ENTREVISTAS
‘A regulação é uma fila que salva vidas’, diz Roberta Santana
Titular da Sesab diz que 90% dos pacientes são regulados até 3 dias e aponta falhas dos municípios


A regulação do SUS na Bahia deixou de ser um tema restrito à saúde pública para ocupar espaço central no debate político e eleitoral. Nesta entrevista ao A TARDE, a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, rebate as acusações da oposição de que haveria uma “fila da morte” e afirma que “saúde pública é coisa séria”, ao contestar as acusações de que pacientes estariam morrendo pela demora na busca por um leito hospitalar no estado.
“Falar que a regulação é uma fila da morte”, pontuou ela, “é um desrespeito aos cerca de 600 profissionais que salvam vidas todos os dias”. Roberta diz que 700 dos cerca de mil pedidos que chegam diariamente à Central Estadual de Regulação são atendidos em até 24 horas e que nove em cada dez pacientes são regulados em até três dias.
Segundo a secretária, os casos que demoram mais envolvem principalmente procedimentos altamente especializados, como neurocirurgia e tratamento de leucemia, que dependem de profissionais ainda escassos no país.
Durante a conversa, ela também aborda os investimentos em hospitais, atenção primária e oncologia, além das divergências com a prefeitura de Salvador. Saiba mais na entrevista que segue.
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A senhora tem afirmado que há desconhecimento sobre o funcionamento da regulação do SUS na Bahia. Quais são hoje os principais equívocos que identifica no debate sobre a Central Estadual de Regulação?
Primeiro, preciso falar que saúde pública é coisa séria. É séria demais para a gente tratar de forma leviana ou trazendo dados e números que não se sustentam. A gente precisa entender os dados e o que a regulação de fato é responsável. Ela é responsável por ordenar os leitos e os casos mais graves. Para isso, tem uma avaliação médica por trás. Outro equívoco é falar que a regulação tem viés político. Por isso, que tantas pessoas politizam o tema.
A gente precisa deixar claro que a regulação está prevista na regulamentação do Sistema Único de Saúde (SUS). O que a gente faz aqui tem em todos os estados. O que existe por trás da regulação são 600 profissionais que dedicam as suas vidas para encontrar de forma mais rápida possível os leitos daquela especialidade na região.
Como funciona, na prática, o processo de decisão para encaminhar um paciente através da regulação?
Primeiro, o paciente entra na tela da regulação a partir da demanda de uma unidade solicitante. Pode ser uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), um hospital municipal, e ela é demandada. Esse relatório tem todos os dados do paciente. Preciso explicar também a importância desses dados, e como eles são lançados. Se tenho informação de exame laboratorial, de Raio-X, tudo isso ajuda o médico regulador, que muitas vezes está a mil quilômetros de distância do paciente. O que ele tem é a informação que está na tela da regulação. Claro que a gente sabe que a situação clínica de um paciente pode mudar rapidamente, e precisa ser atualizada. Se essa atualização não acontecer, o médico regulador não pode ser penalizado por uma informação que não está colocada.

Como disse, são 600 profissionais trabalhando na Central de Regulação, dia e noite, buscando uma vaga para o paciente que precisa naquele dia. Por dia, nós temos em média a entrada de mil solicitações de regulação na tela. Esses médicos trabalham em regime de plantão, junto com auxiliares e enfermeiros, para analisar cada pedido. O paciente que é regulado primeiro é o paciente mais grave, com base no relatório apresentado. Quando a oposição usa a expressão “fila da morte”, é uma ofensa direta aos pacientes. Eles usam pacientes que tenham ido a óbito num processo de transferência, que não necessariamente é pela não disponibilidade da vaga, e usam isso para provocar a regulação. É um desrespeito aos profissionais, que salvam vidas todos os dias. Importante lembrar que, de cada dez pacientes, nove são regulados em até três dias. E de mil pacientes que entram na tela, 700 são regulados em 24 horas. Isso estou falando por dia. A gente não pode dizer que a fila da regulação é uma fila da morte. É uma fila da vida, que salva vidas.
Falando em fila da morte, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, afirmou esta semana que 700 pessoas morreram, no ano passado, enquanto aguardavam atendimento na fila da regulação. Como a senhora responde a essa afirmação?
