ESPECIAL SAÚDE
Controle financeiro evita desequilíbrio emocional
Descontrole do orçamento e vícios como apostas acendem alerta para o esgotamento emocional


Na era atual da doença emocional, especialistas chamam a atenção para os casos de aumento de índices na saúde mental, fruto de desequilíbrio emocional e da falta de bem-estar psicológico, com origens que vão desde traumas da infância a decepções amorosas na fase adulta.
“Questões relacionadas ao dinheiro têm muita relação com problemas emocionais. Existem vários estudos que abordam este assunto”, afirma o educador financeiro Edisio Freire. O desafio diário, diz, é ter um bom controle financeiro para manter o equilíbrio emocional. E essa equação se aprende com educação financeira.
São várias as situações que podem provocar um desequilíbrio financeiro. “Temos questões de história familiar e individuais de cada um. Mas tem elementos que estão no nosso dia a dia e que nos estimulam ao consumo desenfreado, desregulado, descontrolado. As propagandas estão aí, o marketing é muito forte, o apelo social também. Então, as pessoas acabam tendo ou querendo manter um status que, às vezes, não cabe no seu orçamento”, discorre, destacando os jogos e as bets como perigosos para a saúde financeira e mental.
Esses vícios, segundo Edisio, têm tirado a paz de muitas famílias e a vida de muitas pessoas, por conta do endividamento.
“É um dado que não tem uma estatística clara, mas eu tenho atendido famílias e pessoas nessa situação e isso é muito forte, é muito grave e eu gostaria de ver mais debates sobre isso, porque esses jogos têm prejudicado as famílias e a economia do país de um modo em geral. Precisamos cuidar dos nossos pares, cônjuges, filhos, amigos diante desse cenário que é tão delicado na nossa sociedade atual”, discursa.
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Edisio Freire destaca o comportamento como um ponto central da relação saúde mental x saúde financeira. “Algumas literaturas falam de ‘distúrbio financeiro’, ‘distúrbio da negação financeira’, ‘distúrbio da infidelidade financeira’, que são nada mais, nada menos do que condutas na vida adulta e que, em muitos casos, são reflexos daquilo que vivemos ou da forma como fomos educados quando crianças”, analisa.
Cenários em que pessoas perderam emprego, rendas, faliram, foram acometidas por doença grave ou outro tipo de tragédia na família, culminando na necessidade de alocar recurso financeiro, pondera Edisio, são casos extremos.
“Não podemos fechar os olhos é para pessoas que, por comportamentos inadequados, acabam se endividando e chegam a um esgotamento emocional”. Outras situações apontam para a autossabotagem, por conta do descontrole das emoções, comprando compulsivamente, por exemplo, e, depois, cria uma narrativa para convencer a si próprio que é por merecimento, tendo a falsa sensação de poder de compra com o cartão de crédito, culminando em dívidas financeiras.”
O educador financeiro explica que, com o esgotamento das linhas de crédito, a falta de dinheiro e de não ter mais de onde tirar, a pessoa passa a sentir um forte peso emocional.
“Se não for tratado adequadamente, pode provocar sérias doenças emocionais, bem como chegar ao estágio mais grave desse processo, que é quando ela tenta contra a própria vida.”
Educação financeira e consciência
Para ter uma boa saúde financeira e, consequentemente, não ter a mente afetada, é preciso planejamento, educação financeira e consciência do seu status financeiro.
“Isso dará plenas e totais condições de conseguir se organizar financeiramente, sem ferir o bolso e criar problemas de saúde. É preciso ter uma boa noção do quanto tem de renda e quais são os principais gastos para começar a fazer uma gestão financeira eficiente, independentemente de ser rico ou pobre”, afirma, contando que há pessoas que ganham muito pouco e têm uma vida financeira equilibrada e próspera, da mesma forma que outras que ganham muito, mas têm uma vida financeira descontrolada.


