SEM ACESSO
Feira FC, de Galhardo e projeção midiática, falha na busca por acesso na Bahia
Clube recém-nascido perdeu a semifinal do Baianão para o Fluminense de Feira por 2 a 0


O Feira FC nasceu há apenas cinco meses, mas chegou à Série B do Campeonato Baiano carregando uma expectativa incomum para um estreante. Em pouco tempo, o clube virou fenômeno nas redes sociais, ganhou projeção midiática, atraiu curiosidade do público e apostou em nomes conhecidos, como Thiago Galhardo, para tentar transformar a repercussão fora de campo em acesso logo no primeiro ano.
O roteiro, porém, foi interrompido neste domingo, 19. No Joia da Princesa, o Feira FC perdeu por 2 a 0 para o Fluminense de Feira, pelo jogo de volta da semifinal, e deu adeus ao sonho de subir à elite estadual em sua temporada de estreia.

Depois do empate sem gols na ida, na Arena Cajueiro, o Touro do Sertão fez valer a força da tradição, decidiu o clássico feirense ainda no início do primeiro tempo e garantiu o retorno à Série A do Baianão após cinco temporadas.
A eliminação quebra a narrativa que acompanhou o Feira desde sua fundação - a de um clube recém-criado, midiático, ambicioso e capaz de chegar à primeira divisão já no primeiro capítulo da própria história.
Expectativa alta desde o nascimento
Fundado oficialmente em 2026, o Feira FC surgiu com uma proposta diferente no futebol baiano. O clube se apresentou como um projeto moderno, conectado à cultura digital e com forte presença nas redes sociais. Em pouco tempo, acumulou seguidores, virou assunto e passou a ser tratado como uma das atrações da Série B estadual.
O investimento também ajudou a alimentar a expectativa. O presidente Marcus Rios, idealizador do projeto, e o investidor Neto Lima, embaixador da agremiação, apostaram em uma estrutura considerada elevada para os padrões da competição e buscaram atletas de maior visibilidade, como o meia-atacante Thiago Galhardo, com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro e pela Seleção Brasileira.

Dentro de campo, a campanha sustentou a esperança. O Feira terminou a primeira fase em quarto lugar, com 19 pontos, seis vitórias, um empate e duas derrotas, e chegou à semifinal contra o líder Fluminense de Feira com a chance de conquistar um acesso histórico logo na estreia.
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No jogo que valia a vaga na elite, no entanto, a tradição do Fluminense de Feira pesou. O Touro do Sertão abriu o placar logo aos sete minutos do primeiro tempo, com Tiago Recife, e ampliou aos 15, com Erick Daltro.
Os dois gols no início desmontaram o plano do Feira FC e obrigaram o time estreante a correr atrás de uma reação que não veio. Mesmo com o discurso de que o confronto ainda estava aberto, a equipe não conseguiu transformar a posse ou a pressão em gols e viu o Flu administrar a vantagem diante da torcida.

O resultado levou o Fluminense à final da Série B, contra o SSA FC, e garantiu o retorno do Touro à elite estadual. O clube havia sido rebaixado em 2021 e vinha batendo na trave em temporadas anteriores.
Presidente reconhece erros, mas defende projeto
Ainda no intervalo da partida, quando o Fluminense já vencia por 2 a 0, o presidente Marcus Rios reconheceu que o Feira FC sofreu com falhas nos primeiros minutos do clássico. O dirigente também citou um desfalque de última hora, provocado por uma lesão em atividade antes do jogo.
"Tomamos um gol muito cedo, em uma falha nossa. Tivemos um desfalque importante de ontem para hoje, com um jogador que se machucou no rachão, e precisamos fazer uma mudança. Mesmo assim, o jogo ainda estava aberto e acreditávamos que poderíamos buscar o empate ou a virada", avaliou.

Marcus também fez questão de reconhecer os méritos do adversário e destacou que o Fluminense tinha uma estrutura mais consolidada na competição: "Temos que dar mérito ao Fluminense".
'É uma equipe muito competente, com um planejamento maior, um orçamento superior ao nosso e que já disputa essa competição há seis anos", completou.

"Vamos continuar investindo"
Apesar da eliminação, o presidente do Feira FC afirmou que o planejamento não termina com a queda na semifinal. Marcus Rios defendeu o investimento feito no primeiro ano e disse que o clube precisava iniciar sua trajetória em grande escala para ser visto.
"Precisávamos começar grandes para sermos vistos. O investimento foi feito com responsabilidade financeira. Se subirmos, continuaremos investindo. Não subindo, também vamos continuar investindo, porque o projeto é de longo prazo", garantiu.

Lucaneta lamenta ausência e valoriza campanha
Fora da partida por lesão, o meia Lucaneta acompanhou o clássico das arquibancadas e lamentou não poder ajudar o Feira FC dentro de campo. Camisa 10 da equipe, ele reconheceu a superioridade do Fluminense no confronto, mas valorizou a trajetória do clube em seu primeiro ano.
"Foi um jogo muito difícil. O Fluminense estava muito bem encaixado e, infelizmente, não conseguimos alcançar nosso objetivo. Mas, para um time de apenas cinco meses, acho que todos estão de parabéns", disse.

O jogador também afirmou que vestir a camisa do Feira representou a realização de um sonho pessoal: "Era algo que faltava para mim: ser jogador profissional. Estou muito feliz por tudo que vivi aqui. O futuro pertence a Deus".
Ao falar sobre a experiência de assistir à decisão fora de campo, Lucaneta admitiu a frustração, mas elogiou o grupo. "Queria estar lá dentro tentando ajudar, mas todos que entraram estavam preparados. É um grupo que me acolheu muito bem, e espero que Deus tenha coisas boas reservadas para cada um", afirmou.

Eliminação gera provocação
A queda do Feira FC, além da decepção, também rendeu provocação nas redes sociais. O Porto, clube de Porto Seguro que conseguiu o acesso em seu ano de estreia na Série B do Baiano, alfinetou o caçula feirense após a derrota.
"No Baiano, só o Porto subiu na estreia", provocou. Na postagem, o Porto lembrou que, ao lado do Jacobinense, foi uma das equipes a conquistar o acesso estadual logo no primeiro ano de disputa.
O início do Feira
Mesmo com a frustração, o discurso interno é de continuidade. Para Lucaneta, a torcida não deve deixar de acreditar no projeto. "Não deixem de acreditar. É um time que surgiu do nada há cinco meses e já construiu tudo isso. Acho que essa é apenas a primeira página de uma linda história", disse.
Em 2027, o clube seguirá na Série B do Campeonato Baiano. O sonho que parecia possível logo no primeiro ano terá de esperar, mas o projeto promete continuar tentando provar que o fenômeno fora de campo também pode virar resultado dentro dele.