Quem deu o dado foi ele. Eu não sabia, inclusive, que ele era responsável pelos dados da regulação oficial. Como foi ele que apresentou o dado, quem tem que apresentar o método, os critérios e os números é ele. Inclusive, eu oficializei ao município, assinei hoje, um pedido para que ele apresente os dados. Muitas pessoas têm me perguntado sobre isso, mas quem deu o dado foi ele. E eles não conferem com os dados oficiais da regulação de 2025. Em 2025, 17 mil pessoas foram reguladas em Feira de Santana. E 100% dos pacientes foram regulados para hospitais estaduais, porque o município de Feira de Santana não oferta um leito de hospital municipal para deitar um paciente da regulação. Ele precisa ter responsabilidade sobre os dados que está apresentando. Deve uma explicação à sociedade, porque quando a gente traz uma desinformação na saúde é um desserviço para nosso Estado. Ele precisa ter responsabilidade como gestor público, como prefeito, para apresentar dados.
Quais são os principais desafios para agilizar o processo de regulação?
Nós temos 10% dos pacientes que entram na tela e têm dificuldade de regulação. Por que eles demoram mais tempo? São leitos muito especializados.
Vou dar dois exemplos. Primeiro, o paciente que precisa de tratamento de leucemia. É um tratamento altamente especializado que requer um profissional específico. Esse profissional não é encontrado no interior do estado. O paciente precisa vir para Salvador. Neurocirurgia é outro exemplo. E tanto a neurocirurgia como a onco-hematologia requerem profissionais que hoje são escassos no Brasil todo. Não é uma realidade só da Bahia. Então, são pacientes que demandam mais tempo. Nós reconhecemos que temos desafios importantes na regulação, mas não podemos desconsiderar todas as vidas que são salvas. Já ouvi o médico Dráuzio Varella dizendo o seguinte: “É muito fácil falar mal do Sistema único de saúde; difícil mesmo é viver sem ele”. As pessoas muitas vezes utilizam o Sistema Único de Saúde e não se dão conta da importância daquilo na vida.
A senhora já disse que a prevenção é uma das principais estratégias para reduzir a pressão sobre a regulação. Como os investimentos em atenção básica podem contribuir para melhorar o cenário?
Quando a gente fala do enfrentamento da regulação, o primeiro ponto é a ampliação de leitos. Isso o Estado tem feito com muita responsabilidade. Foram 15 hospitais em três anos e meio, quase seis mil leitos. Leitos contratualizados na rede privada, leitos públicos disponibilizados, ampliando, regionalizando, interiorizando. Segundo ponto é a gente se perguntar: por que entram mil pacientes na tela da regulação da rede de urgência e emergência no nosso Estado? Muitas vezes porque essas pessoas não tiveram a oportunidade de ter a sua consulta e seu exame realizado no tempo certo e chegam muito grave na regulação. Um exemplo clássico sobre o impacto da atenção primária na rede de urgência e emergência é o controle de diabetes e hipertensão.
Hoje o número de pacientes que chegam graves para fazer amputação é absurdo. Isso nos entristece por falta da atenção primária, que é de responsabilidade dos municípios. Isso quem está dizendo não é a secretária Roberta pela experiência que tenho aqui. São dados científicos. A atenção primária é a primeira porta. A outra é a falta de acesso a medicamentos, a assistência farmacêutica. Se não faço controle da minha hipertensão ou da minha diabetes, corro o risco de sofrer um AVC, ter um infarto. Quando a gente fala isso para a população, não é transferindo responsabilidade. Alguns fazem essa leitura. ‘Ah, o governador, a secretária fica empurrando para o Ministério ou para o município’. Porque não é?

Nós temos ações estruturadas para dar apoio ao município. Se não fosse isso, não estaríamos construindo 340 unidades básicas de saúde na Bahia. É responsabilidade do município, mas o Estado tem buscado recursos para investir. Têm 15 hospitais municipais sendo construídos no nosso Estado. O governador tem responsabilidade? A priori ele poderia dizer: o município que resolva. Mas ele busca recursos para fazer isso. Então, é sobre essa responsabilidade, sobre cofinanciamento. Qual é o grande desafio do sistema e da saúde pública? Financiamento para manter o custeio. E aí a gente tem cofinanciamento para atenção primária. A gente tem cofinanciamento para hospitais municipais, o programa Mãe Bahia. Enfim, nós temos uma política estruturada para melhorar os indicadores da regulação. Muita coisa foi feita e muita coisa vem sendo feita para que a gente tenha esses resultados de hoje.
Como o Estado vem atuando para garantir que os recursos compartilhados com os municípios sejam aplicados de forma efetiva?
