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O ANO DO ESQUADRÃO!

Euforia, decepção e volta à Libertadores: retrospectiva do Bahia 2024

Após altos e baixos, Bahia encerra 2024 com vaga histórica na principal competição do futebol Sul-Americano

Téo Mazzoni
Por Téo Mazzoni
Imagem ilustrativa da imagem Euforia, decepção e volta à Libertadores: retrospectiva do Bahia 2024
Foto: Rafael Rodrigues / EC Bahia

No dia 06/12/2023, ao se livrar do rebaixamento à segunda divisão do Campeonato Brasileiro na última rodada, o Esporte Clube Bahia traçou o primeiro, e mais importante passo pensando na temporada de 2024. Após um ano de altos e baixos, o torcedor ficou com o grito de campeão entalado na garganta, mas no final das contas, quis o destino que — novamente na rodada final do certame — a torcida azul, vermelha e branca pudesse comemorar um feito que ecoava no peito há 35 anos: uma vaga na Copa Libertadores da América.

Mas antes de falar sobre a classificação, é preciso voltar um pouco no tempo. Em seu segundo ano sob a gestão do Grupo City, o Esquadrão adotou um perfil agressivo logo na primeira janela de transferências de 2024, trazendo jogadores já consolidados no cenário nacional, e batendo de frente com grandes equipes do futebol brasileiro visando a manutenção de seus principais ativos no clube. O posicionamento evidenciava a mudança de postura da diretoria Tricolor, que tinha como meta lutar por coisas maiores na atual temporada.

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Com a chegada de jogadores como Éverton Ribeiro, Jean Lucas, Caio Alexandre, Victor Cuesta e Santiago Arias, o Bahia chamou atenção de todo o Brasil antes mesmo da bola rolar na temporada de 2024. A equipe comandada por Rogério Ceni agora tinha um dos principais setores de meio-campo em todo o território nacional, composto por Cauly, Éverton Ribeiro, Jean Lucas e Caio Alexandre. A formação foi apelidada de ‘Quadrado Mágico’ pela torcida tricolor, fazendo alusão ao quarteto da Seleção Brasileira, na Copa de 2006.

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Foto: Divulgação/EC Bahia

Logo na estreia da equipe principal, um show a altura do esperado pela torcida: 5 a 0 sobre o Jacobina, com um gol de Éverton Ribeiro e um de Jean Lucas. Dos estreantes, só faltou o gol de Caio Alexandre. Apesar da euforia inicial no Baiano e Copa do Nordeste, estava claro que o nível de enfrentamento não era o suficiente para medir a qualidade do time, o que não impediu a torcida de criar expectativas. Frustradas logo na sequência.

Quebra de expectativa no Baianão e Copa do Nordeste

Classificado em primeiro lugar na fase de grupo de ambas as competições, o Esquadrão deixou a desejar nos momentos decisivos dos torneios.

No Campeonato Baiano, perdeu o título para o Vitória, que não vencia a competição há 7 anos, apresentando performances em clássicos muito aquém do esperado pela torcida azul, vermelha e branca, tanto na fase de grupos, quanto na final, quando no primeiro jogo da decisão perdeu por 3 a 2, após estar vencendo por 2 a 0, em pleno Barradão. No segundo jogo, a partida terminou empatada em 1 a 1, coroando o maior rival como novo campeão.

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Foto: Tiago Caldas / EC Bahia

Já no Nordestão, a decepção foi ainda maior. Depois de perder o título baiano, a torcida cobrava a conquista da Copa do Nordeste, torneio que o Bahia não é campeão desde 2021. No entanto, o fim foi antes do esperado. Com a melhor campanha da fase de grupos — 18 pontos, seis triunfos e duas derrotas —, nas quartas de final, venceu o Náutico sem sustos, mas parou nas semis. Após empate por 0 a 0 no tempo normal, o CRB venceu a equipe comandada por Rogério Ceni nos pênaltis, em plena Arena Fonte Nova, acabando com o sonho da quinta taça da competição, que isolaria o Tricolor de Aço como o maior campeão da competição.

