
Por Cássio Moreira
Segurança pública, saúde, educação, cenário político. Esses temas, tão presentes no dia a dia do povo baiano, devem ganhar ainda mais destaque nos próximos meses, sendo amplamente explorados pelos grupos de governo e oposição até as eleições de outubro.
O Portal A TARDE conversou com integrantes dos dois blocos para entender as estratégias para a disputa nas urnas.
Puro-sangue e legado político
Dentro da base governista, hoje liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), o entendimento é de que o uso do legado político e de realizações das gestões petistas será o carro-chefe da campanha da reeleição do atual ocupante do Palácio de Ondina.
Aliados acreditam que a força do trio Jerônimo/Rui Costa/Jaques Wagner, com o portfólio de entregas estruturantes, a exemplo das intervenções urbanas em Salvador e nos demais municípios, e dos hospitais e escolas no interior. A chapa com os três petistas também é tida como um vetor para impulsionar candidaturas do partido, mesmo em um cenário de federação com PCdoB e PV, para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e Câmara dos Deputados.
Em entrevista ao Portal A TARDE, o cientista político João Vilas Boas fez uma análise do que será usado como ‘carro-chefe’ dentro da campanha de Jerônimo, que terá os dois ex-governadores do PT como candidatos ao Senado, cenário que tem se consolidado nas últimas semanas.
Na avaliação do analista, que converge com o que é dito pelos aliados petistas nos bastidores, a tendência é que o bloco apresente como cartão de visita um “pacotão do que foi feito e entregue” até aqui, refutando também a tese de que as gestões já estão ‘desgastadas’.

"Wagner é um dos políticos mais inteligentes e estrategistas dentro da conjuntura política baiana. Ele sabe que essa questão da chapa 'puro-sangue', para além de não pegar bem, na população tem tido uma dificuldade de absorção. Ele vai tentar colocar uma nova nomenclatura. Jerônimo vai entregar uma nova rodoviária, você tem muitas obras de Rui Costa. Eu acho que eles vão tentar fazer um pacotão do que foi feito e entregue, para tentar mostrar que não desgastou. O cabo eleitoral vai ser o ministro Rui Costa, essa vai ser a grande narrativa do PT", destacou.
A parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também deve ser usada novamente pelo grupo. A diferença, segundo alguns dos nomes consultados recentemente, é que o chefe do Planalto não é visto como o principal ator político do bloco para a disputa, que deve ser polarizada a nível regional.
Oposição
Na contramão de Jerônimo e do grupo governista, a oposição, hoje liderada pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao Palácio de Ondina, deve priorizar temas considerados sensíveis para a opinião pública.
A segurança pública será a principal aposta do bloco, mas temas como saúde e custo de vida da população devem também ser abordados. Ao Portal A TARDE, um importante aliado de Neto falou sobre o que o grupo pode usar como estratégia para avançar contra o governo.

“Acredito que um dos carros-chefe da eleição será o custo de vida da população, na verdade o aumento considerável do valor dos alimentos [...] Isso tá tão na atualidade, que o atual prefeito de Nova York tem um dos pilares da sua eleição a criação de mercearias municipais no que ele chama desertos alimentares”, afirmou o aliado político, ao ser questionado sobre o tema.

Os empréstimos recentes pedidos pelo governo estadual, autorizados pela Alba, também podem ser explorados pela oposição. Sobre o tema, João Vilas Boas afirmou que a abordagem usada pelo grupo será essencial para que o assunto emplaque no ambiente de debate político.
"Segurança pública é um prato cheio para a oposição, isso tem sido amplamente debatido. A própria questão da regulação, é um tema que entra muito em pauta. Tem outro tema que vai ser muito explorado que é a questão do volume de empréstimos. O governo chegou a mais de 20 empréstimos, isso é um valor muito alto. O grande desafio que a oposição vai ter é como contar isso para a população", explicou.
Temas que serão explorados
Governo
- Investimentos;
- Obras estruturantes;
- Legado político;
- Legado de gestão;
- Parceria com Lula;
- Entregas futuras;
Oposição
- Segurança pública;
- Saúde;
- Empréstimos;
- Desgaste político;
Conjuntura política
Além do contexto de temas que serão explorados pelos grupos, existem também as discussões para as estratégias de cunho político. Na oposição, por exemplo, a reaproximação com o ex-ministro João Roma (PL), com quem havia rompido em 2022, é vista como essencial para fortalecer sua candidatura à sucessão estadual.
"Tenho visto que Neto tem buscado corrigir alguns erros cometidos em 2022, como a conjuntura do PL e, sobretudo, de João Roma, e ele já buscou corrigir isso [...] Ele conseguiu aparar as arestas com João Roma, e isso foi importante para ele", destacou o cientista político.
"A questão da composição da chapa, da escolha da vice, em que Neto acabou fazendo de forma muito tardia [...] Acabou anunciando às vésperas da convenção uma vice com pouca identificação com a política e com a população. Já fez alguns convites, tem buscado tentar acertar o quanto antes", completou.
E o eleitor?
Pesa para os candidatos as mudanças no cenário eleitoral entre 2022 e 2026. Jerônimo, antes rosto desconhecido, agora terá julgado os quatro anos do seu governo.

"A gente teve um candidato a governador pouco conhecido no cenário de 2022. Jerônimo foi empurrado pela força do 13, e hoje vai ter uma eleição mais regionalizada. As pessoas vão julgar Jerônimo pelos resultados que ele alcançou ou deixar de alcançar. As pessoas já viram o volume de gestão dele, o que ele é capaz de entregar. Essa é uma diferença muito grande de 2022 para 2026, que é esse olhar administrativo", pontuou o cientista político.
Meta dos grupos
Fora do ambiente de estratégias de campanha, os dois grupos traçam metas ambiciosas para as eleições de outubro. Dentro da oposição, a ideia é eleger ao menos um senador nas duas cadeiras em jogo.
Já para o governo, além das vitórias de Jerônimo, Jaques Wagner e Rui Costa, há o empenho para que a bancada governista seja ampliada na Alba, com a eleição de um número maior de deputados estaduais do PT.
Jerônimo e ACM Neto devem trazer mais detalhes de suas propostas e táticas para as campanhas em seus respectivos planos de governo, que precisam ser apresentados à Justiça Eleitoral no prazo estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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