A gente viu que os prefeitos relatavam as muitas dificuldades dos municípios de manterem médicos nas suas estruturas ou profissionais adequados para garantir o posto de saúde funcionando. Quando fizemos o cofinanciamento da atenção primária, falamos por exemplo da manutenção das equipes da Saúde da Família pelo governo do Estado. Com o cofinanciamento do Estado, sem contar os recursos federais, o município pode receber até R$ 5 mil por equipe. Como a gente monitora a aplicação dos recursos? Fazendo um acompanhamento mensal dos indicadores.
Nós estabelecemos indicadores das doenças crônicas - controle de diabetes, controle de hipertensão, pré-natal, vacinação e saúde bucal. São indicadores que, se bem controlados, vão reduzir a demanda na rede de urgência e emergência. Como é que a gente monitora isso? Através de indicadores de desempenho. Os municípios que evoluírem nesses indicadores podem receber até R$ 5 mil. Utilizamos essa estratégia de gestão focada em produtividade, mas que vai ajudar a reduzir a quantidade de casos graves na população. Os municípios estão numa grande mobilização. E a gente tem fornecido equipamentos que podem ajudar na estruturação da prevenção e promoção da saúde.
Ainda existem vazios assistenciais importantes na oncologia? Quais regiões do estado continuam sendo prioritárias para a implantação de novos serviços?
Tivemos uma expansão robusta da oncologia na Bahia. Hoje, nós temos 26 unidades de oncologia distribuídas no interior e na capital. Oito delas estão aqui em Salvador, na região metropolitana e o restante no interior do Estado. Eu digo que essa é uma decisão ousada de quem acredita na política pública. Quais são os desafios para avançar mais? Encontrar profissionais especializados para cuidar do paciente nas regiões mais distantes da capital.
Mas temos tido sucesso com isso. Em três anos, nós implantamos quatro serviços de radioterapia, que precisam de um acelerador lineal, um equipamento importado adquirido em parceria com o Ministério da Saúde. É preciso falar da importância desse serviço. Imagina um paciente em Teixeira de Freitas, no extremo sul, que precisava fazer radioterapia. Ele vinha para Salvador, a quase mil quilômetros de distância, numa situação sensível, porque quem faz o tratamento do câncer, por si só, já está fragilizado, ainda mais longe da sua família e numa casa de apoio.
Quando a gente leva esse serviço, dá oportunidade para que essas pessoas sejam tratadas lá. Nós tínhamos quatro regiões que eram descobertas de radioterapia: Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista, Juazeiro e Barreiras, que foi a última que entregamos. É a possibilidade de levar o tratamento mais perto. Mas aí você pergunta: isso resolve tudo? Não. Quais são os desafios que nós temos na oncologia? Por exemplo, cirurgia de cabeça e pescoço, que é muito concentrado. O Hospital Aristides Maltez é um dos hospitais filantrópicos de maior produção oncológica no Brasil. Mas isso fica muito concentrado lá. Por que você não opera cabeça e pescoço na unidade de oncologia de Barreiras? Porque muitas vezes você não tem o profissional.
Nós temos a estrutura, mas muitas vezes é pela deficiência dos profissionais. Por isso, fizemos uma grande expansão. Implantamos a Unacom (unidade de oncologia) na Chapada, em Rui Barbosa. A única última região de saúde que nós não tínhamos oncologia era a nordeste. Mas foi entregue o Hospital de Alagoinhas, o Hospital Litoral Norte, que tem oncologia. Com ele, cobrimos em 100% de oncologia no nosso estado. É um avanço. Mas a leucemia e a onco-hematologia seguem sendo grandes desafios. No Hospital Roberto Santos temos os primeiros cinco leitos de UTI dedicados ao tratamento de leucemia. Perguntei aos representantes do Ministério da Saúde, que estavam aqui, e eles não conhecem nenhum outro estado que tenha leito dedicado para leucemia.
Ampliamos 20 leitos no Roberto Santos para fazer esse tratamento. E você pergunta, por que não descentraliza? Porque não tenho profissional, que é escasso, não só na Bahia, como no Brasil. Como enfrentar essa deficiência de profissionais? Com residências, trazendo, também junto com o Ministério da Educação, para que a gente possa garantir e ampliar a formação desses profissionais.
O Hospital Aristides Maltez teve um aumento no orçamento, e as Obras Sociais Irmã Dulce e o Hospital Martagão Gesteira também receberam recursos adicionais. Qual é a importância desses hospitais filantrópicos para a saúde do Estado?
