AMIGOS DE INFÂNCIA?
Investigados por ligação com tráfico, ex-jogadores de Bahia e Vitória têm infância em comum
Hayner e David Corrêa nasceram em Serra, na Região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo


Alvos de uma operação que investiga suposto envolvimento com uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e ao tráfico interestadual de armas, Hayner e David Corrêa têm mais em comum do que a investigação em andamento.
Os dois jogadores têm 30 anos, nasceram em Serra, na Região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, e passaram por clubes da dupla BaVi, além de terem iniciado suas carreiras no Rio Branco-ES, tradicional clube capixaba.
Hayner, lateral-direito que pertence ao Santos e está emprestado ao Vila Nova, defendeu o Bahia no início da carreira, enquanto David, atacante do Vasco, passou pelo Vitória antes de se consolidar no futebol profissional.
A operação foi deflagrada nesta segunda-feira, 31, pela Polícia Civil do Espírito Santo e cumpre mandados em diferentes estados. Por causa do sigilo do inquérito, ainda não foram detalhadas publicamente as suspeitas individualizadas contra cada jogador.
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Hayner passou pelo Bahia
O lateral-direito passou pelo Bahia em 2015 e 2016, antes de seguir carreira por clubes como Náutico, Paysandu, Cuiabá, Sport, Atlético-GO, Coritiba, Santos e CRB, além de experiências no futebol português e ucraniano.
O atleta foi contratado em 2015 junto ao Rio Branco, inicialmente para integrar a base sub-20. Em agosto do mesmo ano, estreou no profissional, e no ano seguinte, já disputou Baianão, Copa do Brasil e Série B do Brasileirão.
Pelo Bahia, foram 26 jogos, três gols e duas assistências, até o empréstimo para o Náutico em agosto de 2016.

Atualmente, ele defende o Vila Nova por empréstimo do Santos. O clube goiano é comandado por Guto Ferreira, técnico também conhecido da torcida do Bahia por passagens pelo Tricolor.
No Vila Nova, Hayner tem contrato até o fim da temporada. Segundo nota oficial do clube, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência do jogador e também no Centro de Treinamento Vila do Tigre, exclusivamente no armário pessoal do atleta.

David foi revelado pelo Vitória
O outro jogador investigado é David, atacante do Vasco e ex-Vitória. Assim como Hayner, ele nasceu em Serra e começou no Rio Branco-ES. Depois, passou pelas categorias de base do Vitória, clube pelo qual ganhou espaço no futebol profissional.
David subiu para o profissional do Leão da Barra em 2015, ajudou no acesso à Série A e, em 2017, já era titular absoluto. Nessa temporada, marcou seis gols no Brasileirão, se tornando uma peça-chave do elenco.
Durante sua passagem pelo Vitória, David, foi bicampeão baiano, em 2016 e 2017, disputou 110 partidas, marcou 16 gols e oito assistências, até que foi vendido ao Cruzeiro em 2018 por R$ 10 milhões.

Ao longo da carreira, David também defendeu Cruzeiro, Fortaleza, Internacional, São Paulo e Vasco. O atacante conquistou a Copa do Brasil pelo Cruzeiro, em 2018, e pelo São Paulo, em 2023.
No Rio de Janeiro, a Polícia Civil foi ao CT do Vasco para cumprir mandado relacionado ao jogador, mas nada foi encontrado no local.
Mesma cidade e início no Rio Branco-ES
Os dois nasceram em Serra, município da Grande Vitória, e começaram a trajetória no futebol pelo Rio Branco-ES. Por isso, é possível que os atletas tenham se cruzado ainda no ambiente esportivo capixaba ou em círculos próximos da cidade onde cresceram.
Esse ponto também aparece na nota divulgada pelo Vila Nova, que informou que, segundo relato de Hayner, o lateral acredita ter sido incluído entre os alvos da medida judicial por causa de uma amizade de infância com um dos investigados por tráfico de drogas, oriundo da mesma comunidade onde o jogador cresceu no Espírito Santo.

O Vila Nova afirmou ainda que a medida tem como objetivo averiguar a eventual existência, ou não, de relação ilícita entre o atleta e o investigado.
Operação cumpre mandados em quatro estados
A investigação apura a atuação de uma organização criminosa com ramificações interestaduais e ligação com tráfico de drogas e armas. Ao todo, são cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva.
As ações acontecem no Espírito Santo, no Rio de Janeiro, em Goiás e no Distrito Federal. No estado capixaba, há mandados em Vitória e Serra, cidade natal dos dois jogadores. A polícia teria chegado aos nomes dos atletas após supostas mensagens encontradas em aparelhos celulares apreendidos durante a investigação.


