ELEIÇÃO NACIONAL
Candidato a vice de Flávio Bolsonaro desembarca em Salvador com série de polêmicas
Alfredo Gaspar é acusado de estupro de vulnerável e teve emendas questionadas pelo TCU



O candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), virá para Salvador no próximo sábado, 3, para conter o avanço do lulismo na Bahia. A escolha do parlamentar para a chapa bolsonarista surpreendeu interlocutores, ainda mais pelo acúmulo de polêmicas envolvidas neste ano.
Dentre os casos delicados, Alfredo Gaspar é acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente em 2013. Conforme a acusação, o deputado, inclusive, teria tido um filho fruto da relação. O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) desde o início deste ano.
Outra polêmica envolve a destinação de emendas pix para o município de São José da Laje, em Alagoas. O deputado realizou três transferências totalizando R$ 6,3 milhões para a cidade e foi citado em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) por perda da rastreabilidade.
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A acusação de estupro
A denúncia foi apresentada em março pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que protocolaram uma queixa-crime contra Gaspar. Segundo a acusação, ele teria se relacionado, em 2018, com uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado e tido um filho. Os parlamentares também alegaram que o deputado teria realizado pagamentos para tentar abafar o caso.
O caso tramita sob sigilo e foi distribuído ao ministro Gilmar Mendes. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou que a Polícia Federal realizasse uma apuração preliminar para verificar a existência de elementos que justificassem a abertura de um inquérito. Em agosto, a PF ainda fazia diligências relacionadas ao caso.
Gaspar nega acusação
Após a denúncia, Alfredo Gaspar afirmou publicamente que não cometeu o crime. Em abril, ele informou ter comparecido à polícia de Alagoas para fornecer material genético e disse ter solicitado voluntariamente uma ordem judicial para a coleta.
"Acabei de coletar o meu material genético e, por livre e espontânea vontade, pedi uma ordem judicial para fazer essa coleta. Fui acusado de forma covarde por um crime que jamais pratiquei", declarou o parlamentar na ocasião.
A defesa de Gaspar também sustenta que a história divulgada não corresponde aos fatos. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o deputado afirma que a acusação envolveria outra pessoa e nega ter praticado estupro.
Até o momento, a existência da apuração não significa que Gaspar tenha sido condenado ou que a acusação tenha sido comprovada.
Emendas Pix de R$ 6,2 milhões
Além da investigação relacionada à acusação de estupro, Alfredo Gaspar também teve emendas parlamentares destinadas ao município de São José da Laje, em Alagoas, analisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
As três transferências, realizadas em 2024 por meio das chamadas emendas Pix, somam cerca de R$ 6,2 milhões. Auditoria do TCU apontou perda de rastreabilidade dos recursos porque parte dos valores foi transferida para contas diferentes da conta específica.
O tribunal também identificou a ausência, na plataforma Transferegov, de relatório de gestão sobre a aplicação dos recursos.
Em abril, Lindbergh Farias havia pedido à PGR uma investigação sobre as emendas de Gaspar. A representação, segundo o material utilizado para esta reportagem, não avançou naquele momento por falta de indícios concretos de participação do parlamentar nas possíveis irregularidades.
Posteriormente, porém, o caso das emendas Pix passou a integrar uma investigação mais ampla determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF, sobre possíveis irregularidades em transferências especiais apontadas em auditorias do TCU. A apuração envolveu R$ 55,4 milhões em emendas de diferentes parlamentares, incluindo os R$ 6,2 milhões destinados por Gaspar.
Relação com São José da Laje
As emendas foram destinadas por Gaspar ao município de São José da Laje, onde a atual vice-prefeita, Ravena Grazyelle Valença Caldeira de Araújo, trabalhou anteriormente no gabinete do deputado. Segundo o Jornal de Alagoas, ela integrou a equipe parlamentar entre fevereiro de 2023 e julho de 2024.
A relação entre a ex-assessora e o município foi posteriormente mencionada em reportagens sobre a destinação dos recursos. Gaspar, por meio de sua assessoria, afirmou que as emendas foram destinadas regularmente e que cabe à prefeitura executar os recursos e prestar contas.