Falei aqui da oncologia e quero destacar a importância da rede complementar. Até para esclarecer a população, porque está previsto no SUS o credenciamento da rede complementar, tanto da rede privada, como da rede filantrópica, quando a gente precisa levar um serviço que às vezes a saúde pública não consegue ofertar. Os hospitais filantrópicos têm um papel importantíssimo na alta complexidade. Eu falei do Aristides Maltez, que é um hospital de referência, e todo mundo sabe disso. Pacientes de muitos municípios se internam lá para um atendimento muito especializado. O governo federal, através do Ministério da Saúde, fez um aporte significativo.
Foram R$ 25 milhões aportados no Aristides Maltez, R$ 30 milhões nas Osid, que também faz oncologia, e no Martagão Gesteira, que é uma referência na pediatria, não só na oncologia, mas em doenças raras também. Portanto, tivemos um aporte de quase R$ 100 milhões nos filantrópicos. De que forma isso impacta? Com esse aporte, por exemplo, o Martagão Gesteira reativou 10 leitos de UTI pediátricos que foram fechados por questões financeiras. O SUS se estrutura no fortalecimento de uma rede, e a rede complementar filantrópica na nossa Bahia faz a diferença. Queria aqui aproveitar para falar da importância do esforço conjunto, do Ministério da Saúde, municípios e Estado, para a gente manter a rede filantrópica no nosso Estado.
Como está a vacinação na Bahia diante do avanço da desinformação e de discursos ideológicos contra as vacinas? Houve queda na cobertura vacinal no Estado?
Comecei a nossa entrevista falando que saúde pública é coisa muito séria para tratar com desinformação. A minha tristeza é que o ex-presidente Bolsonaro trouxe dúvidas sobre o bem mais precioso para salvar vidas, que são as vacinas. A gente poder voltar a socializar com a população, depois da pandemia da Covid, é a prova clara de que as vacinas são eficazes. Porque senão nós ainda não estaríamos aqui.
O que acontece é que a desinformação tem um impacto muito grande na rede assistencial. Vou dar um exemplo – a bronquiolite. Foi disponibilizada a vacina para gestantes e já há 60% de redução nos casos de internamento na rede de urgência e emergência por causa da doença. O que me preocupa é que as pessoas esquecem as consequências de negligenciar as vacinas. A gente viveu um período pandêmico, viu a poliomielite, as pessoas que tiveram paralisia.
A gente está acompanhando São Paulo com o ressurgimento dos casos de sarampo e a gente não pode deixar que isso retorne. Tenho feito um apelo à população, aos pais, aos responsáveis, aos idosos: a vacina, além de ser um ato de amor, colabora com a saúde pública. Já vi pessoas falando que não acreditam na vacina ou se compactuando com pessoas que fazem esse discurso e vêm falar mal da saúde pública. Nós, enquanto cidadãos, não temos o direito de falar mal do Sistema Único de Saúde se não colocamos nossas vacinas em dia.
Com a chegada do Verão e o aumento das temperaturas e das chuvas, cresce também a preocupação com doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Como está a preparação da Bahia para enfrentar um possível aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya neste período?
Importantíssimo falar sobre isso. Nós já falamos aqui sobre a importância da atenção primária, e o controle das arboviroses, como dengue, chikungunya, zika, é importantíssimo nesse sentido. Isso precisa ser feito através da parceria com os agentes comunitários de endemias, com todo o trabalho de controle e monitoramento das arboviroses nos municípios. Mas o Estado e o Ministério da Saúde têm um papel importante, que é promover essa política e também fazer com que a população e a comunidade entrem nesse esforço conjunto.
Claro que os municípios, seja na limpeza urbana, no controle do vetor, têm grande responsabilidade. A gente teve uma reformulação no Código da Vigilância Sanitária. Antes a gente precisava pedir muitas vezes autorização do Ministério Público para poder ter acesso a imóveis que estavam com focos efetivamente de dengue ou de chikungunya. Mas agora a gente consegue efetivamente ter um acesso mais rápido para garantir a segurança da população. Os dados da dengue reduziram, hoje na Bahia, fruto dessa política estruturada do Ministério da Saúde. Tivemos mais de 24% de redução, mas em contrapartida de chikungunya nós vimos uma elevação.
