“O FILME DA MINHA VIDA TODA”
Aos 70 anos, Desirée nada sozinha a travessia Salvador–Mar Grande
Atleta realizou sua 30ª travessia após quase 9 horas no mar

Por Iarla Queiroz

A nadadora, Desirée Dalia, completou, sozinha, a travessia Salvador–Mar Grande ida e volta neste domingo, 25. A largada aconteceu às 3h da manhã, no Porto da Barra, em Salvador, e a chegada foi registrada às 11h50, totalizando quase nove horas de prova. O percurso marcou a 30ª travessia da atleta, que tem 70 anos.
A prova foi realizada em condições de mar aberto, com presença de chuva e correntezas, fatores que exigem preparo físico e planejamento prévio.
Duas travessias fora d’água
Para ela, o desafio não se resume à distância. Existe o que chama de “outras travessias”, aquelas invisíveis para quem assiste de fora. “A gente nada, treina, mas tem que ter o mental muito preparado. Quando você vai, tem uma outra travessia que é passar do farol. E quando volta, tem uma outra ainda, que é chegar no ponto da Barra, por causa da correnteza”, contou.
Mesmo com as dificuldades, Desirée diz que nada foi feito por impulso. “Eu me preparei para isso. Não fiz nada irresponsável. Foquei em alimentação, treino e tive apoio”, afirmou.

Treino, apoio e confiança
A preparação contou com acompanhamento técnico e incentivo decisivo. Desirée fez questão de destacar nomes que estiveram ao seu lado no processo. “Tive o apoio de Bruno Riela. E quando Arapiraca, que é um baita técnico de ultramaratona, acreditou e encostou, deu no que deu”, relatou.
Segundo ela, o resultado é fruto de planejamento e confiança — no corpo, na mente e em quem caminhou junto.
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Da tempestade de 1991 à 30ª travessia
A chuva que caiu neste domingo trouxe lembranças fortes. A primeira travessia de Desirée aconteceu em 1991 e também foi marcada por condições extremas. “Foi uma tempestade, uma tempestade mesmo. Quando cheguei, falei: ‘nunca mais vou fazer uma travessia’”, relembrou.
O “nunca mais”, no entanto, virou história. Três décadas depois, ela soma 30 travessias, enfrentando ondas, correntezas e o tempo — sempre em movimento.
Entre risos e emoção, Desirée brinca com a própria promessa: “Eu digo que nunca mais faço… mas não confiem em mim”

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