Gabinete do prefeito, no Centro Histórico, com a presença da vice-prefeita Ana Paula Matos, do secretário municipal da Educação, Thiago Dantas, e da secretária municipal da Reparação, Isaura Genoveva.
Os investimentos para implantação são provenientes do Programa Dinheiro Direto na Escola Soteropolitana (PDDS), iniciativa da Prefeitura voltada à descentralização de recursos para projetos estratégicos. Cada unidade beneficiada receberá cerca de R$ 60 mil para aquisição de mobiliário, acervo literário e elementos culturais.
Segundo Bruno Reis, o objetivo é trabalhar o enfrentamento ao racismo desde os primeiros anos de formação das crianças. Ele também destacou que as novas unidades foram incorporadas a partir do resultado do processo seletivo realizado pela Secretaria Municipal da Educação (Smed).
“São espaços nas escolas que mostram a importância, desde o início da educação, de uma formação voltada para a diversidade étnico-racial e para o enfrentamento ao racismo. É importante que, na primeira infância, a criança já tenha contato com a cultura afro-brasileira. Isso ajuda na sua formação”.
Para a secretária municipal da Reparação, Isaura Genoveva, a ampliação da iniciativa representa uma ação de enfrentamento ao racismo e de valorização da população negra desde a primeira infância.
“É um ato não só inovador, mas uma prática de reparação social e de enfrentamento ao racismo. O racismo não nasce com a criança, ele é construído durante sua formação e, principalmente, pelos adultos”, afirmou.
Ela ressaltou ainda a necessidade de trabalhar as relações étnico-raciais considerando a formação histórica da sociedade brasileira.
“A gente precisa fazer esse processo de desconstrução. Então, já que foram quase quatro séculos de escravização e, no pós-abolição, a criação de uma massa desempregada, precisamos começar a construir esse processo inverso, de respeito à diversidade, de respeito à diferença e de respeito a quem construiu este país, que são as pessoas negras e afro-indígenas”, declarou.
Seleção das escolas
De acordo com o secretário municipal da Educação, Thiago Dantas, a seleção das escolas ocorreu por meio de edital, com critérios objetivos de pontuação e uma preocupação com a distribuição territorial das unidades contempladas.
“Nós fizemos um processo através de edital. Esse edital tinha uma série de critérios objetivos que permitiam atribuir uma pontuação a cada uma dessas escolas. Prezamos por um critério de equidade territorial”, explicou.
Inicialmente, a seleção buscou garantir pelo menos uma unidade contemplada em cada Gerência Regional de Educação (GRE). Com o número de inscrições superior ao previsto, a Smed decidiu recorrer ao cadastro reserva para ampliar a quantidade de escolas atendidas.
As 10 primeiras unidades selecionadas estão distribuídas pelas regiões Centro, Liberdade, São Caetano, Orla, Itapuã, Cabula, Pirajá, Subúrbio I, Cajazeiras e Subúrbio II. A relação oficial inclui:
- Escola Municipal João Lino;
- Centro Municipal de Educação Infantil Baronesa de Sauípe;
- CMEI Yolanda Pires;
- CMEI de Amaralina;
- Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Cassange;
- CMEI Olga Benário;
- CMEI Unidos de Castelo Branco;
- CMEI Deputado Lourival Evangelista Costa;
- Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Nova Brasília;
- CMEI Álvaro Bahia.
Segundo Dantas, as outras 10 escolas serão chamadas a partir da classificação obtida no processo seletivo. A intenção é que as unidades possam aderir à iniciativa e estruturar os espaços em breve.
Em dezembro de 2024, a gestão municipal havia inaugurado a bebeteca Curumim, na Creche e Pré-Escola Primeiro Passo Periperi, no Subúrbio, que serviu como projeto-piloto e referência nacional.