A nossa preocupação é com o trabalho estruturado dos municípios, que precisa garantir uma boa limpeza urbana, que precisa fazer uma boa política com os agentes comunitários de endemia, nos imóveis, nas residências, alertando a população. E o Estado e o Ministério da Saúde como política macro também fazem a promoção dessa política de estruturação, seja também com fornecimento. A gente tem o fumacê. Mas o fumacê não pode ser medida de prevenção. O fumacê é corretivo depois para gente poder diminuir, porque também é o uso de uma substância venenosa e a gente não pode estar proliferando ela. O que a gente pode fazer é prevenir. É um esforço conjunto. O Estado da Bahia tem evoluído bastante, com políticas estruturadas, carros fumacê e a aquisição de kits para agentes comunitários. Nós fornecemos e a gente segue firme. Mas acho que é um trabalho conjunto da população e dos municípios.
Para concluir, como a senhora avalia a relação entre o Estado e o município de Salvador na área da saúde, diante das divergências entre as duas gestões? O prefeito já afirmou que Salvador conta com quatro hospitais municipais, que dão conta do atendimento à população. Como a senhora avalia essa afirmação?
Eu tenho um ponto de preocupação porque ou o prefeito está mal informado ou quer, de fato, trazer desinformação para a saúde pública. É uma preocupação, ele, como prefeito de uma cidade tão importante, trazer desinformação. Primeiro que ele elenca que Salvador tem quatro hospitais. Vamos registrar que o hospital veterinário não faz atendimento da saúde. Queria que ele esclarecesse a população também porque a maternidade só foi construída 14 anos depois do prometido. E porque o município apresenta dois hospitais que são de porta fechada. Me admira a indignação do prefeito com o sistema de regulação porque ele hoje é comando pleno.
O que significa comando pleno? Ele diz ao Estado e ao governo federal que quer ser responsável pela média e alta complexidade. Eu não consigo entender que um prefeito que tem essa responsabilidade coloque a responsabilidade integral no Estado. Olha os dados: no município de Salvador, 40% da população não tem acesso a posto de saúde perto de onde mora. Como é que faz o controle e a diabetes e o controle de pré-natal de uma gestante que mora numa área que está desassistida? O que acontece com esse paciente? Ele vai para a UPA grave ou ele vai para a rede de urgência e emergência.
O Estado tem o Hospital do Subúrbio, que é um hospital de referência. Primeira experiência de parceria público-privada na saúde, hospital de altíssima complexidade de neurocirurgia, tem a porta aberta. Cerca de 70% das pessoas que buscam atendimento lá são pacientes verde e azul classificados e que deveriam ser atendidos ou numa UBS ou numa UPA. Como não encontram atendimento, vão para lá. Ele tem que entender que saúde não tem partido. A saúde tem paciente esperando ser atendido e é sobre isso que a gente precisa falar. Então, o prefeito precisa ter responsabilidade com os dados. Se ele está sensível com os pacientes que aguardam na UPA, por que não propõe abrir mais hospitais? Vamos comparar? Ele não gosta da comparação. Salvador tem dois milhões e meio de habitantes, aproximadamente e Fortaleza tem igual.
Hoje, Fortaleza tem dez hospitais municipais; Salvador tem dois. Ah, mas é porque o recurso da alta complexidade está com o Estado. Está com o Estado porque o Estado tem 22 hospitais atendendo a população de Salvador. Se ele quiser fazer hospital, o Ministério da Saúde garante o recurso, só que ele precisa ter coragem de fazer. E ele não tem. Eles passaram 14 anos para construir uma maternidade, 20 anos para construir um hospital.
De fato, o grupo político deles realmente não tem compromisso com a saúde do nosso Estado. Isso me preocupa. Claro, quem perde é a população e a gente não está aqui para desassistir. A gente está para garantir a assistência à população. Veja: dos 15 hospitais que nós construímos, cinco foram em Salvador. Nós temos o maior hospital ortopédico hoje em produção no Sistema Único de Saúde com uma média de 25 mil cirurgias. Quantos pacientes que sofreram acidente de trânsito encontraram atendimento no hospital que ele cita? Faz um questionamento à população. Quando é que você precisou de um atendimento de urgência e emergência e foi atendido num hospital municipal? A porta é fechada para a população.
Raio-X
Graduada em Administração pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e mestre em Administração Estratégica pela Unifacs, Roberta Santana se especializou em Administração Pública, com ênfase em Planejamento e Gestão Estratégica. Ocupa funções estratégicas de gestão no governo do Estado desde 2007 e, em janeiro de 2023, assumiu o cargo de secretária da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Ao longo de sua trajetória como servidora pública, foi diretora-geral da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e diretora-geral da Secretaria Estadual da Educação (SEC), entre outros cargos.


