ELEIÇÕES
Partidos sacam calculadora e traçam estratégia para a Câmara dos Deputados
Principais siglas fazem projeções de cadeiras na bancada baiana



No dia 4 de outubro deste ano, os 11.3 milhões de eleitores baianos escolherão os 39 parlamentares que representarão o estado pelos próximos quatro anos na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Com a expectativa de aumento na média de corte para alcançar uma cadeira, pelo menos, os partidos começam a usar suas calculadoras, na tentativa de entendimento do cenário eleitoral.
As projeções são feitas com base nos últimos pleitos, levando também em consideração a tendência de aumento no número de eleitores de uma eleição para a outra, no intervalo de quatro anos.
O portal A TARDE explica como funciona a eleição para deputado federal, trazendo também um recorte do número de parlamentares de cada sigla na Bahia nas legislaturas no século XXI.
Como é feito o cálculo para eleger um deputado federal?
Atualmente, o Brasil adota o modelo de votos proporcionais para cargos legislativos, tendo em vista o fortalecimento das instituições partidárias, que são as ‘detentoras’ das cadeiras conquistadas.
O cálculo é feito da seguinte forma: após a divulgação do número de votos válidos, esses mesmos votos são divididos pela quantidade de cadeiras em jogo. A partir daí, cada sigla garante uma vaga se alcançar a média mínima.
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Exemplo: com a média de corte de 200 mil eleitores, um partido consegue conquistar três cadeiras, caso tenha, no mínimo, 600 mil votos. Assim, os três mais votados da legenda são eleitos.
Sobras de votos também garantem cadeiras
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também prevê a garantia de cadeiras para os partidos com base na sobra de votos.
Os eleitos com a sobra passam por uma espécie de ‘repescagem’ com os votos válidos restantes.
Qual será a média de votos na Bahia em 2026?
A Bahia hoje conta com cerca de 11.3 milhões de eleitores aptos para o voto. Essa quantidade pode não se refletir nas urnas, uma vez que uma pequena parcela pode se ausentar da votação, que é obrigatória no Brasil, no dia da eleição.
Além do mais, os votos brancos e nulos não se encaixam no ‘universo’ de votos válidos na hora da apuração.
Em 2022, a média de corte para uma cadeira na bancada baiana na Câmara dos Deputados foi de 204.087 votos. Assim, cada legenda tinha que alcançar, no mínimo, essa quantidade de votos para eleger um deputado federal.
O portal A TARDE fez uma matemática, com base nos últimos três pleitos, chegando ao número aproximado de 9.740.215 votos válidos. Essa quantidade de eleitores dividida por 39 cadeiras dá uma média de 249.749 votos por vaga.
Partidos ligam sinal de alerta na Bahia
O aumento da quantidade de votos necessários para eleger um deputado federal na Bahia, os principais partidos começaram a ligar o sinal de alerta para a tendência de uma eleição ainda mais disputada.
Em conversas reservadas com deputados de mandato e dirigentes partidários, o diagnóstico é parecido: todos entendem que a campanha tem sido ainda mais difícil, com a presença de candidaturas mais competitivas.
Mudanças na bancada baiana no século XXI
O portal A TARDE fez um levantamento do resultado dos partidos nas eleições para a Câmara dos Deputados a partir de 2002, primeiro pleito do século XXI.
Domínio do PFL baiano no início do século
Maior sigla da Bahia na virada do século, sendo o pilar do chamado ‘Carlismo’ no estado, o Partido da Frente Liberal (PFL) elegeu 19 dos 39 deputados federais baianos em 2002, representando cerca de 48.72% da bancada.
O PT, já em crescimento e impulsionado pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor do pleito presidencial daquele ano, elegeu sete parlamentares baianos, seguido pelo PMDB, que fez três cadeiras, por PSDB, que garantiu dois deputados federais baianos, e PCdoB e PP, que também fizeram duas cadeiras.
PTB, PDT, PPS e PV fizeram uma cadeira dentro da bancada baiana na mesma eleição.
Em 2006, quando perde o governo da Bahia para o PT, o PFL consegue manter a maior bancada baiana na Câmara dos Deputados, mas com uma redução de 19 para 13 deputados, uma perda de seis parlamentares.
O PT, que elegeu Jaques Wagner para o governo, conseguiu fazer um deputado a mais do que em 2002, chegando a oito cadeiras, seguido pelo PL, PP e PDT, que elegeram três deputados cada.
Em 2010, o PT assumiu o posto de partido com a maior bancada na Bahia, elegendo dez deputados federais no pleito, seguido pelo Democratas, sucesso do PFL, que perdeu cadeiras, ficando com apenas seis parlamentares.
O Progressistas veio na sequência, com quatro deputados federais eleitos pela Bahia, mesmo número do PDT. PCdoB e PR (hoje PL) fizeram três deputados.
PT e PSD dominam bancada baiana na Câmara
A partir de 2014, o PT se consolidou como maior bancada da Bahia na Câmara dos Deputados, dividindo o protagonismo com o novato PSD, que se tornaria seu principal aliado no estado nos anos seguintes.
Os petistas conseguiram fazer oito deputados federais, dois a menos do que em 2010, sendo seguido pelo DEM, que conseguiu apenas quatro deputados federais, mesmo número do PSD e do PP, que manteve sua bancada.
Na eleição seguinte, em 2018, o PT perdeu uma cadeira, fazendo sete deputados, mantendo o status de maior bancada da Bahia na Câmara dos Deputados.
O PSD cresceu nessa mesma eleição, chegando a cinco deputados federais eleitos pela Bahia, número maior que Democratas e Progressistas, que fizeram quatro parlamentares cada.
Eleições em 2022 e federação partidária
Em 2022, o PT elegeu novamente sete deputados federais, mantendo o mesmo número de parlamentares do pleito anterior. Desta vez, no entanto, o partido dividiu votos dentro da chamada Federação Brasil da Esperança, bloco formado com PV e PCdoB.
O PSD manteve o crescimento das eleições anteriores, fazendo seis deputados federais, mesmo número de parlamentares que o União Brasil, fruto da fusão entre Democratas e PSL, estreante em eleições.
O PP fez quatro deputados federais, um a mais que PL e Republicanos, que fizeram três cadeiras cada.
Quando acontecerá a eleição para deputado federal?
A eleição para deputado federal acontecerá no dia 4 de outubro, junto com o pleito para deputado estadual, senador, governador e presidente.