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Alento no Brasileirão, sonho da Copa do Brasil e maior contratação da história

Apesar das decepções nos torneios estaduais e regionais, o Bahia novamente empolgou a torcida tricolor depois do grande início no Brasileirão de 2024, onde chegou a ficar oito jogos invicto, brigando pela liderança da competição. Ao mesmo tempo, passou com autoridade do Criciúma na Copa do Brasil, chegando às oitavas de final do principal torneio mata-mata do futebol brasileiro.

Ao final do primeiro turno da Série A, o Esquadrão se encontrava na 7ª posição, com 31 pontos, disputando ponto a ponto por uma vaga na Libertadores, mesmo enfrentando uma pequena turbulência na temporada, após derrotas consecutivas para Cuiabá e Corinthians, na Fonte Nova, e empate com o Atlético-GO.

Entretanto, embora o momento conturbado, o Tricolor de Aço desembolsou cerca de R$ 65,3 milhões para trazer Luciano “Lucho” Rodríguez — contratação mais cara da história do clube — que foi decisivo na classificação às quartas de final da Copa do Brasil, contra o Botafogo, quando marcou o gol que mandou de volta ao Rio de Janeiro a principal equipe do futebol brasileiro, e ajudou a recolocar nos trilhos o time comandado por Rogério Ceni no Campeonato Brasileiro.

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Foto: Letícia Martins/EC Bahia

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Queda de rendimento, maldição das quartas e final feliz

Pouco depois da heroica classificação contra o Botafogo, o Bahia voltou a vivenciar um momento de tranquilidade na temporada, mas que durou pouco tempo. Isso porque após sequência de duas vitórias e um empate no Brasileirão, a equipe comandada por Rogério Ceni veria sua estabilidade ser encerrada depois de um banho de água fria na Copa do Brasil. A festa azul, vermelha e branca não foi suficiente para garantir o triunfo contra o Flamengo nas quartas de final do certame, dando seguimento ao histórico tabu tricolor de nunca ter avançado às semifinais da principal competição mata-mata do futebol brasileiro. Para piorar, durante o intervalo entre uma partida e outra na Copa do Brasil, o Esquadrão ainda foi derrotado pelo Red Bull Bragantino, que vivia um jejum de seis jogos sem vencer na Série A, com gol marcado no final do jogo.

Após a eliminação, o Tricolor de Aço teve dois lampejos no Brasileirão, vencendo Atlético-MG e Criciúma, ambos em casa, antes de iniciar sua pior sequência na temporada. Durante o período, a equipe comandada por Rogério Ceni ficou dois meses sem vencer, acumulando cinco derrotas e dois empates, assistindo os adversários se distanciarem na tabela, podendo perder a vaga na Libertadores, mesmo passando praticamente 100% do campeonato dentro da zona de classificação ao torneio continental. Até que no dia 30 de novembro, a estrela da joia uruguaia — Lucho Rodríguez — brilhou e o Bahia venceu de virada o já rebaixado Cuiabá, mantendo vivo o sonho da Libertadores.

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Foto: Letícia Martins/EC Bahia

O Bahia viveu uma montanha-russa de emoções na reta final do Campeonato Brasileiro. Voltando a depender apenas de si para assegurar o retorno à Libertadores, o Tricolor de Aço teve as expectativas abaladas por uma derrota acachapante para o Corinthians na penúltima rodada. Com isso, o destino da equipe ficou momentaneamente nas mãos do Palmeiras, que precisou vencer o Cruzeiro, adversário direto na disputa pela vaga — o que se concretizou, devolvendo o controle ao Esquadrão.

Na última rodada, a decisão foi na Arena Fonte Nova, diante de um já rebaixado Atlético-GO. Empurrado pela torcida, o Bahia garantiu a vitória por 2 a 0 com gols de Thaciano e Lucho Rodríguez, que brilhou ao cobrar o pênalti que selou a classificação. A festa azul, vermelha e branca coroou uma campanha de superação, garantindo o clube na Pré-Libertadores 2025, após quase quatro décadas.

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Foto: Catarina Brandão / EC Bahia
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